domingo, 30 de setembro de 2007

Ler por prazer


Diário do Nordeste - 30.09.2007
João Soares Neto

É bom que você goste de ler. Não são muitas as pessoas que compram jornais e revistas. Entre os que compram, há os que se interessam apenas por colunas sociais, política, esportes, diversões, polícia etc. Raro é o que lê de ponta-a-ponta. Livro então... Se você chegou até aqui, há indícios de que gosta de ler.

O problema das pessoas que não gostam de ler é que possam ter sido mal orientadas na alfabetização e primeiros anos escolares. Rousseau já dizia que ´a criança não deseja aperfeiçoar-se no instrumento com o qual é atormentada´. Isso vale tanto para Matemática como Português. Ler mais.
.
.

LIVROS - Os mais vendidos

01 - SETEMBRO 2007

1. Cidade do Sol KhaIed Hosseini Nova Fronteira 39,90
2. A Menina que Roubava Livros Markus Zusak Intrínseca 39,90
3. O Caçador de Pipas Khaled Hosseini Nova Fronteira 39,90
4. O Guardião de Memórias Kim Edwards Sextante 39,90
5. A Montanha e o Rio Da Chen Nova Fronteira 49,90
6. A Sombra do Vento Carlos Ruiz Zafón Suma de Letras 39,90
7. Anjos e Demônios Dan Brown Sextante 19,90
8. Na Praia Ian McEwan Cia. das Letras 33,00
9. O Futuro da Humanidade - Marco Pólo Augusto Cury Sextante 24,90
10. Memória de Minhas Putas Tristes Gabriel García Márquez Record 26,00

NÃO-FICÇÃO

1. Deus, um Delírio Richard Dawkins Cia. das Letras 54,00
2. Marley & Eu John Grogan Prestígio 29,90
3. Sobre o Islã Ali Kamel Nova Fronteira 34,90
4. O Carrasco do Amor Irvin D. Yalom Ediouro 34,90
5. Código da Vida Saulo Ramos Planeta 44,90
6. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras Vários autores Objetiva 48,90
7. O Príncipe Maldito Mary del Priore Objetiva 36,90
8. D. Pedro II José Murilo de Carvalho Cia. das Letras 37,00
9. O Mundo é Plano Thomas Friedman Objetiva 59,90
10. Muito Longe de Casa Ishmael Beah Ediouro 34,90

RECOMENDA

Igor Miranda

"O Futuro da Humanidade"
Augusto Cury
254 páginas
R$ 24,90
SEXTANTE

Marlen Danúsia

"O Caçador de Pipas"
Khaled Hosseini
368 páginas
R$ 39,90
NOVA FRONTEIRA
----------------------
Fonte: jornal Diário do Nordeste / 30/09/2007

Suicídio

De volta ao lar. Me matarei e irei ao céu agora mesmo.
Tradução livre. (AS)


"Por que as pessoas se suicidam? Pergunta para um bom psiquiatra. Mas como de médico e de louco todos nós temos um pouco, vamos lá.

O número de grandes nomes que chegaram ao ato trágico é surpreendente: Getúlio, o ator Alan Ladd, Camilo Castelo Branco, Esnert Hemigway, Picasso, Marilyn Monroe, Pedro Nava, Raul Pompéia, Stefan Zweig, Santos Dumont e outros. Eu, de mim, se algum dia pensasse em me suicidar, me contentaria em rasgar minha fotografia." Hélio Passos / Diário do Nordeste / 30/09/2007
----------------------------
- AS, e você?
- Ah, meu amigo, comprava uma escova bem grande ou pegava uma meia dúzia de penas de galinha e começava a me coçar até morrer de rir.
- É... É uma forma muito engraçada de morrer!

Trova - 11 de setembro de 2001

38


TALIBAN...BAN! BAN! BAN!

O mundo é um só semblante:
Ânsia...MEDO de atentado.
Bomba, barba e turbante...
Taliban pra todo "Laden". 11 09 2001


Já pensou ...

...se o Dr. TERROR Osama bin Laden se chamasse Osódio. "Amando" fez o que fez... imagine odiando!


Airton Soares
Há seis anos...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Quando a noite se aquieta

37

É quando a noite se aquieta
que eu sinto a cumplicidade,
do amor que me faz poeta,
com a dor que me faz saudade!

João paulo ouverney

Meditando em meu cansaço

36

Meditando em meu cansaço
não me entristeço nem rio...
os troféus do meu fracasso
valorizam meu vazio.

Humberto del maestro

Ri, palhaço

35


Ri, palhaço, que o teu riso
vai, à dor, dar acolhida,
transformando em paraíso
teu picadeiro da vida.

Giselda medeiros

Eu te quero às escondidas

34


Eu te quero às escondidas
e se esta espera durar,
te esperarei quantas vidas
for necessário esperar!...

Eugênia maria rodrigues

Bebo o sopro da vida

33

Nas curvas do desalento
quando a paixão me convida
eu largo a velhice ao vento
e bebo o sopro da vida!

Eduardo toledo

Madrugadas que não passam

32

Ao ver-te em roupas ousadas,
que os pensamentos devassam,
passo, insone, as madrugadas,
e as madrugadas não passam!...

Edmar japiassú maia

Olhar cansado

31


No meu olhar já cansado
guardo estrelas, guardo luas,
as mensagens de um passado,
feito de noites só tuas.



Carolina Ramos

Olhar cansado

31


No meu olhar já cansado
guardo estrelas, guardo luas,
as mensagens de um passado,
feito de noites só tuas.

Carolina Ramos

Obsessão




Por Ines Pereira

Acusada de ser obsessiva
Sou tolhida por ti, por mais ninguém...
De deleitar-me no amor que nunca tive
De viver essa paixão...que inda é viva
Só em mim

Tu me dizes:”Até logo!” e facilmente
Me retiras então de tua vida...
E eu tola que sou ,começo o ano
Relembrando esse amor,essa ferida

Quisera poder sair
Sem pensar nos teus beijos
sem lembrar
Teus afagos,teus sussurros.

Enfeitei mais que devia
essa história de amor
que só eu li.


Encarar-me ...
Perdedora enfim de anos,
É que me faz dizer que foi um sonho,
Esse passado torto e enfadonho.

Não fui feliz!
Essa é a verdade!
Ainda não tive o que espero da vida!

Nem ao menos um amor sequer,
Que fosse amor sem ter que disfarçar.

Tive paixões
muitas ilusões...

E toscas lembranças de momentos e carícias...

Mas o amor delicioso que almejo
Só sonhos me trazem...
por toda minha vida!



ECA!...pra política no BRASIL!





.
Visite o blog VIVER É PRECISO da poetisa e escritora Ines Pereira. Mousei aqui.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Velho que casa com moça

30

Velho que casa com moça,
analfabeto quer ser...
- Este, quando compra livro
é sempre para outro ler!

Oliveira Mafra

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O gozo na experiência e teoria psicanalítica

GRUPO DE QUATRO Nus (1925), óleo sobre tela de Tamara de Lempicka (Foto: Reprodução)


O livro traz uma reflexão profunda sobre um dos conceitos mais importantes da psicanálise, à luz do pensamento de Jacques Lacan. O autor demonstra, com rigor, que trata-se de uma ferramenta indispensável para o analista confrontado, cada vez mais, com o excesso de gozo que não mais encontra as barreiras do prazer.

`Sejam vocês lacanianos, se quiserem, eu sou freudiano´. Nestes termos, Lacan assumia que o futuro da psicanálise está na dependência direta do incessante retorno às fontes freudianas. Maneira incisiva de lembrar aos analistas que a transmissão da disciplina criada por Freud, exige repetição e traição a um só tempo. No campo da ciência do particular não há lugar para aprendiz de feiticeiro: o analista deixando-se invadir pela ´estranha-conhecida´ presença do outro, vive a experiência de modo a modificar, inventar e recriar a teoria.

Com um quê de ortodoxia e provido dos modelos e sensibilidades que recebeu de sua época, Lacan abandona a leitura cronológica dos textos freudianos para buscar nos brancos e nas margens de cada um deles, um não dito. Isto resultou numa série de contribuições originais que fez à psicanálise, sistematizadas durante as décadas. ´Não me repito, mas sempre digo o mesmo´ afirmava Lacan. Assim, relendo os fundamentos da pulsão de morte, transformou em conceito o vocábulo da língua alemã, ´Genuss´, gozo, usado por Freud para designar o que está proibido ao humano: a repetição do gozo mítico da primeira satisfação. No plano clínico, gozo remete à encruzilhada estabelecida entre uma prática voltada exclusivamente à interpretação do sintoma, como o era no tempo da fundação da psicanálise, e a urgência de se introduzir o limite capaz de orientar o sujeito em direção ao desejo.

Clique na imagem e leia a resenha
Néstor Braunstein acaba de ter lançado no Brasil, Gozo, livro que ilumina de modo original e criativo, o conceito de mesmo nome. O autor revela uma capacidade inquietante de escavar o conceito numa dimensão poética, clínica, teórica e didática ímpar. Resultado: desde sua primeira publicação no México em 1990, à segunda edição francesa de 2005, Gozo passou por sucessivas modificações, atualizações, reescritas e inovações terminológicas. Ao designar a dimensão ´gozosa´ da psicanálise, faz surgir outros sintagmas, enriquecendo a conceituação lacaniana do que está mais além do princípio do prazer freudiano. Sorte a do leitor brasileiro. Ganha a obra exaustivamente revisada e, em seu conjunto, acrescida de novas indicações bibliográficas e ensaios inéditos.

O dom em sair e voltar ao campo da psicanálise com uma perspectiva de forma absolutamente fecunda, sustenta a evolução do trabalho teórico de Braunstein. Da urgência em abordar as complexas relações entre o ensino de Lacan e o pensamento de Foucault, surge a escrita do ensaio que articulado com o conjunto do livro, atualiza o ponto mais debatido da contribuição lacaniana sobre o gozo. A saber: a inexistência de qualquer relação natural entre os sexos que, segundo Braunstein, pode servir como base de compreensão para a teoria ´queer´.

A consistência clínica do autor abre novas janelas, articulações originais entre o conceito de gozo e as estruturas clínicas - neurose, perversão e psicose. Bela maneira de dar conta do que faz e explicitar claramente para que serve a psicanálise, num mundo em que cada vez mais se tenta apagar a singularidade do sujeito, oferecendo-lhe a ilusão de que os objetos gozosos podem rechear a falta-a-ser que o desejo revela em sua raiz. E neste sentido, as referências feitas às patologias mais dramáticas de nossa época - anorexia, bulimia, toxicomanias e outras formas de angústia - todas ligadas ao excesso de gozo iluminam a crítica da psicanálise à cultura. A produção maciça de objetos na atualidade atende, exclusivamente, à demanda do mercado capitalista em detrimento do sujeito do desejo. Ou seja, o homem contemporâneo é compelido a gozar excessivamente daquilo que não serve para nada.

No último capítulo, Gozo e ética na experiência psicanalítica, o recurso usado para encaminhar o leitor a tal sorte de questão foi o de explorar uma outra face do gozo - ´aquela que passa pela mediação ativa do diafragma da palavra´. O autor parte da hipótese de que se a experiência psicanalítica está jogada integralmente na relação do sujeito com o gozo, ela se orienta para um certo bem que é o gozo como possível. E aqui o autor faz uso do estilo que convém à sua mensagem: ´o gozo é aquilo que deve ser recusado para que possa ser alcançado. Na rota até o gozo há que fazer, forçosamente, uma escala no porto do desejo´. O lirismo da sentença agrega algo mais ao rigor clínico e teórico do autor.
--------------------------------------------------
Disponível no site: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=472326 (Jornal Diário do Nordeste, 23/09/2007)

entra ou sai de férias

O leitor entra ou sai de Férias.



Leio hoje no portal O Povo.com.br que o filme Leio no portal O Povo.com.br que o filme "O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias" será indicado pelo Brasil para concorrer a uma das cinco vagas à seleção de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2008.

Espere! Na verdade, você sai ou entra de férias? Se saio de férias, não estou mais de férias. Pra mim o correto é isso. Porque veja bem: O funcionário saiu da empresa para entrar em gozo de férias. É o que diz o texto oficial da CLT.


ponto de vista 02


verbo intransitivo
ir a algum lugar com o fito de se distrair ou exercitar
Ex.: se sair significa se distrair é redundante dizer de férias


Transitivo
1.2 ir a algum lugar com o fito de se distrair ou exercitar
Ex.:

pv 01


Capítulo IV da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT
FÉRIAS ANUAIS

O empregado não poderá entrar no gozo das férias sem que apresente ao empregador sua Carteira de Trabalho e
Nossa língua é muito dinâmica. Da mesma forma que antes se dizia> AS, muito obrigado pelo favor que você me fez. E eu respondia: Fulano, não se sinta obrigado por nada. Esta forma de conduta, hoje, se resume em obrigado! De nada!
Da mesma forma acontece com o assunto em tela. Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2008.

Notícia alvissareira para a indústria cinematográfica e também motivo de orgulho pra todos nós, mas na verdade não é sobre cinema que pretendo discorrer aqui neste espaço. Quero falar de uma coisa do nosso linguajar que de há muito me intriga.


O funcionário entra ou sai de férias? Uns dizem que entra outros dizem que sai. O título do filme estaria "politicamente correto"? Neste entra-e-sai quem relamente goza... as férias semanticamente falando?


Se o correto é sair de férias, veja que coisa esquisita: "Hoje é o meu último de férias" Há 29 dias ele entrou de féris É o que costumamos ouvir. Significa dizer que amanhã entrarei de férias,O funcionário saiu da empresa para entrar em gozo de férias. É o que diz o texto oficial da CLT.

Nossa língua é muito dinâmica. Da mesma forma que antes se dizia> AS, muito obrigado pelo favor que você me fez. E eu respondia: Fulano, não se sinta obrigado por nada. Esta forma de conduta, hoje, se resume em obrigado! De nada!
Da mesma forma acontece com o assunto em tela.


26 09 07

Incipiente e Insipiente


Airton Soares

Dúvida? Nunca mais!



.
- Ei, AS, Pare!

- O que foi que eu fiz...?

- Você ainda não fez nada, mas não comece esta crônica, porque eu já saquei tudo.

- Ótimo! Fico feliz, mas você precisa explicar.

- Simples: inCipiente é o que se inicia, que está no começo. É só lembrar do `C´ da palavra começo e inSipiente é quando a pessoa não `Sacou´a mensagem é o não sapiente... Ignorante, não sabedor. Você pode utilizar a minha frase como parâmetro:

“- Você ainda não fez nada, mas não comece esta crônica, porque eu já saquei tudo.”

A letra "C" está para o “Comece” assim com a letra "S" está para o “Saquei.” Não tem errada!

- Gostei, mas preciso preencher o espaço que me cabe, caso contrário não tem cachê. Já sei. Citarei alguns exemplos.

- Pronto. “Incipientemente” falando você é um sacador mnemônico de primeira categoria.

- “Nem tanto...”

INCIPIENTE

“Conservo recordações quase frescas, e que providencialmente adoçam as amarguras da minha incipiente* velhice.”

* Da minha velhice que se inicia; da minha principiante velhice.

“Essas ciências que o homem hoje domina, são incipientes** em relação a uma doutrina que tem como objetivo a outras dimensões do cosmos.”

** Ciências noviças; que estão no começo.

INSIPIENTE

“Os empregados que conseguiu eram todos insipientes, sem qualificação.”

Só lembrando: Incipiente e insipiente são palavras homônimas homófonas pois ambas têm o mesmo som e grafias diferentes.

Retificar e Ratificar


Airton Soares

Dúvida? Nunca mais!

.
.
Há dias venho matutando
acerca das palavras homônimas Retificar e Ratificar. Não que eu tenha dúvidas sobre suas acepções, pois trabalhei por muito tempo numa empresa, examinando contratos de compra e venda. Se a escritura apresentava algum erro, havia necessidade de se elaborar uma outra escritura no cartório, denominada de escritura de re-ratificação, na qual se consertava o erro (retificar) e se demonstrava (ratificar) a área construída do imóvel, se fosse o caso.

O meu desafio
nesse exato momento é dizer-lhes (contexto: estou em sala de aula), dentro do que me propus, ou seja, criar associações mnemônicas com essas palavras que costumam tirar o juízo de vocês na hora da prova. Foi aí que me veio à memória uma salvadora fala provinciana que ouvira por aí.

“Minha filha,
eu `ra ti´ disse num sei quantas vez, tintim por tintim, que home pra tu é o Zé: esse sujeito que tu tá com ele, é um carga torta. Esse chamego de vocês num tá me cheirando bem! "

Facilitando:

Retificar
O sujeito é um carga torta. Precisa ser alinhado, consertado... Retificado. Lembre-se de retífica, oficina especializada em retificar motores.

Ratificar
“Eu `ra ti´ disse num sei quantas vez, tintim por tintim, que home pra tu é o Zé.”: Por várias vezes a mãe falou à filha minuciosamente, demonstrando por A mais B (ratificando), que o Zé não é flor que se cheire.

A chave mnemônica
para não esquecer o significado de ratificar é associar com `ra ti (já te) que é o jeitão de falar dos nossos irmãos, geralmente provincianos, que não tiveram oportunidade e/ou interesse em aprender a se expressar adequadamente. Que tal você agora ratificar essas dicas mnemônicas explanadas no presente texto?

O gato comeu

Charge: jornal da Paraíba 09 09 2007

Airton Soares

O meu contexto, não deve ter sido muito diferente do seu, sobretudo, para quem nasceu no interior. Era assim: sentado no colo da nossa mãe, ela formulando perguntas enquanto ia nos fazendo cócegas na palma da mão. Cadê o bolo que tava aqui? O gato comeu; Cadê o fogo? A água apagou; Cadê a água: O boi do "Renan" bebeu...

A cada pergunta feita e respondida, o nosso corpo era maternalmente `acocegado´ até chegar às axilas, a parte mais sensível e naturalmente onde se provocava mais gargalhadas correndo o risco até de um engasgo.

Lembra, jovem leitor? Lembra nada! Não era nem nascido quando essa brincadeira infantil estava "em voga" Bah! O fato é que voltei ao passado ao perceber a estranheza do carrasco- da charge acima - olhando a guilhotina vazia..

Na simples palavra "Renan" tem muito de sentido implícito: Ai vai! cadê o "home" pra gente cortar a cabeça dele? Sumiu! O Senado o descaçoou! Todo esse discurso, creio, está inserido no "Renan". E como diria Tutty Vasques: "Ô raça!"

Agora veja como são as coisas. As coisas que digo é a nossa mente. De uma lembrança tão boa fui logo associar a um escândalo que nos faz berrar de raiva e de ódio. Mas, como diz nosso "Chico": O que dá pra rir dá pra chorar / Questão só de peso e medida / Problema de hora e lugar...

Só mais uma coisinha, leitor, juro que vou concluir a crônica. E se a minha interpretação da charge for diferente da sua? Tem mais jeito não. Já cortei o cordão umbilical da crônica. "Ines é guilhotinada!"

Eita, chuvinha gostosa

Cantando na chuva
Airton Soares

Enquanto chove chupo manga em mangas de camisa, sentado na varanda do meu monastério, no bonito e sossegado Centro de Fortaleza, sem me preocupar com os curiosos que passam, no outro lado da calçada, de pescoço erguido, olhando meu feliz e descontraído gesto.

Parecem que mangam de mim. Ora, eu é que mango deles. Quanta pressa! Sei, vão pro trabalho. Na verdade, mango de mim também ao lembrar do tempo em que, todos os dias, era sempre igual: acordar cedo / pegar ônibus lotado / bater ponto / Ah, só em pensar fico tonto.

Eita chuvinha gostosa.

Vale uma poesia. Se gostar ou se não gostar, diga alguma coisa leitor. Quem tá na chuva é pra se molhar. Quem se mete a escrever está sujeito a `tapas & beijos´. Chega de conversa.

Eita chuvinha gostosa!

Xô calor!

<><<><>><><><><><><><>

Hoje de manhãzinha, bem `cedin´

Choveu.
Xô calor que
chocalha a
paciência.

E a ciência?
chuvida de
idéias
provida de
panacéias.

Chover não faz?
Faz. Mas não dá
pro pasto
pro gasto

É. Ainda por cima
xingamos
na maior
na música
na rima:

"Por favor chuva ruim
não molhe mais o meu amor assim..."

Assim, malhando
São Pedro, o Manda - Chuva,
não manda chuva.

Eminente e Iminente


Airton Soares

Dúvida? Nunca mais!


EMINENTE

Valho-me das ESTRELAS e de um punhado de fantasia. Faz de conta que não existe lei da gravidade. Pegue agora mesmo a letra “E” de eminente e joque-a para o alto. Num abrir e fechar de olhos ela estará no sidério fazendo companhia às outras estrelas.

Por estarem em lugar de destaque, as estrelas são eminentes. Daí ser costume, entre nós, ver com superioridade a pessoa que nasceu com uma estrela na testa. Essa pessoa atingiu um grau de excelência acima dos seus pares. Mais uma associação: a palavra estrela começa com a letra "E".

IMINÊNCIA

Atentemos para o detalhe: As pessoas eminentes - em sua grande maioria - estão na iminência* [numa “peinha” de nada pra acontecer] de fazer alguma "bestêra", pois não é raro se embriagarem com o brilho e o poder com os quais foram agraciadas.

Poderíamos tecer mais comentários sobre os "eminentes", mas fugiríamos do nosso propósito. Fica para outro cabimento.

Tem pra mim que não precisa dizer mais nada não! Ou tem?
- - - - - - - - - - - - - - -
* Que ameaça acontecer breve.

Taxar e tachar


Airton Soares


Dúvida? Nunca mais!

.
TAXAR
Lembre-se de que nas aulas de matemática, aprendemos a encontrar o valor de “x”. Nunca o de “ch”. Encontramos o valor de ”x”... O valor dos impostos... O valor das taxas, etc e etc...

TACHAR
A situação é a seguinte: minha tarefa é pregar um prego na parede. A primeira coisa, antes da primeira martelada, é demarcar o lugar onde será afixado o prego.

Não se desapregue da imagem do prego, da tacha. Entremos em outra sala mnemônica. Todas as vezes que escrever tachar (com “ch”), lembre-se daquele dia em que, tomando uma cervejinha no barzinho da esquina, você simplesmente, na hora de pagar... “Pendura aí" Zé, semana que vem a gente se acerta. E... o tempo foi passando... passando e você não pagou a farra que fez. Então, por lá, você foi tachado de velhaco!

Outra maneira de associar a palavra TACHAR. = T. ACHAR = Te ACHO uma pessoa velhaca. Eu pus um defeito em você ou minha impressão é de que você tem esse defeito. É isso o que eu ACHO.

Portanto, tachar (com “ch”) é censurar; pôr tacha ou defeito em; manchar. Citemos apenas duas frases para sedimentar a aprendizagem: “Não me tachem de espírito vil” (Machado de Assis). “Muitas vezes as pessoas são tachadas de dinâmicas, mas não passam de agitadas.” (li por aí).

Pois pronto! Taxar (com x) é regular o preço de. E tachar (com ch) é avaliar procedimento, conduta.

Com essas técnicas mnemônicas, espero ter contribuído para sanar de vez sua dúvida sobre essas palavras homônimas homófonas.

Ah, sim, ia esquecendo: se você souber de mais dicas sobre o tema exposto, envie pra mim. Ficarei mais feliz do que mosquito em jaca “pôdi”

Fogo na roupa


Airton Soares

Não pense o leitor, que vou falar sobre o sensualismo da jovem que aparece na foto com essa arma no cós de sua calcinha.

Aliás, nem precisa dizer nada. A imagem por si só já acorda em nosso juízo tudo que há de paradisíaco e profano.

Podemos até dizer com muita segurança que essa menina do jeito que está armada é “fogo na roupa” Pois bem, se não pretendo falar sobre as minudências dos deleites carnais, então qual será a proposta da crônica?

Mais desafio do que proposta, será discorrer sobre a etimologia da palavra belicismo - título do post do fotoblog Escrúpulos Precários de onde trouxe para cá essa "belicosidade"- sem me deixar influenciar tanto pelo texto imagístico-sedutor. Mas, como dizia o escritor Henry James: “Nem tudo que se enfrenta, pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que se enfrente.” Vamos lá!

Belicismo é a doutrina que defende a guerra ou o armamentismo. Pessoa de espírito guerreiro, belicoso. Assim, “Bellum” em latim deu arma, guerra na língua portuguesa.

"AS", se bélico diz respeito à guerra, armamento, como explicar esta notícia que li no jornal na qual aparece a palavra debelar? “A Infraero informa que o princípio de incêndio no Terminal II do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, já está debelado, depois da atuação de unidades do Corpo de Bombeiros...”

Dúvida pertinente. Acontece o seguinte: no sentido denotativo, de +belar ( não à guerra; cessar a guerra) é vencer em luta armada: derrotar. No contexto acima, debelar aparece metaforicamente, ou seja, no sentido conotativo significando a extinção de algo considerado maléfico, no caso o incêndio.

No duro, no duro não deixou de ser uma guerra, pois os bombeiros se “armaram” para combater o “inimigo” fogo. Chega de guerra! "Desarmemos" mentalmente essa jovem - se é que você já não o fez - pois como diz mestre Drummond: é função tácita da roupa preparar o instante de nudez.

Furtar & Roubar


Airton Soares


Dúvida? Nunca mais!

.
ROUBAR
Ontem à noite, dois ladrões aroubaram a casa de um Senhor aposentado e levaram ...

Sobre a frase acima, vou explicar por explicar, mas o atento leitor já deve ter percebido que não foi falha de revisão, mas que apenas fiz uma simbiose com o substantivo `roubo´ e o verbo `arrombar´[aroubaram]. Fiz isso de caso pensado, para você não esquecer nunca, nunca que somente há roubo quando há violência, ameaça.

Também podemos fazer a seguinte comparação com a letra “R”: Quem Rouba está com Raiva (e quem está com raiva, está violento).

FURTAR
Ontem à noite, dois ladrões furtaram a casa de um Senhor aposentado e levaram...

Neste caso não houve arrombamento, violência. Acontece que o aposentado se esquecera de fechar a porta dos fundos da casa. Os ladrões aproveitaram a ocasião e de mansinho, sem violência, pé ante pé, para não acordar o ancião, furtaram lhe jóias, dinheiro, etc.

Espero com isso, ter resolvido mais um problema dos falsos sinônimos.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

É função tácita da roupa...


Airton Soares

"É FUNÇÃO TÁCITA DA ROUPA
preparar o instante de nudez"


Enquanto o leitor se entretém com o profundo e insinuante aforismo, do mestre Drummond, é tempo suficiente para que eu teça algumas linhas sobre a palavra tácita.

( três minutos depois...)

Na mitologia grega, tácita é a deusa do silêncio. Do latim tacitus = onde não há som, ruído, rumor.
Exemplos.:
:: Acordo tácito (sem alarde, discreto);
:: Os amores tácitos das estátuas de mármores ( não traduzidos por palavras). Lembrar a cena da novela Esperança.- clique. O personagem Toni e sua Maria (estátua);
:: Amanheceu taciturno (triste, calado)...e por aí vai...

Toda palavra tem o seu santuário íntimo. É lá que descobrimos as múltiplas possibilidades dos significados. É lá também, que podemos decifrar seu DNA semântico. O início da "viagem", via de regra, começa pelos dicionários.

Mas, "AS", consultar dicionários é um "saco". Aceito. Agora, lembre-se de que a vida não dá nada aos mortais sem grandes fadigas. Palavras do grande poeta latino Horácio.
E tem mais: se pensar aborrece; não pensar emburrece.

A roupa da missa


Airton Soares

NUM MOMENTO em que o Legislativo em geral
e o Senado em particular se vêem envoltos em graves
suspeitas, parlamentares não têm o direito de tergiversar.
Precisam apurar tudo o que remotamente
se pareça com uma infração ética.”

Na minha infância, e no começo da minha juventude, domingo era dia de ir à missa. E ia-se à missa todo nos trinques, usando-se a melhor e a única roupa - de tergal - que se tinha, com sapatos pretos muito bem nuguetados.* E tinha um detalhe: segunda-feira ou no decorrer da semana era de praxe repetir-se a mesma indumentária.

Por que a repetição? É bom dizer: não estava suja... Apenas enxovalhada. Uma sujeirinha de leve, invisível ao olho nu. Precisava-se dessa justificativa, pois a grana era curta. Curtíssima! “Mãe, qual é a roupa que eu vou pro médico?” “Menino, vai com a roupa da missa.” Era assim. Por isso, a primeira roupa de tergal cinza, a gente nunca esquece.

Lembro também de uma jocosidade. (década de 60): Todas as vezes que o rapaz ia beijar a namorada arrotava. Tentava novamente beijá-la: novo arroto. Enfim, nunca conseguia beijar a namorada. “Como é nome do rapaz?” O nome dele é tergal porque ele não ama... arrota. Este trocadilho fazia alusão ao famoso slogan da época : “Tergal é único tecido que não amarrota nem perde o vinco.”

Bom! já é tempo de escarafunchar a palavra – tergiversar - que é o foco dessa crônica. Tergiversar vem do latim tergiversare, significando virar as costas, usar de evasivas ou subterfúgios. E tergo, em latim quer dizer costas, dorso. Daí a expressão jogo de cintura que ora abunda no Senado brasileiro. O trecho acima é parte integrante do artigo "O risco é não apurar", publicado hoje na Folha de São Paulo. Chega, já tergiversei demais!
----------------------------
* De nuget = cera para engraxar sapatos.

Aconchego de alcova


Os Amantes - Bateau-Lavoir 1904 Oca

Airton Soares

Por mais que se tente, não se consegue definir o sentimento com fidelidade. Acredito que ele seja como a energia, que ao chegar ao consumidor final já deixou pelos fios do discurso boa quantidade de sua força semântica.

Melhor seria que esta energia nem saísse da fonte verbal, e ao olhar na fonte dos olhos, tacitamente, compreender que o sentido do sentir está lá, concentrado, em sua plenitude.

A energia-sentimento diz tudo sem meias palavras, mesmo que os pólos estejam juntinhos no aconchego de alcova fingindo que tudo está `libidinosamente´ límbico!

Quando se gosta gostando, qualquer suspeita de curto-circuito, o sistema aciona um dispositivo auto-regulador. O que está havendo? Estou sentindo você tão distante!

Só definir enclausura, limita. Tratemos, portanto, de redefinir o que em nós é intangível com os olhos do coração, se não dá "apagão". Rima pobre, mas rimou. E é verdade!

O BOM DA VIDA SÃO AS ILUSÕES DA VIDA







Por Airton Soares


Tia Aldenora pt. Prepare galinha caipira pt. Feijão de corda pt. Tô chegando trem da quinta-feira pt. Vá estação pt. Benção pt. Barbosão pt.” ( Da peça Iracema (texto e direção: Eurico Bivar). No momento ensaiada no SESC. Fala do personagem: prof. Adoniram Deodato (Airton Soares).


Fim de semana. Ambiência familiar. Sebastião, nosso primo, mostrava orgulhoso e em primeira mão, suas mais recentes xilografias. Entre diversos papagaios, peixes e cavalos, esta de pronto me agradara: a estação!

Quando a vi me veio voando distante lembrança; farras...viagens da Capital pro Interior. Férias! Festas! Fantasias! Mundo nosso. Só nosso! Vendo a gravura mais de perto, vi o viço do reboliço de gente...o pulsar de vida em cada chegada do trem.

- Oia o milho, Vai ata...vai ata; Olha a manga coité; Eu tenho a tapioquinha de coco. Iô creme! Beiju, beiju...olha o beiju!!

Homens... mulheres de faces encarquilhadas; meninos caneludos e remelentos como diria Moreira Campos, aproveitavam os poucos instantes da paradinha da `Maria Fumaça´, para garantir a sobrevivência do dia. Quanta saudade! De todas as idades. Saudades vindas; saudades idas!

Nada disso se pensava na época. A constatação do quadro de seca, miséria e de boas lembranças só veio muito depois dessa fase paradisíaca!


Mas... por bem ou por mal a gente cresce. Novas farras, festas e fantasias vão ocupando o vazio de outrora. Terá razão Honoré de Balzac, quando diz que o bom da vida são as ilusões da vida?

Meu micro pifou


Airton Soares

Uma oportunidade para exercitar minha caligrafia e por que não datilografar? Já desempacotei minha querida máquina de escrever. Bem simples. Pirrototinha. Antiga. Olivett. Marca lettera. Não confunda! Não é essa que está aí ilustrando o post. É muito mais bonita!

Estarei regredindo? Não, não estou. Negar a importância da tecnologia é absurdo. Atualmente, com as infindas facilidades que a internet nos proporciona, ainda assim, perdemos muito tempo. Tem horas que fico dividido: acessar a net ou atender um porrilhão de livros implorando por manuseio.

Em determinadas circunstâncias, escrever, escrever de verdade usando mão, caneta e papel tem sabor de feijão verde com nata, quiabo e maxixe.

Saiba de uma coisa, leitor. Nada do que você acaba de ler aconteceu, excetuando "o ficar dividido", mas bem que poderia ter acontecido, ora! E se... estarei em ponto de bala!

Coisas de Professor


Airton Soares

.
Li por aí
Namoro entre professor e aluna é lorota, o que vale é a nota.
Antes chorar num Mercedes, do que sorrir num ponto de ônibus.

Jô Soares disse
“O material escolar mais barato que existe na praça é o professor”. Sinto na pele. E olhe que a minha categoria é considerada chique. Foi, não, foi, somos chamados de consultor.

Um dia
Em roda de amigos, um chega pra gente e desveladamente desabafa:
- Gente, estou muito infeliz.
- Todos juntos, de uma só vez... Em uma só voz. Por que, fulano?
- Porque deixei de ensinar (nos colégios).

Esse nosso amigo
Largou a área educacional e montou um comércio. Dessa nova atividade já comprou casa, tem carro zero. Enfim, tem tudo que um classe média almeja, mas, segundo ele, é extremamente infeliz.

Dá pra entender?
Tem pra mim que dá!

Eufemismo: USE e ABUSE


Foto: Curso- Motivação e Excelência no Atendimento. CDL - Fortaleza - Julho 2007.

Airton Soares

.
Tenho o maior apreço pelas pessoas que possuem a arte de nos contestar sem que fiquemos de cara amarrada.

Elas nos dizem não, mas saímos com sensação de sim.
Tinha um chefe que era assim.

Não tive a pretensão de rimar. Mas ele era! Tinha tato. Sobretudo, na hora das reivindicações salariais.

Estas pessoas usam e abusam do eufemismo, figura de estilo que consiste em suavizar a expressão de uma idéia, substituindo o termo contundente por palavras menos desagradáveis ou mais polidas.

Em meus cursos e palestras, antes de falar sobre esse elemento da comunicação, costumo pedir à platéia, o sinônimo de rapariga. Timidamente os participantes vão dizendo: cunhã, puta, rameira, meretriz, catiroba.... e eu jogando lenha na fogueira. E... no final fecho dramatizando `eufemisticamente´ o seguinte texto:

Também podemos dizer, meus amigos, que a rapariga é aquela mulher que foi vencida pelo destino proibido e que caminha pelas ruas à procura de fregueses para um corpo cansado. Contei isso a uma colega na empresa... Após ouvir com muita atenção, salta da cadeira e quase gritando, num misto de êxtase e euforia: “Airton, que coisa linda, dá vontade de a gente ser” – Calma, minha colega, “menos”. Também não precisa exagerar!

Daí teço detalhes sobre a força e a energia emocional que as palavras têm, puxando a conversa para o viés venda/atendimento ou tema da palestra que me foi proposto. Nesta brincadeira séria todo mundo aprende e se diverte.

Meu espaço findou. Para fechar a crônica convidei o mestre dos cartoons, Jerry King* :

“Tato é a capacidade de dizer para alguém ir para o inferno e fazê-lo ficar entusiasmado com isso.”

CUmprimento e COmprimento

Foto: Airton Soares
.
Airton Soares


Dúvida? Nunca mais!

Levante agora mesmo os dois braços pro céu. Cumprimente e agradeça fervorosamente a Deus por tudo que ele tem feito por você. Não vá cair na `bestêra´ (não me leve a mal `falar´ assim, é só uma maneira cearense de dizer) de ficar pedindo... Pedindo.... Ele sabe muito bem do que você precisa. O Mestre já lhe deu as nozes. A responsabilidade em quebrá-las é sua.

Sim, `AS´, e aí? Eu quero saber é como vou distinguir cumprimento de comprimento, nessa história de mnemônica?

Me diga uma coisa, leitor: quando você levantou os braços para cumprimentar a Deus, a posição dos seus braços parecia mais com a letra “U” ou a letra “O”? Ah! Pronto, não precisa dizer mais nada.

Para sedimentar a aprendizagem vai aqui, apenas, uma frase do escritor brasileiro Artur Azevedo em Contos Possíveis: "Ela entrou cerimoniosamente, cumprimentou-o com um gesto de cabeça.” Ela saudou-o, cortejou-o, louvou-o cerimoniosamente.

E o comprimento? Não, meu amigo, assim é encompridar demais uma coisa tão simples. Quebre as nozes. Cumprimente seu dicionário. Arre!

Cada um deita na cama que fez


Airton Soares


AS YOU MAKE YOUR BED, SO YOU MUST LIE IN IT.

Conversemos um pouco sobre o provérbio acima. No jogo de xadrez, por exemplo, você tem a inteira liberdade de fazer qualquer jogada, mas tem de se responsabilizar pelas suas conseqüências.

Essa comparação, nos remete ao pensamento do escritor espírita Léon Denis ao afirmar que "O futuro é a conseqüência do passado e, de degrau em degrau, o ser se eleva e cresce."

Diz ainda Léon que o homem é artífice de seus próprios destinos. (...) "livre e responsável, escolhe seu caminho, e se essa rota é difícil, as quedas que terá, os calhaus e os espinhos que irão dilacerá-lo, terão como efeito desenvolver sua experiência e fortificar sua razão nascente."

Acontece que é muito dolorosa, de pronto, a aceitação de que somos os agentes de nossos atos. Daí responsabilizar os outros pelos nossos infortúnios é uma forma "inteligente" de pretexto e justificativa. Agindo assim, a dor parece cair de intensidade. Pode até cair, mas continua sendo justificativa e quem se justifica não cresce!

Crianças no cyber


Airton Soares

Não tem como a casinha da gente. Refiro-me ao nosso lar virtual.
.
Neste exato momento, acesso a internet de um cyber, no interior do Estado. Uma quentura de lascar o cano. - Esta gíria é muito antiga, mas já que veio deixe estar - monitor de 14 polegadas; velocidade tartarúdica; teclado desprogramado. Já mudei duas vezes de computador.

Se não bastasse, ao pé de mim, um quarteto de eufóricas crianças - aos gritos - comemorando suas conquistas em seus preferidos games. Não demorei muito a pensar: se tivesse nascido nessa época, meu comportamento não seria diferente. Ainda assim, a consciência desse fato, não abrandou minha inquietação diante os contundentes diálogos que se seguem:

"É claro, eu matei você. Você não quis me ouvir"...

"Onde você aprendeu a jogar assim"...

"Vai Dudu, mete porrada!"

"Ei, como é que se destrói esse prédio?"

"Dudu vou te ensinar."

"Olha como é."

"Tá vendo?"...

"Deixe eu te ensinar."

"Vai pra cima."

"Aqui dá murro."

"Aqui dá nada."

"Aqui se baixa."

"`M´não dá nada."

"`R´ pra cima..."


Depois de tudo isso, tornei a pensar: quer saber de uma coisa: Vou me irritar não. Vou não. Não vou mesmo. A minha saída é prestar atenção à conversa da meninada. Sabe lá se não dá uma crônica!

Dia pesado


Airton Soares

ontem, para mim...dia pesado
pesado não de peso, estafante,
mas dia ponderado
pus tudo na estante
cada qual no seu lado
e vi num instante
que tudo fluiu... arrumado
devo `aqui´, fiquei pensante...
ficar `mal acostumado!´
pois apenas sou breve passante
um passante encarnado...

Bala perdida & Vaia

Airton Soares

Ligue não excelência. Vaia e bala perdida no Rio de Janeiro, entra por um ouvido e sai pelo outro.”

A legenda da charge acima faz referência à vaia que o presidente levou quando da abertura do PAN 2007 e compara com bala perdida no Rio de Janeiro.

A expressão "bala perdida", a meu ver, apresenta um subentendido, já que nos leva tacitamente a deduzir que a bala entra literalmente por um ouvido e sai pelo outro, como também, tem coerência pensar que há descaso por parte das autoridades diante o quadro da violência nesse Estado.

Espero que ao término da leitura, o leitor faça algum comentário, senão vou ficar de orelha em pé pensando que o lido entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

Não me leve ao pé da letra. É que gosto de me escanchar no lombo das palavras e sentir as emoções dos solavancos semânticos.

Confesse sua ignorância


Pinóquio - Enrico Mazzanti - 1883


Airton Soares


ASK NO QUESTIONS AND BE TOLD NO LIES.
não faça perguntas e não lhe dirão mentiras.


Ontem lia, relia e treslia o provérbio acima e não conseguia comentá-lo. Sabe aquela palavra ou frase que você entende, mas não sabe explicar? Pois essa é uma das tais. Mas hoje, sem ver-nem-pra-quê, um estalo visitou meu juízo e tenho a impressão de que agora a explicação sai. Não sei se convincente, mas sai.

É impressionante como temos dificuldade em dizer “não sei”. Parece que cometemos alguma espécie de crime quando confessamos nossa ignorância. Quer ver um exemplo bem simples e que ocorre com muita freqüência?

Quando estamos procurando um endereço, ao abordamos uma pessoa, esta dificilmente diz desconhecer o que lhe foi perguntado. Sem nenhum escrúpulo aponta pra qualquer direção. Tenho por hábito perguntar, no mínino, a três passantes, pois já passei por cada uma!

A coisa complica quando o nosso papel profissional é relevante e exige de nós respostas prontas na ponta da língua. Agora, me veio à memória a passagem de um livro sobre gerência. O autor recomendava ao chefe, num evento festivo, não se aproximar de um grupo de subordinados porque correria o risco de alguém lhe fazer uma pergunta e este não saber respondê-la.

Terrível! O livro em tela, que não recordo título nem autor, foi escrito nos anos setenta. De lá pra cá, esse contexto mudou bastante, mas ainda percebemos às claras, profissionais inseguros, fugirem de aglomerações de subordinados, como o cão foge da cruz.

Para finalizar essa crônica, não encontrei pessoa mais oportuna do que o grande poeta e filósofo alemão, Goethe: "Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco. À medida que vamos adquirindo conhecimento instala-se a dúvida."

Idéia peituda


Airton Soares

A idéia do torcedor me transportou às lembranças de pré-brochote no interior quando,
"carrapichicamente", pedia ao meu pai um presente que estava muito além das suas possibilidades pecuniárias. Ele me deixava mais esperançoso ao dizer: “É só isso?! Qual é a cor do carro que você quer ganhar?” Ingenuamente respondia. Ainda bem que a gente cresce.

É só isso? Qual o tamanho e a cor do peito que você deseja ver caro desportista `amante´ do futebol? Olhe moço, esta prática estaria muito além das possibilidades morais vigentes. No entanto, é bom enfatizar: trata-se de uma idéia peituda e por demais instigadora.

Já pensou, a expressividade do público pagante em cada jogo! E... do jeito que anda esse mundão `$ifrônico´*, sabe-se lá!

Vou findar a conversa. Só quero dizer mais uma coisinha: um pouco de fantasia e jocosidade num final de um expediente estressante, se não fizer bem, mal é que não faz.
------------------------------------
* $ifrônico (palavra inventada)... de cifra.

Falando de música




Airton Soares




Falando de Música I

A preferida - Lendo hoje à tarde na varanda do meu `monastério´, de repente escuto uma melodia lá longe. Ela vem chegando de mansinho e, como ondas aromáticas, se infiltram docemente em meus ouvidos, coração, fígado e rins.

“Für Elise”, a minha preferida de todas entre todas, do mestre Beethoven. Dona Marinês, a vizinha que mora em frente, voltou a tocar piano.

Ah, Dona.... nem queira imaginar! “Für Elise” é uma bagatela e bagatela é coisa sem importância. Que nome mal empregado. Pois para mim é muito importante. Muito... Muito! Na minha estreiteza musical essa palavra não caberia aí. Bah, isso é de somenos importância.


Falando de Música II

A definição:
Forma de Comunicação não-verbal que surgiu antes mesmo do homem aprender a falar.

A frase:
"Quem não sabe dançar, culpa a irregularidade do piso". Podemos identificar nesta frase um pretexto {justificação}, mecanismo de defesa mais conhecido como racionalização. Freud explica melhor. Quem justifica demais não evolui. De todos os mecanismos de defesa apontados por Freud, esse é o que está mais presente em nossas atitudes e comportamentos. Lembram daquela historinha da raposa e as uvas?

A expressão mais conhecida:
Dançar conforme a música ou do jeito que tocar eu danço. Estas expressões indicam achar-se a pessoa disposta a enfrentar todos os obstáculos, que "topa toda parada".

Pai coruja... "E quem não é?!"

Foto: Julius Quintella
Airton Soares

"A beleza não só consiste em sinuosas curvas, ou mesmo depende de uma imaginação aguçada para ver o outro, mas sobretudo, de um espírito que sente e um coração que fala. E isso é que conhecemos
popularmente como beleza interior."
::
Julius Quintella.

Um dia cheguei pra ele e disse: Julius decida o que você quer da vida e seja persistente na sua escolha. Se precisar, ande até com um pedaço de carbureto no bolso, mas amadureça com rapidez, sem perder o doce sabor da juventude. Se não gosta de estudar, descubra qual a sua paixão. Seja lá o que for, siga o seu coração. E foi o que ele fez.

Àquela época tinha 16 anos. Começou a desmontar sucata de rádio, mexer em computador (hardware) e o diabo a quatro... Já trabalha na área; no próximo ano, concluirá a faculdade de informática. Gosta de escrever e leva jeito para filosofia. Ah, hoje ele está com 23 anos e cabeça de 28.

Flagrante e Fragrante. Dúvida, nunca mais!


Airton Soares

Pensei... Um arranjo mnemônico com a palavra flagrante é sopa no mel e quem vai me adjutorar é o cantor Genival Santos com sua música Eu lhe Peguei no Flaga. Preciso somente confirmar o nome da música em algum site especializado.

Surpresa: Não encontrei nada com a palavra flaga. Tive que apelar à minha amiga Luciana, especialista neste gênero musical.

Encasquetei, pois a primeira estrofe da música inicia-se apresentando uma irrefutável idéia de flagrante. "Eu lhe peguei no fraga" ... “Você beijando um cara.” Houve uma evidência. A pessoa foi surpreendida praticando, digamos assim, um flagrante delito, já que assumira um compromisso afetivo com o personagem-cantor.

A princípio vamos supor que Genival empregou a palavra fraga no sentindo denotativo que traduzindo ao pé da letra seria assim: Eu lhe peguei na rocha, numa pedra grande. Totalmente fora de cogitação.

Ainda poderíamos inferir que o compositor se utilizou de “fraga”, redução giriesca da palavra fragrante (fragrância, perfumado), mas também estaria em descompasso com o contexto.

Por fim, concluimos que a expressão giriesca mais adequada para a música seria “flaga” (redução de flagrante) e não “fraga” (redução de fragrante, fragrância).

Agora, temos que admitir que a pronúncia FR..AAGA, aos ouvidos do coração, soa muito mais contundente, enquanto que flaga nos leva a pensar que é coisa de somenos importância pegar a namorada beijando um cara. Mas... Isso são devaneios semânticos fonológicos do poeta que vos digita esta crônica.

É... Está mais do que na hora de cantarmos em alto e bom som, do jeitão que ela é, a clássica música brega brasileira, Eu lhe Peguei no Fraga, de Genival Santos. Som na caixa...

Eu lhe peguei no fraga
E não quero explicação
Você beijando um cara
Com que cara?
Vou lhe dar o meu perdão (...)
Não, não, não
Você não tem coração
Não, não (...)

Todo mundo fazendo a coreografia...
Olha as mãozinhas pra cima ... Pra lá e pra cá!

Exercitando a memória










Airton Soares




"Esta charge me faz lembrar... É um excelente exercício para a memória" Fale só no pensamento ou fale falando, mas fale.

É um excelente exercício para a memória, leitor. Garanto-lhe. .

.

Faço isso, incansavelmente, todos os dias. Diante uma palavra, uma frase, um texto quer seja verbal quer seja não - verbal, pergunto a mim mesmo: Isto me faz... Tenho obtido resultados incríveis.

Matei a cobra. Agora mostro o pau:

Nós, os brasileiros, temos espírito festeiro. Tudo termina em samba. A propósito da charge acima, me veio à memória uma trova que fiz quando a inflação brasileira estava bem pertinho das nuvens.

Ei-la:

De nada vale a inflação
é pagode o tempo inteiro
mulher, samba e seleção
eis o credo brasileiro.

A inflação baixou, e o credo continua. Não condeno esse "credo", mas sim o excesso da "reza".

Por falar em reza...

"Para Vaticano, protestantes não são igreja" Eita! Eu num sei não. Agora a coisa pega: Fundamentalistas! Uni-vos! `Documento da Santa Sé reafirma Igreja Católica como única verdadeira e revolta clérigos de outras religiões cristãs.´ Li agorinha na Folha de S. Paulo.

Ah, sim, ia esquecendo de citar a fonte da charge: Jornal da Paraíba :: 11/07/2007.
Ô memoria!
.




"Enquanto uns choram outros vendem lenços"


Airton Soares

“Enquanto uns choram outros vendem lenços.” Iniciar uma crônica citando uma frase, um provérbio ou alguma coisa do gênero, não é muito bem recomendável, segundo os olheiros profissionais da área. Temos de fazer as citações, de preferência, a partir do segundo parágrafo em diante. Recomendam-nos.

Não me importo. Gosto de seguir as estradas proibidas. Mas... `Qual é a minha?´ É pura e simplesmente, nesta quase crônica, cotejar duas épocas; duas Artes; dois Artistas. Um mestre da representação pictórica; outro da expressão verbal.

- Tenha a bondade Machado de Assis. O que você diria sobre a tragédia do Vôo TAM 3054? Gostaria que a sua análise tivesse foco na frase acima e na charge do nosso Sinfrônio.

- Diria o seguinte: Duas famílias. Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu jovem poeta; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.

Escrever não é tão difícil quando se está ladeado por duas feras passadas na casca do alho.

Ah, sim, leitor preciso dizer: O texto machadiano é parte integrante do livro Quincas Borba e adaptado por esse bloqueiro que acaba de vos digitar.

Que Deus nos proteja!

comentário sobre a crônica da COURAMA

Recebi & Agradeço

"Caro amigo Airton,

Quem me dera ter a sensibilidade natural dos verdadeiros poetas para retratar a natureza, como você fez ao contemplar o conteúdo dos jarros do seu mosteiro. Sua mãe está certa quando diz que a courama serve pra tudo, inclusive para inspirar os poetas.

Quanto à dimensão da crônica está de bom tamanho sim, não pelo espaço ocupado na rede de comunicação e disseminação do pensamento humano, mas pelo que de valioso está contido nele: suas idéias e estímulos poéticos.

Sou-lhe grato por compartilhar comigo sua criação literária.

Um abraço do amigo
João Gomes da Silva `Vianei´"



Fico me segurando...


Airton Soares

Fico me segurando, mas não consigo só agradecer simplesmente.

Não posso mentir.

É que uma pontinha de vaidade (e sei lá se não é uma `pontona´) que é muito mais forte do que a razão, vai surgindo de mansinho como quem não quer nada... De repente, a seu bel-prazer e artimanhosamente (se esta palavra não existia, passa a existir agora), vai fazendo uma coceirinha gostosa no juízo da gente. É igual aquela coceirinha no ouvido quando tá sendo `cotonetizado´?

Tem nem comparação!

Já que não consigo mesmo dissimular esse comportamento que consta na lista dos sete pecados capitais, passo a palavra ao "Boca Linda", meu primeiro personagem: "Amigo Vianei, pode ficar tranqüilo que eu terei o máximo cuidado para que o calor desse aplauso não incinere a minha simplicidade." Muito obrigado.

Serve pra tudo.Cura até trombose






Airton Soares


Acabo de descobrir uma nova profissão. A de fotógrafo ambiental. Detalhista e caprichoso é bom que se diga!

Pois você me acredita, que passei mais de quinze minutos me ajeitando(eu e câmara) e ajeitando as plantinhas.

Primeiro despenquei meia dúzia de moribundas folhas; em seguida posicionei melhor os jarros. Estavam sombreados. Poderia ter acionado o flash, mas não tem como a luz natural. Disse-me outro dia um amigo que trabalha no ramo.

Liquei o som. Os cientistas dizem que elas adoram música. Não é qualquer som de zabumba. São exigentes e sensíveis. Nasceram com os ouvidos talhados para a boa música.

E por fim, uma chuveirada. O leitor não precisa grelar os olhos para perceber que acabam de sair do banho. E... na hora do clic final, por força do hábito, ia dizendo: Atenção, todo "mundo" pronunciando "x". Nesse ínterim passava um transeunte. Me contive. Bateu a vergonha, mas bati as fotos.

Ah, sim, ia esquecendo: as celebridades fotografadas residem na varanda do meu monastério, no centro da cidade e atendem pelo nome de courama. São duas especimens (será que pluralizei correto?). Não sei dizer o nome científico e tampouco estou com disposição para pesquisar na net. Só sei dizer o que a minha mãe diz. "Meu filho, plante courama que é um santo remédio.... Serve pra tudo. Cura até trombose."

Para quem estava sem assunto, essa crônica tá de bom tamanho, mas quem vai falar sobre o "tamanho" da crônica é você, leitor, no espaço abaixo reservado aos comentários.

"Me acostumei com você"


Airton Soares

- Oi, "Me", tudo bem?
- Tudo.
- Demorou. Não posso negar, mas..
- Mas o quê?
- "Me acostumei com você"... assim.
- Assim?!
- Assim, fora da norma culta. Todo chique iniciando frases e mais frases. É, a língua está menos tensa. Era tão clássica. Você vai acabar virando Cult.

- Tem nem perigo! Mas preciso dizer: poderia, se quisesse. Veja bem: nesse momento estou vomitando o tédio do sucesso; faz um tempão que sou slogan dos `Mercadinhos São Luiz´. E agora, na área palaciana. Me dou nota dez! Mas uma coisa que eu num faço `ìmpêin´: entrar pra norma culta. Quero ser livre. Está lá e cá, entre o povão e o poder.
---------------------
Foto/Arte: Airton Soares
DEBATE:: "Último entrevistado da série `Debates Especiais Grandes Nomes´, o governador Cid Gomes (PSB) deu nota três para o seu desempenho à frente do Executivo numa escala de zero a dez."(...) Capa /manchete -
Jornal O Povo, quinta, 12/07/2007.

Engolindo Sapo e a GRAMÁTICA


Airton Soares

.
.
”Os respingos da tua ignorância não passam pelo meu guarda-chuva de sabedoria.`”

A frase de pára-choque de caminhão, acima, me fez lembrar um desabafo que eu escrevera há bastante tempo.

No final do expediente, num certo dia, numa certa empresa, o chefe chegara e soltara (*) os cachorros em cima de mim, na frente de todos meus colegas.

Engoli o sapo!

Meu consolo: Em casa, pego meu diário e escrevo em letras graúdas e de cor vermelha.

Ligue pra isso não, cara! Quanto mais atenção a gente dá a um fato, mais ele cresce de importância. Além do que, trata-se de um sujeito `brucutúlico´, com atitudes e comportamentos estritamente tribais. Perca sua noite de sono, não! E, cá pra nós, mesmo após a digestão do sapo, é desperdício manchar de instrução uma estupidez tão autenticamente pura. Fique na sua!

Fechei o diário e dormi numa boa, a noite toda!

Inventei essa história há pouco, mas bem que poderia ter sido verdade. E, sabe-se lá, se não foi ou é a sua verdade, leitor? Barris Steven, em seu livro Não apresse o rio, ele corre sozinho, tem uma passagem assim: Fantasia, diz o homem que lê fatos ao homem que lê ficção, desconhecendo que os fatos são fantasias e, mesmo que não o fossem na hora em que são escritos, passam a ser na hora em que são lidos´. É por essas e outras que me amarro em literatura!
----------------------
(*)" o chefe chegou e soltou..." é muito mais musical, gostoso de pronunciar. Escrevi assim, mas meu revisor, que entende do assunto, alterou para "o chefe chegara e soltara". Horrível! Perdeu o requebrado da frase. O que eu queria mesmo era provocar chiado na frase. Só isso, mas a gramática não permitiu. Vote!

Chego a sentir vergonha

29

A vida anda tão trisonha...
pobreza...fome...agonia...
que eu chego a sentir vergonha
de, às vezes, ter alegria!

Amália Max

Teus olhos me dizem cousas

28

Teus olhos me dizem cousas,
de amor e de bem querer,
com palavras que não ousas
nem em sonhos me dizer!

Alzira Siqueira Alves

Esqueceste a saudade

27

Profetizaste, é verdade,
que o nosso amor findaria
mas esqueceste a saudade
nessa amarga profecia.

Alonso Rocha

Recebi & Agradeço - de Cláudia Blaia

Boa tarde
professora Cláudia Blaia


---- após dois meses (exatamente!)


.

sua prosa-poesia...
...demora no agradecer
timidez em demasia
é verdade, pode crer!
.
.
mil Blaias nessas lidas
você, Cláudia, merece ter
pois há muitos "chapéus" nas vidas
esperando seu vir-a-ser
e que os pincéis de midas
lavre e "aba"- alas para você.

eternamente grato
"prof. "AS"
25/09/07
15h30min.
---------------



Ao professor AS
Cláudia Blaia




Tens a alma de criança,

O coração de mãe,

E a cabeça de educador.

És o professor do AbSurdo,

Do AbSorto

E do AbSorvente, pois não deixas nada vazar pelas lAteraiS.

CuidAS para que o fluxo das palavrAS

O encanto das prosAS

E a ternura dos versos não se percam na escuridão do desconhecido.

BrincAS como quem não sabe o que dizer,

declamAS para marcar em nós um pouco do teu saber,

mostrAS as portAS e pedes que abrAmoS.

BincAS, falando sério!

Pois, que brinques!

FaçAS de novo, e novamente, e outra vez, até que estejAmoS prontos

para compreender-te.

Difícil é imaginar-me em teu lugar, com a cara pintada, a roupa

marcada e a palavra na ponta da língua.

Pois, que fales!

Quero ouvir-te

Cláudia Blaia
25/07/07
22h45min.

Viciado em Jornais


Airton Soares

"O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.
Vem da sala de linotipos a doce música mecânica."
Poema do Jornal - Drummond.

------------------------------
E... quando o sujeito é viciado em jornais, não pára por aí essa doce música mecânica que vem da sala de linotipos.

Sou muito afeito às leituras virtuais, mas os meus ouvidos não dispensam, de manhãzinha bem cedo o som-chegada, em forma de baque, do meu jornal `DePapel´ cheirando à tinta fresca.

O arista de rua e o poeta



Airton Soares

De mim, o artista de rua
um cachê recebeu
a Ortobom achou foi bom
no meu blog apareceu
e, em alto e bom som,
a Deus agradeci o dom
que de graça me concedeu.

Palavra puxa palavra


Airton Soares

Acordei pensando
num trecho da poesia do poeta Araújo Porto Alegre quando fala de Cobiça.

.
.
“Quando o demônio da cobiça agarra
o humano coração, só morto o deixa.”

Araújo Porto Alegre -1806 -1879
O primeiro artista a publicar uma caricatura no Brasil.
Foi um escritor do romantismo, pintor, caricaturista, arquiteto,
crítico e historiador de arte, professor e diplomata brasileiro.

Quando se fala em cobiça
Escuta-se a voz de Fagundes Varela em Velha canção:

Prosperidade na terra
É sonho que pouco dura:
Tudo definha e fenece
Na lousa da sepultura.

Sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar que mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar que mora longe, sonho meu
Vai mostrar esta saudade, sonho meu
Com a sua liberdade, sonho meu.

Essa música é a cara
do meu amigo escritor e trovador Fernando Câncio,
Da UBT – União Brasileira de Trovadores - Secção –Ce,

É dele essa linda trova:

A ilusão da meninice
Com os meus netos se refez,
Agora em plena velhice
Eu sou criança outra vez

Uma frase, também, do Câncio
que eu repito "adoidado" (não precisa dizer que é
num bom sentido!
"Que adiantam meus cabelos brancos se a minha
alma faz pipi na cama."

Cubando o movimento


Airton Soares

O padroeiro da minha terra natal É São Sebastião, comemorado a 20 de janeiro. Todos os anos, nós ipuenses, comemoramos e festejamos este evento religioso, naturalmente regado à missa, novena, festas e outros atrativos do gênero.

No sereno da festa
No ano em que meu pai, por alguma razão, não podia se fazer presente à grande festa no Clube Recreativo Grêmio, dizia assim: “Este ano só vou ficar no sereno da festa cubando o movimento.”

Tinha lá meus nove anos
O tempo foi passando e cubando o movimento não saiu de minha mente. Na época, ainda pequeno, ouvira muitas vezes esta expressão e era da minha inteira compreensão, muito embora não soubesse explicar. Tinha lá meus nove anos.

Acontece que
Na faculdade me apaixonei pela etimologia e passei a me questionar: Por que cubar é observar em seus mínimos detalhes?

Eureca!
E... Comecei a escarafunchar nos dicionários qual a razão de se dizer cubar... Ora, cubar vem de cubo e na geometria é um poliedro com seis faces quadradas. Daí quando se está cubando o movimento se observa o que está em cima, embaixo, do lado direito, do lado esquerdo, de tudo que é canto. Não deixa passar nada! É uma observação de fazer inveja aos "grampos" utilizados pela Polícia Federal, de tão profunda que é!

Neologismo
Marcus Gadelha, no Dicionário de Cearês diz que cubar é observar um lugar com a intenção de roubar. Nesse mesmo sentido, o professor Tomé Cabral no seu Dicionário de Termos e Expressões Populares, averba: cubar é medir o adversário, calculando a possibilidade de êxito, em caso de agressão. Diz ainda o renomado professor que cubar é um neologismo proveniente do Sul, já bastante difundido no Nordeste, no meio dos malandros e desordeiros.

O meu contexto
Não precisa muito esforço para o leitor perceber que o contexto da minha vivência com relação a cubar está literalmente inserido no contexto curiosidade.

E pra terminar...
Costumo dizer em meus cursos e palestras: CURIOSnão temIDADE e
“Um remédio para o tédio é a curiosidade e não existe remédio para a curiosidade.” Assim, curiando, aprendi a esquartejar as palavras; penetrar em suas vísceras para extrair o néctar semântico e `genomar´ seus infindos significados que dormem, como diz o poeta Valdemir Mourão, como criancinhas risonhas a contemplarem os anjos sem notarem o perigo que se aproxima.

Café com adrenalina


Airton Soares

Som tonitruante! Vidro traseiro do carro ostentava, em letras sólidas e agressivas, a palavra FUZILEIROS. O meu inconsciente, incontinenti, rastreia o responsável. Nada diria, uma vez encontrando-o. Só queria saber e ver a `figura´. Só isso!

Mentira! Queria mesmo era desmoralizar, esfregar na cara da `figura´ a minha razão... A minha inteira razão.

Tchan, tchan, tchan... Eis o réu à sua frente. Dedura minha amídala cerebral.

Um cara mondrongudo - se fosse mulher o adjetivo seria atlética - palitava os dentes. Com a outra mão tamborilava feliz a música “estileira” que se esparramava no restaurante onde sossegadamente, todos os dias, tomo meu café da manhã.

Minha raiva dispara pensamentos estritamente tribais. Já pressentia resquícios de ódio se posicionando para o ataque.
Som alto me tira do sério!

Trabalha na área de segurança de patrimônio do exército brasileiro, com certeza! E tem mais: onde já se viu uma coisa dessas.?.. E a disciplina?... Um militar! Que falta de... Fervilhavam meus pensamentos. Num átimo de tempo meu cérebro resgatara toda a atmosfera turbulenta dos “tempos de chumbo”. MORTES... TORTURAS... CUNHADA PRESA EM RECIFE... E o diabo a quatro.

Subitamente levanta-se o tatuado brother. Abre a porta do Fuzileiros e troca de CD. Enquanto o jovem voltava, não me contive. Perguntei meio entalado e pusilânime...

- Fuzileiro é uma banda? Educadamente respondeu:

- Não, Senhor, Fuzileiros é o nome de um ’estúdio’ de galo de briga. Trabalho nessa empresa.

- Ah! Obrigado... Respondi com semblante de ‘mané’. Pra sincero não falei o ‘obrigado’ nem o ‘ah. ’ Comuniquei apenas com gestos [O polegar pra cima e meneando a cabeça].

Não podia acreditar: há muito tempo estudando comunicação, conhecedor do estrago social que pode causar uma inferência, um subentendido e cometer bestamente este obstáculo à comunicação humana. É de lascar!

Depois de tudo isso, nem percebi mais a tonitruância do som. Paguei a conta e saí ruminando a sábia citação socrática:

“Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa – não é fácil”.

Quando cheguei a casa, imediatamente convoquei uma reunião com o meu ID e a cambada de EGO para uma conversa de pé de orelha.

A adrenalina, que apostava corrida nas veias, neste ínterim, começava a se recolher - já não era sem tempo - depois do curto, mas extremamente corrosivo diálogo negativo por mim vivenciado.

Lição aprendida. Mais um `causo´ para eu contar em meus cursos e palestras.