quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A Arte de recomeçar

Por João Pereira Coutinho
Jornal Folha de S. Paulo. 24/10/2007

Nobreza humana não está na coragem com que recebemos o infortúnio, mas na nossa capacidade de prosseguir.

OS PESADELOS acontecem. Uns tempos atrás, um conhecido escritor português contava-me que, chegando ao aeroporto de Caracas, o seu laptop foi roubado sem deixar rastro. Mas o pior não foi o laptop. Nunca é. O pior foi o conteúdo do laptop: um romance original, ou uma parte generosa dele, que só existia no computador. Nenhuma cópia de segurança em casa.

Nenhum manuscrito. Nada de nada capaz de compensar a perda absoluta. Meses de trabalho, anos de trabalho, perdidos em segundos.


Thomas Carlyle

Foto:Wikipédia

Ouvi o infortúnio com certo horror e fascínio. E depois recordei a mais bela história intelectual da Inglaterra do século 19, que sinceramente me comove até às lágrimas. Aconteceu com Thomas Carlyle, o notável historiador escocês, tal como ele a relata nas suas memórias. Durante anos de intenso labor e habitando uma pobreza excessiva, Carlyle completara o primeiro volume da sua história da Revolução Francesa. Contara com a ajuda do filósofo John Stuart Mill, que emprestara livros e dinheiro. E quando Stuart Mill, no final da odisséia, pediu de empréstimo o único manuscrito do trabalho para ler, aquele manuscrito que consumira a saúde e a juventude de Carlyle, este o emprestou, grato e honrado.

Foi uma hora funesta. No dia seguinte, Mill regressava, branco como um fantasma, para comunicar que o manuscrito fora acidentalmente consumido pelas chamas.

A descrição que Carlyle nos deixou nas "Reminiscences" ainda hoje emociona qualquer cristão: o estoicismo com que a notícia é recebida, apesar da mortificação interior; as três horas de conversa esforçadamente banal, como se fosse Mill a necessitar de consolo; e quando este deixou finalmente a casa do historiador, para infinito alívio do casal, a mulher de Carlyle, incapaz de fingir normalidade, abraçando um homem destroçado e chorando com o dramatismo que apenas concedemos às óperas clássicas. E as palavras de Carlyle, finalizando a cena, dirigidas a um Deus em que ele, para tragédia sua, não acreditava.

Mas a história não acaba aqui. A história acaba na minha estante, quando folheio, com uma reverência absoluta, a sua história da Revolução Francesa. Porque, depois da notícia das chamas, Carlyle sentou-se à mesa e recomeçou a partir das cinzas. Cada palavra, cada linha. Cada página.

Hoje, quando releio esse monumento de erudição, paixão e estilo, não encontro apenas um dos mais poderosos relatos sobre a glória e a miséria de 1789: as aspirações igualitárias e libertadoras da Bastilha que terminaram, como usualmente terminam, no terror das guilhotinas.

Encontro a evidência de que a nobreza do espírito humano não está na coragem com que recebemos o infortúnio. Mas na forma como o recebemos e, apesar de tudo, somos capazes de continuar. Mesmo quando o mundo nos parece perdido.

Livros de auto-ajuda? Sim, leitores; afinal, eles existem. Nas minhas piores horas, olho para esse volume aparentemente anônimo entre tantos volumes anônimos e há uma gratidão silenciosa e interior que me faz, tantas vezes, recomeçar.

sábado, 20 de outubro de 2007

Monólogo - Dom Casmurro

Airton Soares

HOJE TIREI O DIA
para ensaiar um monólogo sobre Machado de Assis. Ainda não tem título. Seis meses de ensaio, presumo.

O FOCO SERÁ O ÚLTIMO
livro de sua trilogia: Dom Casmurro. Tenciono apresentá-lo em setembro. Por que somente em setembro? Em setembro, comemora-se o centenário de sua morte. Mas sabe de uma coisa, nada impede que seja apresentado no mês de abril, ou antes. Estando pronto...

SOU SUSPEITO,
mas a meu ver tá ficando bem `legalzin´. Tudo que é feito com paixão dificilmente sai errado. E, se sai, sai um errado certo.

“UMA NOITE DESTAS,
vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central” (...) quem está ao pé de mim (machado repete muito esta expressão e esta: “em favor do cabimento”) não agüenta mais as falas e os meus trejeitos.

INTERESSANTE É QUE,
sem perceber, vou me envolvendo... envolvendo... e, quando dar-se fé, é como se eu estivesse vendo Capitu, com seus olhos de ressaca, matando Bentinho pela dúvida do ciúme... "Oh, vida! Oh, dor!"

MUITO TRABALHOSO!
Muito mais prazeroso! Rimou e é verdade. "Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo..."

retomada


volto a escrever pelo pedido que você me fez
pedido calado, velado, inaudível
retomo a tocar a caneta tinteiro no papel
a mesma que prometi não mais carregar
só para poder sentir a felicidade em seu íntimo

não quero que ache que não sou confiável
é, eu costumo quebrar as promessas que faço a mim mesmo
e essa, mesmo que fosse classificada de inquebrável
não resistiu a força do recado que sua alma enviou à minha
e por teima ou teimosia, nunca te privarei de ter alegria

e concordo que não haveria tempo melhor
já que nesse momento volto a ter paz na vida
depois de muitos dias de batalhas duras e incessantes
hoje sinto você mais perto e vejo que tudo valeu a pena
e a cativo para que não fuja, na espera que o amor surja

wanderson uchoa



"a amizade é um amor que nunca morre" mário quintana

Frase

A vida é a infância da imortalidade"
Goethe



Marcel Marceau e a "Arte do Silêncio"


Marcel Mangel, mais conhecido como Marcel Marceau ou Mime Marceau, (Estrasburgo, 22 de março de 1923 — Cahors, 22 de setembro de 2007) foi um dos mais populares mímicos de todo o mundo. Foi o responsável em reviver esta arte no período pós-guerra.
Saiba + ( clicar )

domingo, 14 de outubro de 2007

Marcel Proust

Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (Auteuil, 10 de Julho de 1871 — Paris, 18 de Novembro de 1922) foi um escritor francês.

Filho de Adrien Proust, um célebre professor de medicina, e Jeanne Weil, alsaciana de origem judaica, Marcel Proust nasceu numa família rica que lhe assegurou uma vida tranqüila e lhe permitiu freqüentar os salões da alta sociedade da época.

Após estudos no liceu Condorcet, prestou serviço militar em 1889. Devolvido à vida civil, assistiu na École libre des sciences politiques os cursos de Albert Sorel e Anatole Leroy-Beaulieu; e na Sorbonne os de Henri Bergson cuja influência sobre a sua obra será essencial.

Em 1900, efectua uma viagem à Veneza e se dedica as questões de estética. Publica várias traduções do crítico de arte inglesa John Ruskin (1904). Paralelamente a artigos que relatam a vida mundana publicados nos grandes jornais (entre os quais Le Figaro), escreve "Jean Santeuil", uma grande novela deixada incompleta e que continuará a ser inédito, e publica "Os Prazeres e os Dias" (Les Plaisirs et les Jours), uma reunião de contos e poemas.

Após a morte dos seus pais, a sua saúde já frágil deteriora-se mais. Ele vive recluso e esgota-se no trabalho. A sua obra principal, "Em busca do tempo perdido" (À la recherche du temps perdu), é publicada entre 1913 e 1927, o primeiro volume editado à custa do autor na pequena editora Grasset ainda que muito rapidamente as edições Gallimard recuem na sua recusa e aceitem o segundo volume "À Sombra das Raparigas em Flor" pela qual recebe em 1919 o prêmio Goncourt.

A homossexualidade é latente na sua obra principalmente em "Sodoma e Gomorra" e nos volumes subseqüentes. Trabalha sem repouso à escrita dos seis livros seguintes de "Em Busca do Tempo Perdido", até 1922. Morre esgotado, atingido por uma bronquite mal cuidada.
.
Fonte: Wikipédia

sábado, 13 de outubro de 2007

Mnemônica








memorização dos meses do ano pelos punhos.
Os meses com 31 dias são representados pelas elevações, e vice-versa.


Uma mnemônica é um auxiliar de memória. São frases utilizadas para memorizar listas ou fórmulas, e baseiam-se em formas simples de memorizar maiores construcções, baseados no princípio de que a mente humana tem mais facilidade de memorizar dados quando estes são associados a informação pessoal, espacial ou de caráter relativamente importante, do que dados organizados de forma não sugestiva (para o indivíduo) ou sem significado aparente.


Astronomia
*"Minha velha, traga meu jantar: sopa, uva e nozes."
"Minha velha, traga meu jornal semanal (com as) últimas notícias"
- Planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

Biologia
"Led Zeppelin Duplamente Doido."
- Fases da meiose: Leptóteno, Zigóteno, Paquíteno, Diplóteno, Diacinese.

"Prometa a Ana telefonar."
- Fases da divisão celular: Prófase, metáfase, anáfase e telófase

"Agnaldo Timóteo e Gal Costa"
"Acontece com Gê (A com T, C com G)
- "Bases azotadas: adenina, timina, guanina, citosina"

"Água púrica."
- Bases púricas: adenina e guanina.
"Ana Tinha Calça Grande"
- Bases do DNA: Adenina - Timina, Guanina - Citosina
"Rita Foi Comer Ontem Faltou Galinha no Espeto"
"Rita Filha de Cássia Obteve Fecundas Graças Espirituais"
"O Rei Filósofo Classificou de Ordinária a Família do General Espanhol"
- Divisão dos Seres Vivos: Reino - Filo - Classe - Ordem - Família - Gênero - Espécie

Física
"Sorvete"
"Suzana Sortuda Você é Tesuda"
- Fórmula S=So+vt (Função horária do espaço do M.R.U.)

"Vovô alfaiate"
"Vampiro Voador Ataca"
"Vi o Vovô mais A Titia"
"Vi vó atrás do toco"
"Vovô ateu"
- Fórmula V=Vo+at (Função horária da velocidade do M.R.U.V.)

"Vovô Quadrado e Vovó Quadrado deram Duas Atrás do Sofá"

- Fórmula V²=Vo²+2aS (Função horária da velocidade do M.R.U.V.)
"Uma fimose é igual a um pênis mais uma pelinha"
- Fórmula 1 / f = (1 / p) + (1 / p') (óptica)

"Deus vê tudo"
- d=vt (Distancia = Velocidade vezes Tempo)
"Sorvete mais meia torta quadrada"
- S=So+Vot+1/2t²a

"Soninha, só você tem aquilo tudo ao quadrado para dividir por nós dois."
- S=So+Vot+at²/2
"Vem lamber ferida!"
- V=λf (Velocidade de uma onda)

Geometria
"Vamos fazer amor a dois."
- Fórmula V + F = A + 2 (Vértices mais Faces igual Arestas mais dois)

Matemática
"Um Dia Vi Um Velho Vestido De Uniforme"
"Um Dia Vi Uma Vaca, sem rabo, Vestida De Uniforme"
- Fórmula do método de integração por partes:
"Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá
Seno A Cosseno B, Seno B Cosseno A"
-"Fórmula para calcular Seno da soma de dois ângulos: sen(a+b)=sen a.cos b + sen b.cos a (no ritmo do poema Canção do Exílio)
"Senta no A, coça no B; senta no B, coça no A"
-"Fórmula para calcular Seno da soma de dois ângulos: sen(a+b)=sen a.cos b + sen b.cos a
"Tem gente que ama, tem gente que beija... Huummm, mais tem gente que ama e beija"
-"Fórmula para calcular Tangente da diferença de dois ângulos: tg (a-b) = (tg a - tg b)/(1 + tg a.tg b)
Soh-cah-toa
-Fórmular para decorar as relações de seno, cosseno e tangente. (Seno = Cateto Oposto / Hipotenusa; Cosseno = Cateto Adjacente / Hipotenusa; Tangente = Cateto Oposto / Cateto Adjacente)

Química
"Hoje li na caras roubaram Cesar Franco"
"Hoje li na Cama Robinson Crusoé Francês"
"Hoje Lina quer roubar cesta de frutas"
- Família 1A da Tabela Periódica: H, Li, Na, K, Rb, Cs, Fr

"Bela Magrela Casou com Senhor Barão Rabugento*"
"Bela Magrela Casou com Senhor Barata Raquítica*"
"Bebi Leite de Magnésia, Caguei Seriamente, o Banheiro Rachou*"
"Beijei Margarida na Casa do Senhor Barão Raposo*"
"Bela Magrela Casou com Senhor Barata*"
- Família 2A: Be Mg Ca Sr Ba Ra

"Bom Almirante Ganhou Inúmeros Títulos"
"Bem, Algum Gato Invadiu o Telhado"
"Bom Aluno GArante INteligência e TaLento"
"Bozo, alegria da garotada e inimigos dos trapalhões"
"Baleias alagadas gastam inúmeras toalhas"
- Família 3A: B Al Ga In Tl
"Comi Siri Gelado Sem Problemas"
"Comi Siri Gelado no Sanitário Público"
"Com silêncio geral sanamos problemas"
- Família 4A: C Si Ge Sn Pb

"Nunca Pude Assistir Suruba de Bicha"
"Nunca Pude Assistir Sabrina Bisteca"
"Não Pude Assistir Sábado Biologia"
"Não posso assimilar substâncias biológicas"
"Não Posso Assinar Sobre a Bíblia"
- Família 5A: N P As Sb Bi
"Os sete Polacos"
"OS Sete Porquinhos"
"Os Seus Seios Tem Pontinhos"
- Família 6A: O S Se Te Po

"Fracos Calouros Burros Idiotas Atrasados"
"Folclore Brasileiro Irmão do Ateneu"
"Fica Claro que a Brahma Imita a Antártica"
"Flamengo Clube Brasileiro Incompetente no Ataque"
"Fui claro, breve I atencioso"
- Família: 7A: F Cl Br I At

"Hélio Negou Ardentemente Cravar a Xe... da Renilda"
"Helio Negão Arregaçou Kruelmente a Xereca da Renata"
"Hélio Negou Arma a Kruger, Xerife dos Renegados"
"Hélio, Nélio e Arnaldo Kréu na Xereca da Rainha"
"Hércules Nenhum Arranca Kriptonita de Xerife Ruim"
- Família 8A ou 0 (Gases Nobres): H Ne Ar Kr Xe Rn
"HINO Brasileiro Forte e Claro"
- Elementos diatômicos H, I, N, O, Br, F, Cl
"Passaram a Vara no Rabo do (qualquer nome com a letra T)"
"Puta Velha Não Rejeita Tarado"
"Para o Vestibular, Nunca Ralei Tanto"
- Equação de Clapeyron: PV=nRT

"'Sopa de Feijão"
- S, P, D, F (subníveis da camada de elétrons)

"'Mel É Para os Bons'"
-Prefixos dos Hidrocarbonetos: Metil, Etil, Propil, Butil
"mosquITO teimOSO, te mATO, te pICO, te mETO no vIDRICO"
"IDRICO não me mETO com o teimOSO mosquITO no bICO do pATO"
"bICO de pATO, formOSO periquITO, com ácido clorÍDRICO não me mETO"
"gostOSO e bonITO, eu fICO no ATO"
- Nomenclatura dos Sais: Ídrico ---> Eto, Oso ---> Ito, Ico ---> Ato

"Caramba! 1000 Delinquentes Tarados Molestaram a Minha Mãe!
- C = 1000 . d . T = M . MM (Relações entre as Concentrações - Só são usados os membros necessários à resolução do problema)

Origem: Wikiquote, a coletânea de citações livre.

Nascimento - 16 de outubro

1854 - Oscar Wilde, escritor irlandês (m. 1900).
1907 - Roger Vailland, escritor francês (m. 1965).
1912 - Karl Ristikivi, escritor estoniano (m. 1977).
1927 - Günter Grass, intelectual e escritor alemão.

Nascimento - 15 de outubro

1844 - Friedrich Nietzsche, filósofo (m. 1900)
1878 - Alcides Maya, escritor e político brasileiro e membro da ABL (m. 1944)
1911 - Manuel da Fonseca, escritor português (m. 1993)
1915 - Antônio Houaiss, escritor, tradutor, crítico, filólogo, lexicógrafo e ensaísta brasileiro (m. 1999)
1922 - Agustina Bessa-Luís, escritora portuguesa

Nascimento - 14 de outubro

1894 - E. E. Cummings, poeta estado-unidense.

Nascimento - 12 de outubro

1810 - Nísia Floresta, educadora, escritora e poetisa brasileira (m. 1885)
1923 - Fernando Sabino, escritor e jornalista brasileiro (m. 2004)
1938 - Anne Perry, escritora policial britânica

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Esnobação


Desisto. Já que não adianta ser boazinha
serei herege.
Depois, me sentarei a teus pés
e contarei meus pecados.
Quero te ver tremer. Só de ouvir.
Teus gestos hão de ficar parados
no ar. Estátua de pedra modelada
pela minha indiferença.
O teu momento terá passado.
Ai, como vou te esnobar!!!



Maria Olimpia Alves de Melo
Publicado no Recanto das Letras em 13/09/2007
Código do texto: T650810

NASCIMENTO - 11 de outubro

1616 - Andreas Gryphius, escritor alemão. (m. 1664).
1675 - Samuel Clarke, filósofo inglês.
1885 - François Mauriac, escritor francês.
1896 - Roman Jakobson, linguista russo (m. 1982).
1908 - Cartola, compositor brasileiro (m. 1980).
1936 - Tom Zé, compositor brasileiro.
1957 - Lobão, músico brasileiro.
1968 - Jorge Vercilo, cantor brasileiro.

DORIS LESSING - Nobel de literatura 2007

Escritora britânica Doris Lessing ganha Nobel de Literatura


Estocolmo, 11 out (EFE).- A escritora britânica Doris Lessing,
cuja obra contém influências africanas, feminismo e compromisso
político, foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura 2007,
anunciou hoje a Academia Sueca.

A autora receberá o prêmio por transmitir a "experiência épica
feminina", que descreveu "com ceticismo, paixão e força visionária"
a divisão da civilização.

"Trata-se de uma das decisões mais meditadas que já tomamos",
disse o diretor da Academia, Horace Engdahl, após divulgar o
veredicto.

Academia Sueca transforma Lessing na 11ª mulher a receber o prêmio Nobel
COMO FUNCIONA O PRÊMIO
ORHAN PAMUK VENCE NOBEL 2006

A autora estava entre os favoritos ao Nobel há décadas, embora
ultimamente seu nome tenha desaparecido das listas, exatamente
devido ao longo tempo em que seu nome aparecia entre os candidatos.

Com esta decisão, a Academia Sueca transforma Lessing na 11ª
mulher a receber o prêmio. A última mulher a receber o Nobel de
Literatura foi a austríaca Elfriede Jelinek, em 2004, e a primeira
foi a chilena Gabriela Mistral, em 1945.

Nascida em 22 de outubro de 1919 em Kermanshah (atual Irã), filha
de britânicos, Lessing é uma escritora que levou boa parte de sua
experiência autobiográfica africana a suas obras.

Assim fez em "The Grass is Singing", publicada em 1950, e em boa
parte de suas obras posteriores, impregnadas pelas essências do
continente africano, onde passou parte de sua vida.

Em 1962 Lessing publicou o romance que a tornou famosa, "The
Golden Notebook", e depois consolidou sua fama com uma série de
títulos de temática africana.

Seu compromisso político a levou a criticar abertamente os
Governos racistas de Rodésia (atual Zimbábue) e da África do Sul,
sendo impedida de entrar nestes países.

Sua última obra, publicada este ano, é "The Cleft".

O Nobel de Literatura do ano passado foi para o turco Orhan
Pamuk.

O Nobel de Literatura concede 10 milhões de coroas suecas (US$
1,5 milhão) e será entregue junto aos outros prêmios em 10 de
dezembro, aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel.
Fonte: Folha Online


quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Biografias de escritores brasileiros

Biografias dos maiores autores de nossa língua

A
Abgar Renault
Adelino Fontoura
Adelmar Tavares
Adolfo Caminha
Adonias Filho
Afonso Arinos
Afonso Celso
Afonso d'Escragnolle Taunay
Afonso Pena Junior
Afrânio Coutinho
Afrânio Peixoto
Alberto de Oliveira
Alberto Faria
Alberto Venâncio Filho
Alcântara Machado
Alceu Amoroso Lima
Alcides Maia
Alcindo Guanabara
Alfredo Pujol
Aloísio de Castro
Aluísio Azevedo
Álvares de Azevedo
Álvaro Lins
Álvaro Moreyra
Amadeu Amaral
Américo Jacobina Lacombe
Aníbal Freire da Fonseca
Antônio Austregésilo
Antonio Callado
Antonio Houaiss
Antonio Olinto
Antônio Pereira da Silva
Araripe Júnior
Araújo Porto Alegre
Ariano Suassuna
Arnaldo Niskier
Artur Azevedo
Artur de Oliveira
Artur Jaceguai
Artur Orlando da Silva
Assis Chateaubriand
Ataulfo de Paiva
Augusto de Lima
Augusto Meyer
Aurélio Buarque de Holanda
Aurélio de Lyra Tavares
Austregésilo de Athayde


B
Barão do Rio Branco
Barão Homem de Melo0
Barbosa Lima Sobrinho
Basílio da Gama
Bernardo Élis
Bernardo Guimarães

C
Candido Mendes
Cândido Mota Filho
Carlos Castello Branco
Carlos Chagas Filho
Carlos de Laet
Carlos Magalhães de Azeredo
Carlos Nejar
Carneiro Leão
Casimiro de Abreu
Cassiano Ricardo
Castro Alves
Celso Cunha
Celso Furtado
Celso Vieira
Cláudio de Souza
Cláudio Manoel da Costa
Clementino Fraga
Clóvis Beviláqua
Coelho Netto
Constâncio Alves
Cyro dos Anjos


D
Dantas Barreto
Darcy Ribeiro
Deolindo Couto
Dias Gomes
Dinah Silveira de Queiroz
Dom Aquino Correia
Dom Lucas Moreira Neves
Dom Marcos Barbosa
Dom Silvério Gomes Pimenta
Domício da Gama

E
E. Roquette-Pinto
Eduardo Portella
Eduardo Prado
Eduardo Ramos
Elmano Cardim
Emílio de Menezes
Euclides da Cunha
Evaristo da Veiga
Evaristo de Moraes Filho

F
Fagundes Varela
Félix Pacheco
Fernando de Azevedo
Fernando Magalhães
Filinto de Almeida
França Junior
Francisco Adolfo de Varnhagen
Francisco de Assis Barbosa
Francisco de Castro
Francisco Otaviano
Franklin Dória
Franklin Távora

G
Garcia Redondo
Genolino Amado
Geraldo França de Lima
Getúlio Vargas
Gilberto Amado
Gonçalves de Magalhães
Gonçalves Dias
Goulart de Andrade
Graça Aranha
Gregório da Fonseca
Gregório de Matos
Guilherme de Almeida
Guimarães Passos
Guimarães Rosa
Gustavo Barroso

H
Hélio Lobo
Heráclito Graça
Herberto Sales
Hermes Lima
Hipólito da Costa
Humberto de Campos

I
Inglês de Souza
Ivan Lins
Ivo Pitanguy

J
J.C. Macedo Soares
João Cabral de Melo Neto
João de Scantimburgo
João Francisco Lisboa
João Luis Alves
João Neves da Fontoura
João Ribeiro
João Ubaldo Ribeiro
Joaquim Caetano da Silva
Joaquim Manuel de Macedo
Joaquim Nabuco
Joraci Camargo
Jorge Amado
José Américo de Almeida
José Bonifácio
José Cândido de Carvalho
José de Alencar
José do Patrocínio
José Guilherme Merquior
José Honório Rodrigues
José Lins do Rego
José Sarney
José Veríssimo
Josué Montello
Júlia Lopes de Almeida
Júlio Ribeiro
Junqueira Freire

L
Lafayette Rodrigues Pereira
Laudelino Freire
Laurindo Rabelo
Lauro Müller
Ledo Ivo
Levi Carneiro
Lúcio de Mendonça
Luís Carlos
Luís Edmundo
Luís Guimarães Filho
Luís Guimarães Júnior
Luís Murat
Luís Viana Filho
Lygia Fagundes Telles


M
Machado de Assis
Maciel Monteiro
Magalhães Júnior
Manuel Antônio de Almeida
Manuel Bandeira
Manuel de Oliveira Lima
Marcos Almir Madeira
Marcos Vilaça
Mário de Alencar
Mário Palmério
Marques Rebelo
Martins Júnior
Martins Pena
Maurício de Medeiros
Mauro Mota
Medeiros e Albuquerque
Menotti del Picchia
Miguel Couto
Miguel Osório de Almeida
Miguel Reale
Múcio Leão
Murilo Melo Filho

N
Nelida Piñon

O
Odylo Costa Filho
Olavo Bilac
Olegário Mariano
Oliveira Lima
Oliveira Viana
Orígenes Lessa
Oscar Dias Corrêa
Osório Duque Estrada
Osvaldo Cruz
Osvaldo Orico
Otávio de Faria
Otávio Mangabeira
Otto Lara Resende

P
Pardal Mallet
Paulo Barreto (João do Rio)
Paulo Carneiro
Paulo Setúbal
Pedro Calmon
Pedro Lessa
Pedro Luís
Pedro Rabelo
Peregrino Jínior
Pereira da Silva
Pontes de Miranda
Porto Alegre

R
Rachel de Queiroz
Raimundo Correia
Ramiz Galvão
Raul Pompéia
Ribeiro Couto
Roberto Marinho
Roberto Simonsen
Rocha Pombo
Rodolfo Garcia
Rodrigo Octávio
Rodrigo Octavio Filho
Rui Barbosa

S
Sábato Magaldi
Salvador de Mendonça
Santos Dumont
Sérgio Corrêa da Costa
Sérgio Paulo Rouanet
Silva Melo
Silva Ramos
Sílvio Romero
Sousa Bandeira
Sousa Caldas

T
Tarcisio Padilha
Tavares Bastos
Teixeira de Melo
Teófilo Dias
Tobias Barreto
Tomás Antônio Gonzaga

U
Urbano Duarte

V
Valentim Magalhães
Vianna Moog
Vicente de Carvalho
Viriato Correia
Visconde de Taunay
Visconde do Rio Branco
Vitor Viana

X
Xavier Marques

Nascimento 10 de outubro

1895 - Lin Yutang, escritor chinês (m. 1976)

FAZEDOR DE HOMENS - Drummond

FAZEDOR DE HOMENS
Carlos Drummond de Andrade

Todo homem é uma ilha...

É bom ser uma ilha distante
tanto quanto é bom ser um homem.

Todo homem possui uma ponte
pois é preciso sair da ilha, seguro.
A ponte de um homem é um braço estendido.

Todo homem é um mundo.
O mundo roda no sistema egocêntrico
de suas realidades,
pequenos alumbramentos,
medos e coragens.

E quando o homem encara o mundo e se depara
- homem-mundo,
mundo-homem,
volta à ilha:
Todo homem ama sua ilha.

II

O homem faz o homem.
E porque fez o homem, sem nem o homem querer
aufere direitos do homem.
Diz a ele: Cresça!
E ele fica mais alto.

Diz ao homem: Trabalhe!
E ele usa o corpo.
Diz ao homem: Viva!
E ele respira e existe.
Diz ao homem: Ame!
E ele não sabe como.
Mas diz ao homem: Procrie!
E ele faz homens.

Um dia ele morre.
Se a vida foi longa para viver -
é curta para morrer -
porque o homem não fez, não escolheu,
não pensou nada.

III

O que faz um homem diferente de outro homem
é o que ele pensa.
O que o transforma, também,
de um simples fazedor de homens,
num criador de homens.

Todo homem é uma vontade.
E se deixa de ser vontade
teme a perda de sua posse.
Todo homem é uma consciência.
Nela inclui o seu saber
e a parte maior do não saber,
e se aceita o fato, é com ela que ele se entende.

Todo homem é seu corpo.
E sabe dele em contraste com outro corpo,
tal é a sua medida.
Como também, a medida de um homem é a sua carência:
porque é assim que ele se assume,
porque é assim que ele se liberta.

Quanto mais ele precisa
mais ele é maior. E dá.
Pede. Reivindica. Exige, quanto pode.
Luta e sofre.

Todo homem quer deixar sua ilha.
Temeroso de ter que voltar um dia, entretanto,
não destrói as pontes.
Enquanto isso, a ilha fica ali, só ilha.
A ponte fica ali, só ponte.
E o homem fica ali, só homem.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

NASCIMENTO - 08 de outubro

1799 - Evaristo da Veiga, poeta, jornalista, político e livreiro brasileiro.
1863 - Catulo da Paixão Cearense, músico e poeta brasileiro (m. 1946)
1893 - Mário de Andrade, escritor brasileiro (m. 1945)
1908 - Adolfo Bloch, jornalista e empresário russo naturalizado brasileiro (m. 1995)
1920 - Frank Herbert, escritor estado-unidense. (m. 1986)

Fonte: Wikipéida

sábado, 6 de outubro de 2007

Para ir além - POESIA

Foto= Heinrich Heime
FELICIDADE

Oh, que dama fácil, a felicidade!
Mal se acostuma num lugar, ela já sai...
Afaga teu cabelo, cheia de vaidade,
beija-te às pressas, bate as asas e se vai.
Dona infelicidade, ao contrário,
te prende ao coração a ferro e corda.
Para ir embora, diz não ter horário,
senta-se contigo à cama e borda.

Para ir além de Heinrich Heine
Clique no linque e saiba mais sobre esse importante poeta alemão do século XIX.

FELICIDADE livro de Eduardo Gianetti - Sinopse





Eduardo GiannettiNasceu em Belo Horizonte, em 1957. É professor das Faculdades Ibmec de São Paulo e PhD pela Universidade de Cambridge. Já recebeu dois prêmios Jabuti, por Vícios privados, benefícios públicos? e As partes e o todo.


Os personagens são bem brasileiros e contemporâneos: uma jornalista estudiosa de ética clássica, um economista liberal, um roteirista de documentários que abandonou o marxismo pela filosofia analítica e um erudito desempregado. Em Felicidade, eles se encontram periodicamente para discutir um tema por eles determinado. Nessas reuniões, um deles faz uma breve exposição inicial seguida de um debate.

A forma do novo livro de Eduardo Giannetti casa-se perfeitamente aos propósitos do autor. Não se trata de defender um ponto de vista, mas de colocar determinadas questões em relevo - questões fundamentais, mas freqüentemente esquecidas pelos cadernos de economia.

O fio condutor é o Iluminismo - e suas promessas de felicidade -, que traria o progresso nas ciências e nas artes, permitindo aos homens exercer um amplo domínio sobre a natureza. Poderíamos, guiados pelo conhecimento, calcular com precisão os meios necessários para evitar a dor e alcançar o prazer. A razão iluminista nos permitiria aperfeiçoar nossa própria natureza. Dentro de pouco tempo, viveríamos num mundo mais justo, orientado por acordos racionais, gozando os benefícios de uma paz perpétua.

Vieram a ciência e a técnica, mas não veio a felicidade. O mundo nunca foi tão injusto, e a paz nunca esteve mais distante do que hoje. Os personagens de Felicidade querem saber por quê.

Para discutir esses temas, Giannetti faz uso de uma bibliografia variada e extensa, transposta na forma de um diálogo leve e fluente. Assim como os demais livros do autor, Felicidade é uma obra que transita nos limites entre o discurso econômico e a reflexão filosófica, sem fazer uso do jargão técnico de nenhum dos dois domínios.

Felicidade: reflexões de Eduardo Giannetti

Segunda-feira, 3/2/2003
Felicidade: reflexões de Eduardo Giannetti
Jardel Dias Cavalcanti

notAS: memorizar poesia

A vida é uma doença incurável (Abraham Cowley)


Há poucos dias o jornal O Estado de São Paulo publicou uma matéria com a seguinte chamada: A felicidade, numa fórmula matemática. Pesquisadores ingleses montam equação que mede o estado emocional. O artigo ainda dizia: se você é feliz e tem consciência disso, então seu estado de ânimo é o resultado de P+5E+3A. É a fórmula da felicidade. Havia um teste a responder e quanto mais pontos você fizesse, próximos de cem, mais feliz seria. Fiz o teste: 50 pontos, ou seja, estou no meio, mas longe de ser feliz.

O tema da felicidade é quase que abandonado por pensadores sérios da atualidade. Agora temos um que se aventurou no assunto. Eduardo Giannetti é um escritor corajoso. Quem ousaria, na atual conjuntura das excessivas e calhordas publicações de auto-ajuda, escrever um livro cujo tema seja a felicidade?

Outra questão interessante: quem ousaria comprar um livro cujo título, grafado em preto sobre um fundo abóbora, seja Felicidade? Fico imaginando uma legião de leitores mal-avisados, em busca de uma saída fácil para suas desgraçadas vidas cotidianas, comprando este livro e se decepcionando com sua leitura difícil para um leigo.

Pois bem... O livro existe e o que interessa é debater parte de seu conteúdo. Trata-se de Felicidade: diálogos sobre o bem-estar na civilização, de Eduardo Giannetti, publicado pela Companhia das Letras.

O livro é escrito em forma de diálogos. O termo Diálogo apresenta-se como uma forma literária na qual o autor procura transmitir idéias através de uma discussão de viva voz. Os exemplos mais antigos dessa forma são os diálogos de Platão, seguidos pelos de Xenofonte e mais tarde pelos de Aristóteles. No período tardio da literatura grega o escritor Luciano transformou essa forma literária num veículo para suas sátiras. Na literatura romana os melhores exemplos são os tratados de Cícero e Tácito (autor de Dialogus de Oratoribus, um diálogo sobre as causas do declínio da oratória).

No livro que ora tratamos, o autor reúne quatro ex-colegas de universidade que passam a se reunir para discutir questões relativas à problemática da felicidade no atual estágio de progresso civilizatório em que nos encontramos. São eles: Leila, estudiosa de ética clássica, militante do movimento ecológico, mãe de três filhos e professora universitária; Otto, economista liberal bem-sucedido, positivista e amante do golfe; Alex, filosófo analítico, ex-marxista que ganha a vida como roteirista; Melo, erudito historiador das idéias que leu demais e acha-se em dificuldade para acreditar em qualquer coisa, atualmente desempregado.

A partir de um primeiro encontro o grupo decide estabelecer uma regra básica para o debate: a cada encontro um dos participantes escreveria um texto e destribuiria uma bibliografia básica para ser discutida no próximo encontro. No cerne do conjunto dos debates firma-se basicamente a seguinte questão: até que ponto a civilização moderna tem promovido ou dificultado a busca da felicidade? Para resolver a questão (ou ao menos tensioná-la) é chamado um grupo de pensadores tais como Giordano Bruno, Baco, Kant, os iluministas, Freud, Nietzsche, Marx, Mill, Weber, entre tantos outros.

É simplesmente impossível resumir o livro em apenas poucas páginas, dado o grau e quantidade de questões que vão surgindo ao longo dos diálogos. Aos pensadores e suas idéias acrescenta-se, ao longo do livro, resultados de pesquisas sobre o que gera a felicidade ou o que a limita. Da realização profissional e amorosa à busca da felicidade pelo uso de drogas - todas tentativas meio que desesperadas - o livro discute o assunto de forma interessante e abrangente. Mas... para o leitor que busca encontrar qualquer espécie de discussão que o leve à uma solução segura, avisamos, pode tirar o cavalinho da chuva, pois o livro só aumenta nossas inquietudes.

As conclusões são variadas: nem a razão, nem o delírio podem nos leva à terra prometida; a riqueza, segundo pesquisas, também não é nenhuma tábua de salvação (embora proporcione alguma alegria, também gera mais incertezas e requer mais atenção - que por si inibe o prazer); os materiais tecnológicos ultramodernos também não proporcionam aumento da felicidade, não produzem o doce sentimento da existência. Ou seja, estamos perdidos no mundo que construímos. Nosso projeto civilizatório não pensou no essencial: a busca da felicidade humana. Se pensou, fracassou, pois estamos em meio a um mundo atroz, ainda perdidos nessa busca do mais elementar sentimento humano: a felicidade.

Aumentar o nível tecnológico do planeta resolveria nossa principal tensão existencial que é, afinal, vivermos em um constante bem-estar? Veja-se as seguintes questões colocadas pelo livro: I - será que os gostos e preferências dos consumidores não vêm sendo sistematicamente distorcidos por um bombardeio de estímulos e uma máquina de propaganda mais ferozes que qualquer poderio militar? II - a TV a cabo chegou ao Butão. De agora em diante, as crianças budistas estão expostas à radiação colorida da Cartoom Network e MTV. Em breve, os jovens butaneses estarão freqüentando shows de rock, comendo nos fast-foods e protestando contra a globalização - lutando com os jovens de todo o planeta por um mundo melhor. É patético.

Se você perguntar para um grupo razoável de pessoas o que traria felicidade, você obteria a resposta de que o dinheiro resolveria tudo, ou ao menos, ajudaria mais que tudo a trazer felicidade.

Segundo o livro de Giannetti, baseando-se em pesquisas e material filosófico, político e sociológico, a conclusão dessas pessoas está errada. Não é o dinheiro que traz felicidades. Atente para a grande questão: o comercio internacional de drogas movimenta cerca de 400 bilhões de dólares por ano, ou seja, oito por cento do fluxo mundial de comércio ou o equivalente do turismo e petróleo. Quem consome esta droga? Sabe-se que a maior parte desta droga é consumida por pessoas que têm um nível de vida acima do médio. Afinal, riqueza produz realmente felicidade? Se sim, porque essa busca desenfreada por uma evasão química auto-destrutiva? Quem recorre às drogas está buscando algum alívio ou paraíso artificial, ou seja, está em busca de meios químicos que proporcionem o que o seu ambiente social e os seus próprios recursos espirituais não são capazes de satisfazer. O sujeito toma a droga e pronto - não há mais do que reclamar. Resignação e êxtase. Ou seja, o pão e circo pós-moderno do novo império romano.

Segundo Adam Smith, para a maior parte das pessoas ricas a principal função da riqueza consiste em poder exibi-la. Ou seja, só interessa a posse do que pode despertar inveja. Então, se os pobres rissem e escarnecessem da riqueza e da ostentação dos ricos, o circo desabaria. Desse ponto de vista, se o rico não tiver seu expectador ele se tornará um frustrado permanente.

Para Smith, a verdadeira felicidade mora mais na imaginação das pessoas e na obtenção de uma certa tranqüilidade de espírito do que na satisfação ilusória da vaidade associada a níveis maiores de renda e consumo.

Esta é uma das afirmações do livro. Elas são variadas, esquentam o debate entre os personagens, fazem nossa cabeça refletir sobre o mundo que construímos, sobre a vida que construímos, sobre os desejos que achamos que podem nos levar a um tipo de satisfação perfeita. Não resolvem muito, não nos induzem a seguir uma trilha, mas produz a tensão essencial que precisamos para não nos deixar enganar por fáceis soluções.

Infelizmente a pesquisa sobre o tema a partir das tensões que a literatura e as artes em geral trazem não é feita, ficando essa dívida do autor para com seus leitores. Quem sabe num próximo volume o assunto não poderia ser discutido à luz da poesia, do romance, das temáticas musicais e operísticas?

De qualquer forma, vale a pena entrar em contato com o vasto universo de idéias sobre a felicidade, agrupadas de forma inteligente pelo livro de Giannetti.

Quando o assunto é felicidade, lembro-me sempre de uma frase do psicanalista Wilhelm Reich (aquele que afirmava que a função do orgasmo é produzir alegria, saúde psíquica e um contato com a energia cósmica). Ele dizia que viver na plenitude é abandonar-se plenamente ao que se faz, pouco importa que se estude, se ame, se dirija um carro, se faça um passeio ou plante um jardim. O que importa é o mergulho total no que se faz, mergulho apaixonado e, até, pode-se dizer, inconsciente.

Dessa forma, a felicidade existe somente e principalmente para aqueles que não sabem que são felizes. A máxima de Fernando Pessoa se aplica aqui: para ser feliz é preciso não saber-se feliz.

Vou terminar este texto com um poema do escrito Heinrich Heine, já que o autor nos deixou em falta nessa área. Trata-se de um poema que dá o que falar, intitulado FELICIDADE. Vamos a ele:

FELICIDADE

Oh, que dama fácil, a felicidade!
Mal se acostuma num lugar, ela já sai...
Afaga teu cabelo, cheia de vaidade,
beija-te às pressas, bate as asas e se vai.
Dona infelicidade, ao contrário,
te prende ao coração a ferro e corda.
Para ir embora, diz não ter horário,
senta-se contigo à cama e borda.

Para ir além

Disponível no site http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=924

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

LITERATURA CEARENSE - Seleção de Blogs e Sites

Literatura Cearense - Gustavo César Cabral :: blog
Literatura Cearense - Profa. Aíla Sampaio :: blog

LIVRO - lançamento - DAS ANTIGAS


Diretamente, sem cortes, do Antena Paranóica

O Livro
as coisas 'das antigas'
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Ontem conversei com o Demitri Túlio sobre o lançamento do livro "Das Antigas", cujo lançamento vai ser nesta quinta, na sala de Convivência da reitoria da UFC. São as crônicas da coluna que o jornalista tem aos sábados no O Povo.

Eu até ganhei um exemplar durante a conversa que tive com o autor no "Rádio Serviço" da AM DO POVO-CBN. E aí, a Maísa pediu-me emprestado para pautar no seu programa e dar dica no seu blog. Foi de lá que eu tirei a ilustração da capa. Tem apresentação de Adísia Sá e Eleuda de Carvalho. Não li ainda, mas já gostei.
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post de NONATO ALBUQUERQUE Blog Antena Paranóica
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Dia internacional do poeta

El poeta y la musa, de Rodin
Haikai 02

Mundo comemora (5)
Dia internacional (7)
Parabéns, poetas!(5)

Airton Soares

comentário sobre minha crônica AUTOFÁGICO fogo

"SOU UMA PUTA DO CAPITALISMO"

comentário 02 / Teógenes / Guerreiro AFBECquiano* /divulgação / Hebe Citó

Interessante! As crônicas que escrevo de afogadilho são as que mais repercutem. Tem pra mim que, nesta situação, a razão entra apenas para adjutorar. Agora vamos e venhamos, depende muito da ajuda dos amigos na divulgação, que é o caso desta crônica.

Obrigado, Teógenes pelo seu visceral comentário. Quanto à Senhorita Camurça, não há mais necessidade de agradecer, pois já estamos em negociação para que ela assuma 50% das Ações do Portal Li por Aí. Rsssss. Estou rindo, mas falando sério. Temos de pensar em ser Rei para nos tornamos, pelo menos, o bobo da corte que, diga-se de passagem, é muita coisa. O importante é entrar no castelo. AS.

* AFBEC - Associação dos Funcionários do Banco do Estado do Ceará.

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"Prezada Hebe: Paz, Luta e Bem!

Agradeço os envios. Instigante o texto de Airton. Incita-nos a não Deixar secar em nós a fonte da paixão, para que e$$e fogo não queime a nossa capacidade de estabelecer princípios e ideais e, por eles, seguir Vivendo (ou morrendo!).

Como anarquista-cristão, e com os pés no chão, tenho plena consciência de que sou uma puta do capitalismo. Mas, como a Geni, também tenho meus caprichos: só transo de camisinha; a camisinha é o meu limite. E assim é que vou trilhando nesta fogueira, jogando aqui e alhures uns pingos d'água, retirados da fonte da paixão: de viver com dignidade, de amar, de con-viver (Companheira & Filhos e Amigos...).

Pegando o mote do Airton, adquiri uma outra função, além de puta: a de bombeiro das causas incendiárias perdidas. Perdidas!? Só para os que estão no fogo e se lhe entregam passivamente a ele, como a mariposa se aprisiona à luz que a cega.

Minha fé cristã, frágil, mas teimosa, fornece-me uma lente onde eu possa ver saídas onde os normais só vêem o fim do caminho.

Para me dar por encerrado, inspiro-me no cerrado, ardendo de fogo e teimosamente verde.

Beijos a todos, Teógenes."

Encontro com Milton Santos

Comentário de Hebe Citó sobre minha crônica Autofágico fogo, inicialmente intitulada Fogueira (in) santa. Em seguida leia a sinopse do filme Encontro com Milton Santos e a ambiência na qual ele foi projetado.

Obrigado, amiga. Saiba que você alterou minha rotina `lazética´ desta semana. Pra melhor, redundante dizer.
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"Oi Airton,
Especialmente sobre isso
"A FOGUEIRA A QUE EU me refiro, de que você já desconfiava, é o
sistema capitalista. Ele é fogo! Autodestruidor, autofágico. Daí a
dificuldade na resolução eficaz das nossas mazelas socias."
Está passando um filme muito interessande no unibanco dragão do mar -
Encontro com Milton Santos.
É uma outra visão sobre a globalização. Ótimo. Sessões hoje às
18h e 19:40h. A partir de amanhâ às 14h.
Se puder, não perca.
Abraço.
Hebe



Foto: Geógrafo Milton Santos

Projeto maturado há 10 anos, o filme, amparado por título carnavalesco – ou, como prefere o diretor, “alemão” – traz à tona a questão da globalização e suas perversidades, tudo sob a ótica do geógrafo Milton Santos, morto em 2001. Para Tendler, a temática é encarada como uma espécie de panfleto necessário. “A globalização me assustou.
Ela tomou conta dos anos 80 e, nos 90, foi uma quebradeira total, com o Collor privatizando tudo. Fiquei perplexo com a rapidez com que as coisas iam acontecendo”, conta. “O filme mostra como a globalização é usada de forma errada, com o poder e a riqueza concentrados nas mãos de poucos. Algo que acontece inclusive com o meio audiovisual”, observa.

Com uma hora e meia de duração e o (pequeno) orçamento de R$ 800 mil, Encontro com Milton Santos nasceu do acaso. Mais precisamente no meio de um outro trabalho – um documentário sobre o geógrafo Josué de Castro, em 1995. “Era um projeto produzido pela família do Josué, no qual eu tinha que entrevistar várias pessoas. Entre elas, estava o professor Milton Santos, um dos nomes mais importantes da geografia naquele momento”, explica o diretor, que viajou até Paris para o primeiro encontro. “Ele foi de uma clareza, de uma lucidez assustadora sobre vários assuntos. Fiquei tão fascinado que combinei de fazermos algo juntos no futuro”, conta.

Atarefados com vários projetos, os dois acabariam adiando o novo encontro. Mas um imprevisto acelerou o processo. “Em 2000, fiquei sabendo que ele estava doente e de repente vi o cavalo encilhado passar na minha frente. Percebi que a chance era aquela, até porque ele era o intelectual que se destacava sobre o tema da globalização”, recorda Tendler, que marcou um novo contato cara a cara para janeiro do ano seguinte, na Universidade de São Paulo (USP). “Foi a última entrevista – ele morreria três meses depois – e a mais difícil da minha vida porque era um depoimento fantástico. O Milton sempre foi bastante formal, mas dessa vez ele apareceu completamente descontraído. Esqueceu a doença por algumas horas”, revela.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Autofágico fogo


Airton Soares

CHAMAMOS DE FOGO
o resultado de um processo muito exotérmico de oxidação. Geralmente, um composto... Corta! Corta! Não é por aí, senhor "AS"! A crônica tem de ser leve, enxuta e que narre em poucas linhas o porquê da dificuldade na resolução eficaz das grandes mazelas sociais do nosso país!
- Mas, Senhor Juiz, a pergunta que faz Vossa Excelência requer um mínimo de fundamentação e não poderia discorrer em poucas...
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(O Juiz impaciente...)
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- Vá, vá... Mande brasa!

O FOGO FOI A MAIOR
conquista do homem pré-histórico. O fogo foi também, segundo a literatura “foguista”, o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva. Tanto “fogo foi” nesse parágrafo. Fica assim mesmo. A expressão “fogo foi” dá uma sugerência de sopro e fogo nasceu pra ser assoprado.

VIVEMOS SOB O
“amparo” de uma grande fogueira. Grande! `Gradonazona´, melhor dizendo. Por hipótese nenhuma pode faltar lenha, mas caso falte, incontinenti, o “foguista-mor” dá um jeito de arranjar graveto, cavaco, seja lá o que for. Importante é que seja “queimável”. Mas... se faltar? A fogueira continua. Como pode, se...? Pode, sim, sabe por quê? Porque essa fogueira é autofágica!

DIABEISSO?
Autofagia: é o sustento de um organismo à custa de sua própria substância. Diz respeito à autofagia que é a autodestruição de célula e de organelas citoplasmáticas pelas suas próprias enzimas hidrolisantes. Quer se amostrar, né? Por que num desembucha logo e finaliza essa crônica?

A FOGUEIRA A QUE EU
me refiro, de que você já desconfiava, é o sistema capitalista. Ele é fogo! Autodestruidor, autofágico. Daí a dificuldade na resolução eficaz das nossas mazelas sociais. Tudo que dá dinheiro entra na fornalha. Tudo! Prostituição infantil, tráfico de drogas... de influências, violência violenta, tudo é lenha. Tudo gera grana. Não consigo esquecer uma manchete que li nos jornais: “Depois de achar os fuzis, o exército saiu das favelas! Agora o tráfico volta ao normal no Rio.” Voltar ao normal, pode? Pior é que pode!

POR ISSO, NÃO ACREDITAR
nos “acrisolados” projetos que todos os dias são espirrados gabinete afora. Acredito até que, dentre os responsáveis pelas nossas políticas públicas, exista uma minoria cônscia do seu dever de casa, mas que no íntimo, reconhece que seu poder de fogo é... de artifício! Pronto, Juiz. Cheguei ao final. Mandei a brasa que Vossa Excelência queria? Tenho dito! Fortaleza, 03/10/07
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O fascínio do fogo










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O fogo tem fascinado a humanidade durante milhares de anos.

Foi a maior conquista do homem pré-histórico. A partir desta conquista o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu benefício.
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O fogo serviu como proteção aos primeiros hominídeos, afastando os predadores. Depois, o fogo começou a ser empregado na caça, usando tochas rudimentares para assustar a presa, encurralando-a. Foram inventados vários tipos de tochas, utilizando diversas madeiras e vários óleos vegetais e animais.
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No inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O ser humano pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras, tornando-os mais saborosos e saudáveis, pois o calor matava as muitas bactérias existentes na carne.

O fogo também foi o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva.

Na antiguidade o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria. Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o fogo tinha propriedades de transformação da matéria alterando determinadas propriedades químicas das substâncias, como a transformação de um minério sem valor em ouro.
Fonte: Wikipédia

Conversa vai... mev asrevnoC 04


Airton Soares


MNHA PARTICIPAÇÃO
hoje nesta coluna é mínima. Fico de camarote. Acabo de receber dois “emeios” de dois amigos que estão sempre bem próximos das minhas atividades
“escriturais”. Eles fazem referência à “Conversa 03”, publicada ontem. Subo ao camarote. Eles descem e ocupam o meu lugar.

“AS, LI POR AÍ UM PENSAMENTO
que dizia “tipo assim”: Muitas vezes facilmente a gente se safa de uma crítica; difícil é reagir a um elogio. Ednardo Gadelha.”

SEGUNDO CONSTA, SÓCRATES
dizia que o homem é capaz de andar sozinho em uma floresta, mas incapaz de andar só com suas idéias. O leitor já reparou que concordamos com o nosso interlocutor em gênero, número e grau e, lá pras tantas, sapecamos a conhecida adversativa...`mas, você há de convir comigo.´ Admitir que o outro tem razão é sentir-se inferior. É tradição.

A OUTRA MENSAGEM
vem do amigo Vianei: “Caro amigo AS, reportando-me ao “É MEU AMIGO” do seu Conversa 03, quero dizer-lhe que jamais faço rasgados elogios. Quando assim procedo, faço por inteiro, sem rasuras, sem máculas e sem demagogia. Assim foi e será sempre.“

“NÃO TENHO SAPIÊNCIA NECESSÁRIA,”
continua o amigo, “para julgar e principalmente criticar determinados assuntos. Sou da escola do grande Goethe. Busco saber com exatidão o sentido das coisas. Procuro me livrar do emaranhado de dúvidas. Claro que persigo o conhecimento, mas ao mesmo tempo preocupado com o vírus maléfico da presunção e do convencimento de pensar que estou certo nas minhas colocações.”

E, POR FIM...
“É verdade que às vezes temos convicção de nossas idéias, mas mesmo assim, podemos estar redondamente ou “quadradamente” enganados. Portanto, ponderação nunca fará mal a ninguém. Receba meus inteiros elogios. Sem cortes. Você merece. Pelo cronista, poeta, escritor e principalmente pelo ser humano que é, impregnado de princípios morais, éticos.. Até breve. João Gomes (Vianei).”

E ACABOU... E ACABOU!
Se o amigo leitor quiser continuar, sinta-se à vontade. Publicaremos com o maior prazer suas observações sobre o tema exposto ou um outro qualquer. O fato é que ficar de camarote...Eu acho é bom! A gente apreende, aprende e compreende melhor os pontos de vistas e as circunstâncias desse mundão louco, mas que ninguém – de sã consciência- quer sair dele tão cedo.

A braço S