sábado, 20 de dezembro de 2008

ACE - Associação Cearense de Escritores

CONFRATERNIZAÇÃO -2008
Local: Academia Cearense de Letras.
A escritora Marina Fernandes (foto) foi a responsável pela presença do ator, cantor e poeta Costa Senna (cearense radicado em São Paulo) neste evento cultural e literário.




Airton Soares e Costa Senna













Marina Fernandes e Costa Senna






Marina Fernandes e Airton Soares

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Li por Aí - 02


VEREADORES X SUS
"Uma pergunta: teria mais serventia para o nosso país a criação de 7.343 novas vagas de vereadores ou a criação de 7.343 vagas de médicos atendendo pelo SUS?"
Cláudio Navarro Silveira (MG), hoje na Folha (painel do leitor )

NA BOQUINHA NA NOITE
Se fosse por mim, este seria o título do livro “Crepúsculo”, de Catherine Hardwicke, que virou filme e inesperado sucesso de bilheteria. Trata-se de uma história de amor transcendente entre uma humana (adolescente, 17) e um vampiro, numa obra que transborda sangue, digo, poesia e romantismo com rara inspiração. “Amor além dos limites”.

CACHORRO E SAPATO
Notícia já bastante divulgada, excetuando o título deste verbete. Bush levou um tremendo susto neste domingo. Quase foi atingido por dois sapatos, atirados por um jornalista iraquiano que também o xingou de cachorro. Cachorro da onça, naturalmente.

POESIA-TESE - PAULOFREIREANA
Essa poesia atende pelo nome de "Vai já pra dentro, menino!" e Pedro Bandeira, escritor paulista de literatura juvenil mais vendido no Brasil, é o seu criador. Será declamada por mim, amanhã de manhãzinha (8h), na Academia Cearense de Letras. Nesta ocasião, a ACE – Associação dos Escritores Cearenses, da qual faço parte, realizará sua festa de confraternização. Sábado próximo passado, tive a grata satisfação de estreá-la (a poesia) na reunião da nossa AILCA.

Vai já pra dentro menino!
Vai já pra dentro estudar!
É sempre essa lengalenga
Quando o que eu quero é brincar...

Eu sei que aprendo nos livros,
Eu sei que aprendo no estudo,
Mas o mundo é variado
E eu preciso saber tudo!

Há tanto pra conhecer,
Há tanto pra explorar!
Basta os olhos abrir,
E com o ouvido escutar.

Aprende-se o tempo todo,
Dentro, fora, pelo avesso,
Começando pelo fim
Terminando no começo!

Se eu me fecho lá em casa,
Numa tarde de calor,
Como eu vou ver uma abelha
A catar pólen na flor?

Como eu vou saber da chuva
Se eu nunca me molhar?
Como eu vou sentir o sol,
Se eu nunca me queimar?

Como eu vou saber da terra,
Se eu nunca me sujar?
Como eu vou saber das gentes,
Sem aprender a gostar?

Quero ver com os meus olhos,
Quero a vida até o fundo,
Quero ter barros nos pés,
Eu quero aprender o mundo!

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Vi...site. Há um perigo enorme de você gostar.
http://airton.soares.zip.net
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Saúde e um bom fim de semana
Airton Soares, 56

sábado, 13 de setembro de 2008

eterno PIQUENIQUE

Por Airton Soares

Barzinho da Dona Heloísa. Nas cercanias do meu `monastério´. Tomava uma cerveja. Sozinho. Ao me retirar, escuto cochichos: - Quem é? - É o professor... Só viive estudaando... Sei que as reticências e a duplicação das vogais já dizem tudo, mas faço questão de ser redundante: O tom de voz denotava piedade. Muita!

Neste mundo, essencialmente dionísico, quem gosta de estudar e que não demonstra envolvimento com as excessivas práticas bacantes é visto como um sofredor. Nada mais falso. O estudo requer muito trabalho. Trabalho “pesado” é verdade. A etimologia constata que pensar quer dizer `sopesar´ com sentido de colocar na balança alguma coisa para se avaliar o seu peso. Daí a expressão: estou com a consciência pesada. Mas, o fato dessa coisa dar trabalho pesado, não significa sofrimento. Fosse assim, ninguém fazia piquenique. Qualquer atividade prazerosa dar tanto trabalho como outra qualquer.

O segredo: Faça de sua vida um piquenique e aprenda a conviver com as próvidas formigas. Assim, equilibrar o Dioniso e o Apolo existentes em cada um de nós é, a meu ver, o eterno piquenique da vida.

indexada

SIGLA - ME

Por Airton Soares

Sigla era a letra inicial empregada como signo de abreviação nas inscrições e nos manuscritos antigos e que geralmente tinha conotação mística. Citemos como exemplo a “Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, AMORC” - Fraternidade dedicada ao desenvolvimento das potencialidades do ser humano.

Mas o tempo foi passando... passando... e o homem resolveu espichar a sigla. Hoje dispomos nas prateleiras dos dicionários `bigla´, que é o vocábulo composto com as duas primeiras letras de cada palavra fundamental , e a `trigla´, vocábulo composto com as três primeiras... E, se não bastasse, acrônimo, monograma, siglônimo. Afinal, a língua é viva... muito viva!

Aqui no Brasil temos muitas siglas famosas. Uma delas, como todos sabem, é “FHC” que acaba de ganhar uma co-irmã internacional: “LHC” (Grande Colisor de Hádrons), a máquina mais poderosa do mundo que tentará reproduzir o Big Bang, a explosão que deu origem ao Universo.

Por fim, não poderia deixar de citar a nossa sigla (AFAI*) que, na boca do confrade Paulo Rocha, passou a significar - também - um irresistível substantivo feminino: afaijoada!

*AFAI - Associação dos Filhos e Amigos de Ipu

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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Memórias da escola

Fonte: foto e texto <> revista EDUCAÇÃO

Um professor que ditava porque sabia mais que os livros. E outro que contava os inauditos meandros da história

Rubem Alves

Lembro-me com prazer de um efêmero professor de história. Era o desleixo na roupa, na barba e na fala. Sua aparência física era o normal pelo avesso. Ensinava história ao contrário. Ditava as aulas como os outros. Por razões totalmente diferentes. Os outros ditavam porque não sabiam o que era ensinar e nem o que era aprender.

Ele ditava porque o que tinha a ensinar não se encontrava nos livros. Ele ensinava uma história proibida. Paul Veyne publicou o livro Comment on écrit l'histoire em 1971 (Éditions du Seuil )." Está lá: "História não existe. Há somente 'histórias de'... Os fatos não existem. A única coisa que há são intrigas...".
Intrigas daqueles que escrevem para os que têm poder. Quase um século antes Nietzsche já havia afirmado: " Contra o positivismo que diz 'só há fatos', eu diria: não, são precisamente os fatos que não existem, apenas interpretações...". Foi isso que aquele professor ao avesso me ensinou mais de 20 anos antes do livro de Veyne.

"Vocês acham mesmo que o imperador Pedro I estava montado a cavalo no alto de um morro e que ele puxou da espada e gritou 'Independência ou Morte?' A história não acontece segundo a pintam os pintores por encomenda. O imperador estava com uma diarréia terrível e o que ele falou foi uma série de palavrões e maldições contra o seu pai, em meio a explosões de fezes e ventilações mal-cheirosas. Os livros de história dizem que cada herói falou uma frase célebre. "Como é para o bem de todos e a felicidade geral da nação diga ao povo que fico..." "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!" Será que havia sempre um escriba acompanhando os heróis para registrar seus súbitos arroubos literários?". No semestre seguinte ele não voltou. Acho que o colégio não aprovava professores que ensinavam história pelo avesso.

Lembro-me também do Leônidas Sobrinho Porto, de sorriso de criança e rosto rechonchudo. Começou sua primeira aula assim: "Há dois assuntos preliminares que precisamos resolver de início para que possamos nos dedicar ao que importa. O primeiro deles é a presença. Todos vocês já têm 100% de presença. E o segundo são as provas e as notas. Todos vocês já passaram. Resolvidas essas questões irrelevantes que perturbam o prazer de aprender podemos agora nos dedicar ao que interessa: literatura...". E aí começou. Ele não ensinava literatura. Não discorria sobre escolas literárias. Não prescrevia leituras a serem feitas e fichamentos.

O professor Leônidas se transformava em literatura. Ator. Ria e sofria os seus personagens. E nós ficávamos em silêncio absoluto, enfeitiçados, como se estivéssemos num teatro. Lembro-me dele vivendo o amor de Cirano de Bergerac por Roxana. "Beijo é o ponto róseo no 'i' da palavra 'paixão'..." E ele explicava que no francês não era "paixão"; era "amor", "aimer". Melhor seria "o beijo é o ponto róseo no 'i' da palavra amor". Mas em português "amor" não tem 'i'... Não nos ensinou literatura. Ensinou-nos a amar a literatura. Por isso nunca esqueci. Também foi só um semestre. Nunca mais o vi. É possível que tenha sido mandado embora pela direção do colégio por justa causa: suas cadernetas de presença eram falsas e suas notas também eram falsas. Permite-se que o ensino de literatura seja falso. O que não se permite é que as cadernetas de presença e as notas o sejam. O evangelho dos burocratas começa assim: "No princípio era o relatório..."

domingo, 24 de agosto de 2008

Restaurar é preciso; reformar não é preciso

imagem: Flávio Rossi
Artigo: Reinaldo Azevedo


A reforma ortográfica que se pretende é um pequeno passo (atrás) para os países lusófonos e um grande salto para quem vai lucrar com ela. O assunto me enche, a um só tempo, de indignação e preguiça. O Brasil está na vanguarda dessa militância estúpida. Por que estamos sempre fazendo tudo pelo avesso? Não precisamos de reforma nenhuma. Precisamos é de restauração. Explico-me.
A moda chegou por aqui na década de 70, espalhou-se como praga divina e contribuiu para formar gerações de analfabetos funcionais: as escolas renunciaram à gramática e, em seu lugar, passaram a ensinar uma certa "Comunicação e Expressão", pouco importando o que isso significasse conceitualmente em sua grosseira redundância. Na prática, o aluno não precisava mais saber o que era um substantivo; bastava, dizia-se, que soubesse empregá-lo com eficiência e, atenção para a palavra mágica, "criatividade". As aulas de sintaxe – sim, leitor, a tal "análise sintática", lembra-se? – cederam espaço à "interpretação de texto", exercício energúmeno que consiste em submeter o que se leu a perífrases – reescrever o mesmo, mas com excesso de palavras, sempre mais imprecisas. O ensino crítico do português foi assaltado pelo chamado "uso criativo" da língua. Para ser didático: se ela fosse pintura, em vez de ensinar o estudante a ver um quadro, o professor se esforçaria para torná-lo um Rafael ou um Picasso. Se fosse música, em vez de treinar o seu ouvido, tentaria transformá-lo num Mozart ou num Beethoven. Como se vê, era o anúncio de um desastre.

Os nossos Machados de Assis, Drummonds e Padres Vieiras "do povo" não apareceram. Em contrapartida, o analfabetismo funcional expandiu-se célere. Se fosse pintura, seria garrancho. Se fosse música, seria a do Bonde do Tigrão. É só gramática o que falta às nossas escolas? Ora, é certo que não. O país fez uma opção – ainda em curso e atravessando vários governos, em várias esferas – pela massificação de ensino, num entendimento muito particular de democratização: em vez de se criarem as condições para que, vá lá, as massas tivessem acesso ao conhecimento superior, rebaixaram-se as exigências para atingir índices robustos de escolarização. Na prova do Enem aplicada no mês passado, havia uma miserável questão próxima da gramática. Se Lula tivesse feito o exame, teria chegado à conclusão de que a escola, de fato, não lhe fez nenhuma falta. Isso não é democracia, mas vulgaridade, populismo e má-fé.

Não é só a língua portuguesa que está submetida a esse vexame, é claro. As demais disciplinas passaram e passam pela mesma depredação. A escola brasileira é uma lástima. Mas é nessa área, sem dúvida, que a mistificação atingiu o estado de arte. Literalmente. Aulas de português se transformam em debates, em que o aluno é convidado (santo Deus!) a fazer, como eles dizem, "colocações" e a "se expressar". Que diabo! Há gente que não tem inclinação para a pintura, para a música e para a literatura. Na verdade, os talentos artísticos são a exceção, não a regra. Os nossos estudantes têm de ser bons leitores e bons usuários da língua formal. E isso se consegue com o ensino de uma técnica, que passa, sim, pela conceituação, pela famigerada gramática. Precisamos dela até para entender o "Virundum". Veja só:

"Ouviram do Ipiranga
as margens plácidas /
De um povo heróico
o brado retumbante"

Quem ouviu o quê e onde, santo Deus? É "as margens plácidas" ou "às margens plácidas"? É perfeitamente possível ser feliz, é certo, sem saber que foram as margens plácidas do Rio Ipiranga que ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Mas a felicidade, convenham, é um estado que pode ser atingido ignorando muito mais do que o hino. À medida que se renuncia às chaves e aos instrumentos que abrem as portas da dificuldade, faz-se a opção pelo mesquinho, pelo medíocre, pelo simplório.

As escolas brasileiras, deformadas por teorias avessas à cobrança de resultados – e o esquerdista Paulo Freire (1921-1997) prestou um desserviço gigantesco à causa –, perdem-se no proselitismo e na exaltação do chamado "universo do educando". Meu micro ameaçou travar em sinal de protesto por escrever essa expressão máxima da empulhação pedagógica. A origem da palavra "educação" é o verbo latino "duco", que significa "conduzir", "guiar" por um caminho. Com o acréscimo do prefixo "se", que significa afastamento, temos "seduco", origem de "seduzir", ou seja, "desviar" do caminho. A "educação", ao contrário do que prega certa pedagogia do miolo mole, é o contrário da "sedução". Quem nos seduz é a vida, são as suas exigências da hora, são as suas causas contingentes, passageiras, sem importância. É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação.

Professores de português e literatura vivem hoje pressionados pela idéia de "seduzir", não de "educar". Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, dão um pé no traseiro de Camões (1524-1580), mandam o poeta caolho cantar sua namoradinha chinesa em outra barcarola e oferecem, sei lá, facilidades da MPB – como se a própria MPB já não fosse, em nossa esplêndida decadência, um registro também distante das "massas". Mas nunca deixem de contar com a astúcia do governo Lula. Na citada prova do Enem, houve uma "modernização" das referências: em vez de Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii; em vez de Caetano Veloso, Titãs. Na próxima, é o caso de recorrer ao funk de MC Catra: "O bagulho tá sério / vai rolar o adultério / paran, paran, paran / paran, paran...".

Precisamos de restauração, não de mais mudanças. Veja acima, no par de palavras "educação/sedução", quanto o aluno perde ao ser privado da etimologia, um conhecimento fascinante. As reformas ortográficas, acreditem, empobrecem a língua. Não democratizam, só obscurecem o sentido. Uma coisa boba como cassar o "p" de "exce(p)ção" cria ao leitor comum dificuldades para que perceba que ali está a raiz de "excepcional"; quantos são os brasileiros que relacionam "caráter" a "característica" – por que deveriam os portugueses abrir mão do seu "carácter"? O que um usuário da nossa língua perderia se, em vez de "ciência", escrevesse "sciência", o que lhe permitiria reconhecer na palavra "consciência" aquela mesma raiz?

Veja o caso do francês, uma língua que prima não por letras, mas por sílabas "inúteis", não pronunciadas. E, no entanto, os sempre revolucionários franceses fizeram a opção pela conservação. Uma proposta recente de reforma foi unanimemente rejeitada, à direita e à esquerda. Foi mais fácil cortar cabeças no país do que letras. A ortografia de Voltaire (1694-1778) está mais próxima do francês contemporâneo do que está Machado de Assis do português vigente no Brasil. O ditador soviético Stálin (1879-1953) era metido a lingüista. Num rasgo de consciência sobre o mal que os comunistas fizeram, é dono de uma frase interessante: "Fizemos a revolução, mas preservamos a bela língua russa". Ora, dirão: este senhor é um mau exemplo. Também acho. O diabo é que ele se tornou referência de política, não de conservação da língua...

Já que uma restauração eficaz é, eu sei, inviável, optemos ao menos pela educação, não por uma nova e inútil reforma. O pretexto, ademais, é energúmeno. Como escreveu magnificamente o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), houve o tempo em que a terra surgiu, redonda, do azul profundo, unida pelo mar das grandes navegações. Um mar "portuguez" (ele grafou com "z"). Hoje, os países lusófonos estão separados pela mesma língua, que foi se fazendo história. A unidade só tem passado. E nenhum futuro.
Disponível no site
Acessado em 24/ago/08

sábado, 23 de agosto de 2008

De Airton Soares - Vínculo de Amizade

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Palavras-chave:

AMIZADE, FALAR EM PÚBLICO, ORATÓRIA


Todas as declamações fazem parte dos conteúdos dos cursos por mim ministrados.

Airton Soares- Duas trovas de sua autoria - ORATÓRIA

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Palavras-chave:

FALAR EM PÚBLICO, ORATÓRIA


Todas as declamações fazem parte dos conteúdos dos cursos por mim ministrados.

Airton Soares declama - trecho- Palavras Aéreas, de Cecília Meireles

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Palavras-chave:

LINGUAGEM, MUDANÇA, PALAVRAS, SEMÂNTICA, TEXTO

Todas as declamações fazem parte dos conteúdos dos cursos por mim ministrados.

domingo, 17 de agosto de 2008

Acreditar em tudo é tolice

Por Airton Soares

PROVERBIANDO - 08
Acreditar em tudo é tolice, mas não acreditar em coisa alguma tolice é.

ONTEM, MEXENDO EM MEUS GUARDADOS,
encontrei recorte de revista com esta frase atribuída ao matemático, físico e filósofo francês Henri Poincaré: “Duvidar de tudo ou crer em tudo são duas soluções igualmente cômodas, que nos dispensam ambas de refletir.”

LOGO ME VEIO À MEMÓRIA
uma outra citação bem semelhante ao do matemático francês, de autoria do também francês e enciclopedista Denis Diderot: “É tão arriscado acreditar em tudo, como duvidar de tudo.”

E EU CÁ COM MEUS BOTÕES...
As idéias são realmente universais e o inconsciente coletivo de Jung funciona. Se bem que nesta história não podemos descartar a existência do plágio.

POR FIM,
Classifico as citações por ordem cronológica: primeira: o provérbio; segunda: a citação de Diderot ( nasceu em 1713) e por último a citação de Poincaré (nasceu em 1854).

sábado, 16 de agosto de 2008

Dourival Caymmi

foto: globo.com
Dorival Caymmi morreu neste sábado (16), cerca das 6h, aos 94 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. O compositor sofria de insuficiência renal e estava sendo tratado em sua casa desde dezembro do ano passado.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Airton Soares declama

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Poesia de Zé da Luz

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Cartas de Amor, de Fernando Pessoa

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CRISE, de Maurício Gois

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Neologismo, de Manuel Bandeira

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Meu personagem Boca Linda (BiuryFumáufi) - palestrAShow para o pessoal da fastJob

12 - Lula e as olimpíadas da China


Governo Lula - 12 agosto 2208 - dn

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Há três razões para o baixo nível universitário no Brasil.

Três razões

Por Luiz Carlos Prates, Diário Catarinense 11 08 08

Eu já ia desligar a tevê quando um sujeito, comentando os baixos índices de qualidade das universidades brasileiras, fez uma frase que me provocou uma formidável irritação. Senti o estômago dar voltas. Mas antes de dizer da frase, preciso dizer que o Enade, Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, fez-nos saber, semana passada, que o ensino superior brasileiro está na UTI do desespero. São poucas as universidades que escapam das convulsões da incompetência. Entende-se, diploma virou produto de negócios, e daí para a incompetência a relação é umbilical.

Há três razões para o baixo nível universitário no Brasil. A primeira é que as universidades são hoje instituições comerciais, haja vista que anunciam seus "produtos" a partir do valor das mensalidades e não da qualidade e da severidade do ensino. Só faltam gritar nas calçadas, como mascates da instrução: "Aproveite, aproveite, preços convidativos, entra quem quiser na universidade, aproveite..."

Essa a primeira razão da falência: a mercantilização dos diplomas. A segunda razão é que são raríssimos os bons professores em sala de aula. A maioria dos bons profissionais não quer saber de sala de aula. Dar aula só para se incomodar com bermudões mal-educados? Além disso, foi tirada dos professores a última gota de autoridade que lhes restava. A pivetada manda, põe e tira professor. A maioria dos que ficam é de "bonzinhos", isto é, os que têm sangue de barata, toleram tudo, arredondam notas, abonam faltas, contam piadas, acovardam-se, enfim.

A terceira razão é a mais importante de todas: os "estudantes" não estudam. A maioria é viciada em internet, são "pesquisadores" de internet, são coladores de internet, são bobões de internet. Estudante de internet não sabe nada. Nas provas de conhecimentos gerais, como é que um sujeito que não lê jornais, boas revistas, livros, tudo, de tudo, como é que vai saber alguma coisa da vida? Sabe nada.

E agora vem a frase que me deixou furioso. Um "educador" disse na tevê que "Os professores precisam motivar mais os alunos". Será que o sujeito não sabe que professor não motiva aluno? O bom professor pode sim fazer melhor o bom aluno, mas nenhum bom professor pode motivar vadios. E vadio é o que mais circula pelos corredores das universidades. Quem faz a escola, a universidade, apesar de todas as mazelas das instituições, é o aluno. Bons alunos fazem boas as piores escolas, maus alunos estragam a melhor escola. Não há má escola para bom aluno. Como não há boa escola para preguiçosos.


Falta dizer
Frase da Carol Castro, da novela Beleza Pura: "As plásticas, o silicone, tudo isso torna as coisas tão artificiais... Acho que os homens sentem falta de uma mulher de verdade".

Carol, queridíssima, e as mulheres não sentem falta de homens de verdade?

O diacho é achá-los, não é mesmo? O que mais há por aí é bermudão, frouxo.


Pergunta
Culpar a escola ou o professor por notas baixas é desculpa de aluno vadio. Pergunta para os pais: seu filho é visto sempre com um livro na mão, ele é leitor? Se é, que bom, esse guri vai longe.

Não, ele não lê, não é visto às voltas com livros? Como é que ele vai escrever uma redação ou responder perguntas de conhecimentos gerais?

Zomba de mim



... Zomba de mim. Tenho certeza. Zomba da minha gaiola de ferro. Ô inveja. Ele bate asas e fui....

3 decidiu conversar



Curisoso. Observa tudo. Não perde sua pose. Até zomba de mim...


2 mudando de idéia




Percebendo que eu também não estava nem aí pra ele, na verdade estava, aos poucos foi tomando chegada.

1 Indiferente




Puxei conversa. Não quis conversa. Logo que chegou, deu-me às costas. Sua indiferença não me tirou do sério, afinal há mais de um ano que espero este momento. Pelos menos a foto.



sábado, 9 de agosto de 2008

TEMPO DE ELEIÇÕES

Curta e grossa em tempos de eleições

Farinha do mesmo saco

Você eleitor que repete,

Que todo político é ladrão.

Mas vende ou troca o voto,

A cada nova eleição,

Você é igualzinho a eles,

Não vale nem um tostão.

Visite o Cantinho da Dalinha... Poesias, Crônica-cordel e muito mais...

LIVROS DO SÉCULO 20 - BRASIL

OS 100 LIVROS BRASILEIROS DO SÉCULO 20


1.Novelas Paulistanas: Brás, Bexiga e Barra Funda - Antonio de Alcântara Machado

2.A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade
3.O Tempo e o Vento - Érico Veríssimo
4.Vidas Secas - Graciliano Ramos
5.Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
6.Invenção de Orfeu - Jorge de Lima
7.Libertinagem - Manuel Bandeira
8.Macunaíma: O Herói sem Nenhum Caráter - Mário de Andrade
9.Reinações de Narizinho - Monteiro Lobato
10.Poesia Liberdade - Murilo Mendes
11.Dom Casmurro - Machado de Assis
12.Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
13.Memórias Sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade
14.Morte e Vida Severina - João Cabral de Mello Neto
15.A Hora da Estrela - Clarice Lispector
16.Gabriela, Cravo e Canela - Jorge Amado
17.Crônicas da Casa Assassinada - Lúcio Cardoso
18.Os Sertões - Euclides da Cunha
19.O Ex-Mágico - Murilo Rubião
20.O Vampiro de Curitiba - Dalton Trevisan
21.Os Cavalinhos de Platiplanto - J.J. Veiga
22.A Coleira do Cão - Rubem Fonseca
23.Ópera dos Mortos - Autran Dourado
24.A Lua vem da Ásia - Campos de Carvalho
25.Histórias do Desencontro - Lygia Fagundes Telles
26.Canaã - Graça Aranha
27.A Menina Morta - Cornélio Penna
28.A Luta Corporal - Ferreira Gullar
29.O Conde e o Passarinho - Rubem Braga
30.Baú de Ossos - Pedro Nava
31.Jeremias sem Chorar - Cassiano Ricardo
32.Faróis - Cruz e Souza
33.Vestido de Noiva - Nelson Rodrigues
34.O Pagador de Promessa - Dias Gomes
35.Navalha na Carne - Plínio Marcos
36.A Moratória - Jorge Andrade
37.Mar Absoluto - Cecília Meireles
38.O Dialeto Caipira - Amadeu Amaral
39.Princípios de Lingüística Geral - Joaquim Matoso Câmara Júnior
40. A Unidade da România Ocidental - Theodoro Henrique Maurer Jr
41. Línguas Brasileiras: para o Conhecimento das Línguas Indígenas - Aryon DallIgna Rodrigues 42.Princípios da Economia Monetária - Eugênio Gudin
43.Inflação: Gradualismo e Tratamento de Choque - Mário Henrique Simonsen
44.Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro - Maria da
Conceição Tavares
45.A Inflação Brasileira - Ignácio Rangel
46.Quinze Anos de Política Econômica - Carlos Lessa
47.A Economia Brasileira em Marcha Forçada - Antônio Barros de Castro e
Francisco Eduardo Pires de Souza
48.História Econômica do Brasil, 1500-1808 - Roberto Cochrane Simonsen
49.Desenvolvimento Econômico e Evolução Urbana - Paul Singer
50.A Lanterna na Popa: Memórias - Roberto Campos
51.Tratado de Direito Privado - Pontes de Miranda
52.Código Civil dos Estados Unidos dos Brasil - Comentado - Clóvis
Bevilacqua
53.A Cultura Brasileira: Introdução ao Estudo da Cultura no Brasil -
Fernando de Azevedo
54.Educação para a Democracia: Introdução à Adm. Educ. - Anísio Spinola
Teixeira
55.Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
56.História da Educação no Brasil - Otaíza Oliveira Romanelli
57.A Criança Problema - Arthur Ramos
58.José Bonifácio: História dos Fundadores do Império do Brasil - Octávio
Tarquínio de Sousa
59.Capítulos da História Colonial - 1500 - 1800 - João Capistrano de Abreu
60.Evolução Política do Brasil e outros Estudos - Caio Prado Jr.
61.Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado
62.Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Hollanda
63.Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial - Fernando A.
Novais
64.Da Senzala à Colônia - Emília Viotti da Costa
65.Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro - Raymundo
Faoro
66.Olinda Restaurada - Guerra e Açúcar no Nordeste - 1630/1654 - Evaldo
Cabral de Mello
67.O Escravismo Colonial - Jacob Gorender
68.A Integração do Negro na Sociedade de Classes - Florestan Fernandes
69.Casa Grande & Senzala - Gilberto Freyre
70.Formação da Literatura Brasileira - Antônio Cândido
71.A Terra e o Homem no Nordeste - Manoel Correia de Andrade
72.O Colapso do Populismo no Brasil - Octávio Ianni
73.Populações Meridionais do Brasil: Hist. Org. Psicolog. - Oliveira
Vianna
74.Teoria da História do Brasil - José Honório Rodrigues
75.Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira - Manoel de Oliveira
Lima
76.O Espaço Dividido, os dois circuitos da economia urbana dos países
subdesenvolvidos - Milton Santos
77.Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional - Fernando Henrique
Cardoso
78.Aldeamentos Paulistas - Pasquale Petrone
79.O Messianismo no Brasil e no Mundo - Maria Isaura Pereira Queiroz
80.Os Africanos no Brasil - Nina Rodrigues
81.Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira - Herbert Baldus
82.Tradição e Transição em uma Cultura Rural do Brasil - Emílio Willems
83.Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani - Egon Schaden
84.Estudos Afro-Brasileiros - Roger Bastide
85.Povoamento da Cidade de Salvador - Thales de Azevedo
86.Os Índios e a Civilização - A Integração das Populações Indígenas no
Brasil Moderno - Darcy Ribeiro
87.O índio e o Mundo dos Brancos. A situação dos Tukuma dos Altos
Solimões - Roberto Cardoso de
Oliveira
88.Bahia: A Cidade do Salvador e seu Mercado no Século XIX - Kátia M. de
Queirós Mattoso
89.O Brasil Nação. Realidade da Soberania Brasileira - Manoel Bomfim
90.A Organização Social - Alberto Torres
91.Contribuição à História das Idéias no Brasil - João Cruz Costa
92.Consciência e Realidade Social - Álvaro Vieira Pinto
93.Estudos de Literatura Brasileira - José Veríssimo
94.Construções Civis: Curso Professorado na Escola Politécnica de São
Paulo - Alexandre Albuquerque
95.Cálculo de Concreto Armado - Telemaco Van Langendonck / Associação
Brasileira de Cimento Portland,
1944-1950
96.Sobre Arquitetura - Lúcio Costa
97.Dicionário de Arquitetura Brasileira - Eduardo Corono e Carlos Lemos
98.Dicionário das Artes Plásticas no Brasil - Roberto Pontual
99.História Geral da Arte no Brasil - Walter Zanini
100.Histologia Básica - Luis Carlos Uchoa Junqueira e Jose Carneiro.


Votação promovida pela
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Via amigos do livro


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terça-feira, 29 de julho de 2008

José lira

Livro de Lira

O escritor José Lira, que só pensa grande, vai lançar seu novo livro “Brasileiro com alma africana: Antônio Olinto”, a ser editado pelo Itamaraty.

Dois lançamentos já estão agendados. Um no Prédio Itamaraty, sede primeira da Presidência da República, depois, do Ministério das Relações Exteriores, no Rio de Janeiro, dia 4 de agosto; o outro, na Academia Mineira de Letras, no dia 7 de agosto.

Lustosa da Costa, hoje no Diário do Nordeste

Livro: O Mundo dos LIVROS

(22/7/2008)
Diário do Nordeste


Batista de Lima
Assombroso Mundo dos vivos

Houve um tempo em que tínhamos medo dos mortos. As almas penadas viviam zanzando à noite nas encruzilhadas, nas portas dos cemitérios, nas casas velhas e em qualquer lugar onde a escuridão trevasse. Quem não tinha medo dessas almas, é porque estava armado com as famosas palavras: ´Quem pode mais que Deus?´ Isso era o bastante para a alma responder: ´Ninguém!´. Muitas vezes esse era o começo de um diálogo que terminava com o pedido da alma para o desenterro de uma botija, ou o paga de uma promessa não cumprida. Hoje o medo das pessoas não é mais dos mortos, e sim dos vivos. Hoje se vive preso por conta dos vivos que andam soltos.

Atento a esse fenômeno, Carlos Roberto Vazconcelos intitulou seu livro de contos de Mundo dos Vivos, já que suas narrativas giram em torno de peripécias periculosas praticadas por aqueles que nos circundam. A publicação é da Expressão Gráfica e Editora, neste 2008, que em 115 páginas, deixa escorrer 32 histórias curtas que trazem à tona mistérios e escombros deste nosso mundo dos vivos.

Dos escombros desse mundo depauperado, emergem ´seres aflitos, vivendo a sensação da impossibilidade, no limite extremo e terrível entre o chão e o pulo´, conforme afirma Juarez Leitão, nas orelhas do livro. Já no prefácio, o saudoso Alcides Pinto prospecta nos contos, ´um sensualismo por vezes mórbido, por vezes dramático a percorrer a epiderme das personagens´. Não foi pois sem razão que essa coletânea de narrativas de Carlos Roberto ganhou o Prêmio Osmundo Pontes de Literatura, em 2007. Esse, no entanto, não é o primeiro prêmio literário ganho pelo autor. Afinal, desde o tempo de estudante, em sua terra natal, Tianguá, que ele vem ganhando certames literários, com suas narrativas que já pontificaram publicadas em antologias, revistas e jornais de nossa terra.

As narrativas desse primeiro livro de Carlos Roberto Vazconcelos são curtas, à moda Dalton Trevisan, mas carregadas de momentos inusitados, como armadilhas, tocaias e demais surpresas que surpreendem o leitor, como inclusive seu próprio sobrenome que é um ´Vazconcelos´ com ´Z´ e não com ´S´. Das tocaias da escritura às da pistolagem explícita dos nossos sertões , o autor trafega sem tropeços, mostrando seu conhecimento da arte de narrar em sintonia com os conheceres do grande sertão que nunca desgruda dos costados de quem nele nasceu.


Interessante é a epígrafe do livro, retirada de Máximo Gorki, que fiz: ´O que é pena é a vida mostrar-se pelo pior lado´. Coerentes com esse dizer, os contos vão mostrando do que são capazes certos viventes que nos cercam e que maculam muitas vezes o que há de belo e romântico em nossas vidas. Vivemos hoje sitiados nesse mundo dos vivos onde a inocência se enclausura em verdadeiras trincheiras para sobreviver à maledicência que impera nas ruas. Carlos Roberto atento a esse paradoxo mostra as entranhas de um cotidiano submerso em violências.

Esse cotidiano de violência possui razões sociais como a má distribuição da renda, mas há também razões familiares, desajustes que começam na falta de convívio harmonioso entre casais. Em ´Perdas e danos´ está uma das razões: ´Meu pai nunca fumou. Um belo dia, saiu para comprar cigarro e nunca mais voltou´. Esse é o primeiro episódio de que se lembra o personagem que termina por se tornar um frio matador. Mata as pessoas com uma frieza que cresce à proporção que vai fazendo vítimas. Lá pelas tantas, no entanto, ele conclui: ´... em minha vida tudo foi sempre tarde demais. Tarde demais para ser criança, tarde demais para ser família´.
Outros tipos de violência vão sendo tratados no livro. Assim é o caso de ´Em nome do Pai... e do Coronel´. O pistoleiro é instado a fazer sua última missão, e vacila. A serenidade da idade madura é o que move o interesse do pistoleiro aposentado a uma tentativa de não se envolver mais com tocaias. Essa violência é a mesma que leva o marido a sacrificar a esposa quando descobre que ela está grávida, mesmo sendo ele um homem estéril. E assim vão desfilando histórias sempre marcadas pela presença de tânatos, como a do personagem descrevendo sua própria morte em ´A inescrutável face da morte´.

Essa morte é ´um escorregão idiota num dia de sol´. Essa morte está sempre se contrapondo a uma vida que teima em vingar. É um jogo de contrastes que se torna uma das marcas do estilo do autor. Por exemplo: ´Nunca me senti tão pequeno. Jamais chorei tão grande (...) Saí do sono como quem entra num pesadelo´. ´Minha mãe perdia peso e eu ganhava nome (...) Perdi também um irmãozinho antes mesmo de ganhá-lo´.


Com relação ao perfil de seus personagens, Carlos Roberto sempre os surpreende em seus momentos culminantes. São criaturas que estão com um pé no abismo. Ou pelo envelhecimento, ou pelo risco de vida que a situação impõe. Quando não é essa culminância, é uma situação inusitada que põe o personagem num patamar diferente do senso comum. É o caso do escrevinhador que escreve cartas para si próprio. ´Não vejo a hora de postar esta carta e voltar imediatamente para recebê-la´. Ou ainda o personagem que emagrece ao ler Dom Quixote. Então a mãe começa por esconder livros grandes para preservar a saúde do filho. Essa situação nos remete ao próprio Dom Quixote, no episódio em que os delírios do cavaleiro da triste figura são atribuídos às suas leituras. Então queimam-lhe os livros.

Por fim chega-se ao final do livro de Carlos Roberto com aquela vontade de encontrar outras histórias a mais. O bom narrador tem essa característica, despertar no receptor a fome de mais querer histórias. Daí que fica o pedido para saciar essa ânsia, que venha logo o próximo livro.

Livro póstumo do jornalista Branchard Girão

"A invasão dos cabelos dourados" - Livro póstumo de Blanchard Girão

O livro é uma reportagem memorialística sobre a presença de soldados norte-americanos no Ceará, no período da II Guerra Mundial. Nele, Blanchard Girão reconstitui a atmosfera da época e recupera episódios do encontro entres os soldados do Tio Sam e a provinciana sociedade cearense dos anos 40 . . . Leia mais no blog EVALDO LIMA E AMIGOS. Blog pra lá de bom!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

João Ubaldo ganha prêmio

LITERATURA BRASILEIRA

edição 2008 do Prêmio Camões - uol

Baiano autor de "A Casa dos Budas Ditosos" e "Sargento Getúlio" é o 8º brasileiro a receber o Prêmio Camões, criado em 1988
Lisboa, 26 jul (Lusa) - O escritor João Ubaldo Ribeiro é o vencedor do Prêmio Camões 2008, a mais importante homenagem atribuída a autores de língua portuguesa.

João Ubaldo é oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com o prêmio, que na sua edição anterior foi para o português António Lobo Antunes.

O escritor baiano nasceu na ilha de Itaparica, em 23 de janeiro de 1941. Entre seus livros mais famosos estão "Setembro não faz sentido", "Sargento Getúlio", vencedor do Prêmio Jabuti em 1972, "Viva o povo brasileiro", "O Sorriso do lagarto" e "A Casa dos Budas Ditosos".

O escritor viveu em Lisboa em 1981, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, e ao longo da sua carreira recebeu vários prêmios e teve algumas obras adaptadas para televisão.

Iniciou a sua vida profissional como jornalista no Jornal da Bahia, em 1957, e no ano seguinte editou revistas e jornais culturais, tendo dado os primeiros passos na literatura com a participação na antologia "Panorama do Conto Baiano", organizada por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia, com "Lugar e Circunstância".

O escritor foi também responsável pela adaptação cinematográfica do romance de Jorge Amado "Tieta do Agreste", com a atriz brasileira Sônia Braga no papel principal.

Histórico

João Ubaldo Ribeiro foi eleito por um júri formado por professores de universidades brasileiras e portuguesas, além de dois escritores de Cabo Verde.

Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o prêmio distingue, anualmente, um autor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

O escritor português Miguel Torga inaugurou em 1989, no primeiro ano da atribuição do prêmio, a lista dos vencedores.

Desde então, foram distinguidos nove autores portugueses, sete brasileiros, um moçambicano e dois angolanos. Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau não tiveram ainda nenhum autor premiado.

Qual é a felicidade possível

Leonardo Boff
teólogo


A felicidade é um dos bens mais ansiados pelo ser humano. Mas não pode ser comprada nem no mercado, nem bolsa, nem nos bancos. Apesar disso, ao redor dela se criou toda uma indústria que vem sob o nome de auto-ajuda. Com cacos de ciência e de psicologia, procura-se oferecer uma fórmula infalível para alcançar "a vida que você sempre sonhou". Confrontada, entretanto, com o curso irrefragável das coisas, ela se mostra insustentável e falaciosa.


Curiosamente, a maioria dos que buscam a felicidade intui que não pode encontrá-la na ciência pura ou nalgum centro tecnológico. Vai a um pai ou mãe-de- santo ou a um centro espírita ou freqüenta um grupo carismático, consulta um guru ou lê o horóscopo ou estuda o I-Ching da felicidade. Tem consciência de que a produção da felicidade não está na razão analítica e calculatória, mas na razão sensível e na inteligência emocional e cordial. Isso porque a felicidade deve vir de dentro, do coração e da sensibilidade.

Para dizer logo, sem outras mediações, não se pode ir direto à felicidade. Quem o faz, é quase sempre infeliz. A felicidade resulta de algo anterior: da essência do ser humano e de um sentido de justa medida em tudo.

A essência do ser humano reside na capacidade de relações. Ele é um nó de relações, uma espécie de rizoma, cujas raízes apontam para todas as direções. Só se realiza quando ativa continuamente sua panrelacionalidade, com o universo, com a natureza, com a sociedade, com as pessoas, com o seu próprio coração e com Deus. Essa relação com o diferente lhe permite a troca, o enriquecimento e a transformação. Deste jogo de relações, nasce a felicidade ou a infelicidade na proporção da qualidade destes relacionamentos. Fora da relação não há felicidade possível.

Mas isso não basta. Importa viver um sentido profundo de justa medida no quadro da concreta condição humana. Esta é feita de realizações e de frustrações, de violência e de carinho, de monotonia do cotidiano e de emergências surpreeendentes, de saúde, de doença e, por fim, de morte.

Ser feliz é encontrar a justa medida em relação a estas polarizações. Daí nasce um equilíbrio criativo: sem ser pessimista demais porque vê as sombras, nem otimista demais porque percebe as luzes. Ser concretamente realista, assumindo criativamente a incompletude da vida humana, tentando, dia a dia, escrever direito por linhas tortas.

A felicidade depende desta atitude, especialmente quando nos confrontamos com os limites incontornáveis, como, por exemplo, as frustrações e a morte. De nada adianta ser revoltado ou resignado. Mas tudo muda se formos criativos: fazer dos limites fontes de energia e de crescimento. É o que chamamos de resiliência: a arte de tirar vantagens das dificuldades e dos fracassos.

Aqui tem seu lugar um sentido espiritual da vida, sem o qual a felicidade não se sustenta a médio e a longo prazo. Então aparece que a morte não é inimiga da vida, mas um salto rumo a uma outra ordem mais alta. Se nos sentimos na palma das mãos de Deus, serenamos. Morrer é mergulhar na Fonte. Desta forma, como diz Pedro Demo, um pensador que no Brasil melhor estudou a "Dialética da Felicidade" (em três volumes, pela Vozes): "Se não dá para trazer o céu para terra, pelo menos podemos aproximar o céu da terra". Eis a singela e possível felicidade que podemos penosamente conquistar como filhos e filhas de Adão e Eva decaídos.

[ 21/07/2008 ] Jornal do Brasil

sábado, 26 de julho de 2008

. . . . . . . . . . . . . . Luiz Carlos Prates,

Tempo
Vivo me dizendo que ando sem tempo... Bobagens ditas por quem não se organizou para "melhorar" o tempo. Agora, abri um livrinho desses de ler na parada de ônibus e o autor dizia: "Relaxe por duas horas por dia, mudará a qualidade do seu trabalho e da sua vida". Das duas, uma: ou ele é louco ou eu sou burro.


Horror
Manchete do jornal: "Eleitor analfabeto é maioria em 17% das cidades do país". Santo Deus, qual pode ser o futuro de um país destes se o número de candidatos analfabetos é tão ou maior que esses eleitores? Explica-se por que tantos protestam contra a "lei seca" no trânsito.

Falta dizer
Às vezes, tenho pena do Papa, só às vezes. Pois não é que ele anda dizendo por aí que os jovens têm que deixar de lado a ganância e o cinismo? Não há como, senhor!
Os jovens seguem os pais, e os pais são hoje casos de polícia. As mães, vulgares; e os pais nada têm de homens, são, na regra, bobões ameninados. A gurizada está órfã de pais vivos.

fiapos de C O V E R S A

103. . . letr AS - sábado


: : TIN-TIN! (26 jul)

1885 - André Maurois, escritor francês (m. 1967).
1894 - Aldous Huxley, escritor (m. 1963)

: : "NÓS ESCRITORES, será que sou?, sabemos desta lembrança, mas é mais gostoso ver e ouvir alguém dizer algo, é um sinal de reconhecimento." (Tobias Sampaio. )

: : A PROPÓSITO da frase do confrade Tobias, acabo de receber um telegrama ..-..-. de Mark Twain, famoso escritor, humorista e romancista estadunidense: "Todos nós ansiamos por alguns salpicos de notoriedade." pt.

: : NO DIA 25 de julho de 1960, aconteceu o primeiro festival brasileiro de escritores. A partir desse dia o presidente João Peregrino Júnior e o vice Jorge Amado, também da união brasileira de escritores, juntos oficializaram depois do festival esta data.( Li por Aí.)

: : “NE SUTOR SUPRA CREPIDAM", ou seja, “Sapateiro, não subas além da sandália”, `como disse o pintor Apeles a um sapateiro que criticara uma parte de uma pintura sua que não a sandália.´ (Olívio martins). Obs.: para entender a citação leia em ARTIGOS E CRÔNICAS, aqui neste LdV, a Crônica ESTAÇÃO DE IPU - MEMÓRIAS.

: : “ OS ELEITORES enchem as urnas e os políticos enchem os bo lsos.” ( jpMourão )

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Faz de conta que a partir desta linha já é domingo, 27. Em sendo assim, ninguém pode dizer que o texto é longo. rsrsrsr
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: : POR FALAR EM ESPIRRO... Uma coisa é certa, amigo Paulo Rocha: o espirro é uma linguagem universal. Toda cristão entende.

: : ATCHIN!.

A vida é um livro aberto,

em forma de espiral,

um espirro,

uma página,

uma vida,

um capítulo,

Saúde. . . . . . . . . . . . . . blog do Gabriel


A braço S

Estou por aqui. Aguardo com prazer sua visita.


http://airton.soares.zip.net

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Rubem Alves - Seduzindo para o prazer de ler

DIA DO ESCRITOR
li, gostei e compartilho

101. . . . Letr AS - sex 25 jul


"O escritor não escreve com intenções didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer. Para fazer amor. Escrever e ler são formas de fazer amor. É por isso que os amores pobres em literatura ou são de vida curta, ou são de vida longa e tediosa...

Parodiando as palavras de Jesus, "nem só de beijos e transas viverá o amor, mas de toda palavra que sai das mãos dos escritores...." RUBEM ALVES. Educação dos Sentidos. Campinas, SP: Veras, 2005. Título: Seduzindo para o prazer de ler."

Leon Tolstoi

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74

Gênio da literatura

Escreveu LEON TOLSTOI

O romance da bravura:

Guerra e Paz - obra de herói. :: Severino Fernandes Guerra

Juvenal galeno

.
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73

É de Juvenal galeno

Esta Casa de Cultura.

E nela o grande e o pequeno

São vistos na mesma altura. :: Severino Fernandes Guerra*

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Nasceu no dia 20 de agosto d 1937, na cidade de Antenor Navarro, Paraíba. Engenheiro Civil. Membro da UBC-Ce. Trova do seu livro Cantigas do meu sonhar...
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quarta-feira, 23 de julho de 2008

PISCAR DE OLHOS

Luiz Carlos Prates

Por que os casamentos - ou os "ajuntamentos", que é o que mais existe hoje - por que estão durando tão pouco? Já contei aqui que o casamento mais longevo do Brasil, segundo o IBGE, é o casamento gaúcho, está durando na média 12 anos. Na média. Um casamento que dura 12 anos, na verdade começou a ruir no segundo ou terceiro ano, se tanto. O resto do tempo foi um longo gemido até à separação.

Volto à pergunta: por que os casamentos estão durando tão pouco? No básico, por duas razões: pressa, urgência pela "posse" do outro, e leviandade dos parceiros, escolhas assentadas sobre tolices que não sustentam bons relacionamentos humanos. Vim até aqui, leitora, para dizer que ontem reli trechos que eu já havia sublinhado na primeira leitura do livro Blink. Blink em inglês é piscar dos olhos. É um livro que trata das percepções humanas em escassos segundos. No resumo, diz o autor do livro - Malcolm Gladwell - somos capazes de uma formidável percepção de realidades num abrir e fechar dos olhos, sem que isso signifique figura retórica, pura verdade.

Penso que também já contei aqui de uma experiência feita pelo autor e seus alunos e que comprova nossa magnífica capacidade de "enxergar" realidades em tempos de segundos ou menos que isso. Um dos exemplos mais significativos das experiências do autor foi reunir alguns pares de noivos, jovens que estavam se aprontando para o casamento, levá-los para um restaurante e oferecer-lhes um jantar. Em mesas ao lado das mesas dos jovens noivos, havia outras mesas, bem próximas.

Nessas mesas estavam observadores, mas ninguém sabia deles. Cabia a esses observadores, psicólogos muito bem treinados na área da percepção blink, isto é, num piscar de olhos, ouvir poucos segundos da conversa dos noivos. Desse tempinho, eles fariam prognósticos sobre quais casais ficariam casados por mais tempo e quem se separaria sem muita demora. O tempo passou, os jovens casaram, e os observadores os seguiram.

Acertaram em cheio sobre quem ia se separar ou separar-se por primeiro ou não se iam separar, acertaram direitinho. A pesquisa visava a exatamente isso, comprovar que é possível em poucos segundos fazer um prognóstico sobre o futuro conjugal ou profissional das pessoas.

Concordo, mas se esse apuro de percepção for levado para todos os namoros, acabarão os casamentos. Os casamentos só continuam a existir porque eles e elas ficam cegos e surdos durante o namoro. Quem quiser conhecer o outro, basta piscar os olhos... E sair correndo.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Profissão do futuro

RUY CASTRO - Folha de São Paulo- 21/07/2008

RIO DE JANEIRO - Em Porto Amazonas (78 km de Curitiba), há uma semana, uma estudante de 21 anos foi morta pela PM paranaense com um tiro na cabeça, após o seu carro bater acidentalmente no da polícia, enquanto esta perseguia uma quadrilha em outro carro. Um dos policiais supôs que a batida fosse de propósito e já saiu disparando. A ação lembrou aquela acontecida na Tijuca, no Rio, dias antes, em que uma senhora teve o carro fuzilado pela polícia e um filho morto.


Na quarta-feira passada, em Bonsucesso, também no Rio, outro inocente -desta vez, um funcionário das Organizações Globo- foi seqüestrado em seu carro por um bandido, teve o carro perseguido e morreu baleado pelos PMs. Para a polícia, os dois ocupantes seriam bandidos. Para que não se diga que a PM só mata, dois policiais militares foram mortos a tiros na Fonte da Saudade, ainda no Rio, na manhã de quinta, e outro no Jardim Guanca, zona norte de São Paulo, na madrugada de sexta.

Na mesma sexta, de manhã, oito homens morreram numa favela em Realengo, no Rio, em confronto com a PM. À tarde, um assalto a banco em Jardim Peri-Peri, zona oeste de São Paulo, terminou com um policial civil e dois bandidos mortos a tiros, além de uma menina de sete anos, atropelada pelos criminosos em fuga.

É um perpétuo faroeste. Pela quantidade de fuzis, pistolas, balas e granadas em ação, imagino que a profissão de armeiro seja hoje uma das mais valorizadas do país. Serviço não falta -afinal, alguém tem de cuidar do armamento da polícia, dos bandidos e das milícias, alinhando as miras e azeitando os canos.

Pela intensidade do uso, pode ser até que falte armeiro no mercado. A ponto de, quem sabe, os melhores do ramo serem solicitados a prestar serviços para uma, duas ou mesmo as três partes.

sábado, 5 de julho de 2008

VOCABULÁRIO

85. . . . . . . . letr AS

Sábado, 05 de julho de 2008 - 9h31min
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sopro da vida - VIDA... VIDA SIMPLES


Nas curvas do desalento
quando a paixão ME CONVIDA
eu largo a velhice ao vento
e bebo o sopro da vida! - - - - - Eduardo toledo


Disse Hélio Schwartsman, na FolhaOnline em 7/8/03: Quem melhor captou esse sentimento falando das coisas simples da vida foi Virgílio: "Sed fugit interea, fugit inreparabile tempus, singula dum capti circumvectamur amore" ("Geórgicas", 3, 284).

Na bela, mas pouco literal tradução de António Feliciano de Castilho isso dá:

"Quisera abranger tudo,
e tudo ME CONVIDA;
mas o tempo é fugaz,
e curta e incerta a vida".

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MINHA DÚVIDA
Será que “Me convida”, neste contexto significa `me atrai,´ ` me fascina´?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Amor nos três pavimentos

Sempre Vinicius
19/10/1913



Eu não sei tocar, mas se você pedir
Eu toco violino fagote trombone saxofone.
Eu não sei cantar, mas se você pedir
Dou um beijo na lua, bebo mel himeto
Pra cantar melhor.
Se você pedir eu mato o papa, eu tomo cicuta
Eu faço tudo que você quiser.

Você querendo, você me pede, um brinco, um namorado
Que eu te arranjo logo.
Você quer fazer verso? É tão simples!... você assina
Ninguém vai saber.
Se você me pedir, eu trabalho dobrado
Só pra te agradar.

Se você quisesse!... até na morte eu ia
Descobrir poesia.
Te recitava as Pombas, tirava modinhas
Pra te adormecer.
Até um gurizinho, se você deixar
Eu dou pra você...


in Novos Poemas
in Poesia completa e prosa: "A saudade do cotidiano"

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Leituras Educadoras

Em seu novo livro, o lingüista Tzvetan Todorov defende que a literatura deve estar mais próxima da busca de sentidos para a vida do que da análise das estruturas textuais

Gabriel Perissé



O livro La littérature en péril (A literatura em perigo, ainda sem tradução no Brasil), de Tzvetan Todorov (Editora Flammarion, 2007), vem encontrando acolhida inusitada. Suas aparentemente modestas 94 páginas escondem, e revelam, grandes pretensões. Ou pelo menos uma grande e louvável pretensão: salvar a literatura!

Nesse ensaio fascinante, de tranqüila lucidez, Todorov (nascido na Bulgária em 1939) defende uma única idéia: precisamos aprender com a literatura, redescobrir sua força didática, didática no melhor sentido da palavra. Um romance, um poema, um conto ajudam-nos a descobrir facetas ignoradas do nosso entorno. Como discurso interpretativo carregado de sentido, faz-nos compreender melhor quem somos, para onde vamos, de onde viemos.

Quando era estudante e jovem pesquisador universitário, porém, vivendo num país do bloco comunista, Todorov sabia ser arriscado abordar a literatura do ponto de vista de seu conteúdo explosivo.

Era grande o risco de cair em "heresias", ferir a ideologia reinante, expor-se à desconfiança do sistema de dogmas dominante. Por isso a opção formalista, a preocupação com a estrutura das obras literárias, a busca de certa neutralidade. Ficassem as idéias e sensações subversivas para outro dia qualquer, ou para quando viesse outro regime.

Mais tarde, em 1963, Todorov foi trabalhar na França, tornando-se em alguns anos referência acadêmica obrigatória. Seu nome, ao lado de gigantes como Barthes, Genette e Jakobson, ficou para sempre associado ao estudo do funcionamento do texto literário. No contexto das faculdades de Letras do Brasil, o recurso vinha a calhar. Também nas nossas décadas de 60 e 70 era perigoso falar de literatura nua e crua. Sejamos, portanto, estruturalistas!

Retorno à condição humana

Passaram-se quatro décadas. Todorov está hoje mais preocupado com o sangue e as entranhas da literatura do que com seus mecanismos. A literatura, em sua pungência, em sua beleza, nos ajuda a viver, faz com que imaginemos novas formas de conceber e configurar o mundo. Mais do que objeto de estudo para um grupo seleto, nos permite a todos vislumbrar a condição humana, com suas contradições e loucuras - nossas contradições, nossas loucuras. Quixote, Gregor Samsa, Fausto são personagens mais vivos do que as pessoas que nos rodeiam. Mais vivos, e instigantes. Inesquecíveis "professores" da existência.

Todorov faz o alerta: a literatura corre sérios riscos. A escola e a universidade tornaram a literatura um pretexto, um trampolim para estudar os textos enquanto textos, e somente enquanto textos. Colocaram-na no tubo de ensaio. Sobre ela está o microscópio. Por força das análises estruturais, atentas à obra literária em si, atentas aos elementos internos da obra, abstraindo-se de sua relação com o mundo, com as pessoas comuns, com os grandes temas da vida... essas obras perderam seu ferrão, digamos assim. Aos nossos olhos, sobretudo aos olhos de quem estudou literatura e fez desse estudo a sua profissão... eis um belo objeto de análise. E os eficientes instrumentos de análise passam a ser mais importantes e mais belos do que o objeto analisado!

O perigo está em deixar a literatura em segundo plano, em último plano, enaltecendo as teorias literárias à custa do poema, do conto, das histórias que este ou aquele autor veio nos contar... O teórico não se emociona com as histórias, não se deixa envolver por seu encanto, não permite que se misturem às biografias reais das pessoas reais. Sua principal função como teórico é analisar, separar, distinguir, virar o objeto do avesso, fazer considerações sobre a metalinguagem, equacionar a literariedade do poemático, investigar os actantes presentes na textua­lidade do romance...

A letra, o sentido e os valores

Sem abandonar a letra, Todorov no entanto quer afastar-se desse mundo de especialistas que ele mesmo ajudou a criar. Em vez de nos esfalfarmos tanto para detectar o modo como os livros foram construídos, em vez de nos debruçarmos tão-somente sobre a materialidade do texto pensando em suas formas lingüísticas, atentemos para o que os livros falam, e para o impacto que produzem em nós... Os livros não são objetos fechados e absolutos. Na realidade, a literatura é perigosa porque põe em xeque nossas concepções de mundo, porque abre portas e janelas, desencadeia a memória, cutuca a imaginação, provoca abalos em nossas certezas, propõe valores, questiona outros, oferece a chance de pensarmos no sentido da vida.

Todorov está, perigosamente, lembrando aos professores, críticos literários e aos próprios escritores que todos devemos ser leitores comuns, gente como a gente cuja secreta ambição é procurar na literatura algo mais do que um "artefato" que possua em si mesmo sua justificativa, ou que sirva como pretexto para produzir teses acadêmicas ou ensaios eruditos para eruditos leitores.

O leitor comum, mesmo que não o expresse, procura na literatura o não-acadêmico, o não-sofisticado. Procura, para dizer de um modo positivo, as questões humanas tratadas de modo vivo e apaixonante, procura a aventura, os dilemas, as paixões, os dramas, as surpresas, quer sofrer e alegrar-se ao longo da leitura, fugir, como dizia o poeta Mario Quintana... para a realidade! A realidade paradoxal do texto ficcional. O leitor comum não possui técnicas de leitura e análise, mas é a este leitor que o escritor se dirige... e não aos críticos especializados.

Molière, por exemplo, lia suas peças para o cozinheiro, vendo neste o seu crítico mais exigente. O pensador romeno Emil Cioran, num dos seus amargos (mas inteligentes) aforismos, disse: "Gosto de ler como o porteiro de um prédio lê: identificando-me com o autor e com o livro. Qualquer outra atitude me faz pensar num despedaçador de cadáveres". A percepção está correta. O leitor pode até vir a ser um crítico literário, mas a leitura para valer implica essa identificação que, aos olhos dos mais pedantes, é coisa de gente despreparada.

Para salvar a literatura do perigo que corre, o perigo de tornar-se desinteressante, cadáver dissecado, enterrado e esquecido nas estantes, temos de reaver a sua capacidade (perigosa capacidade!) de ser experiência viva, e experiência ensinante. Grandes autores como Guimarães Rosa, Dante, Nelson Rodrigues, Thomas Mann e Kafka nos ensinam, ao seu modo, ao modo poético, teatral, dramático, ao modo ficcional, o que antropólogos, sociólogos e filósofos também procuram nos dizer empregando a terminologia filosófica, sociológica, antropológica...

A escola e a universidade pecam se exigem dos alunos que conheçam não tanto a obra literária em sua beleza, em sua contundência, mas aquilo que a enquadra de modo mais ou menos rígido: classificações, métodos e categorias de análise, referenciais teóricos... ou seja, o que vive da literatura mas não é literatura, não provoca, não apaixona, não transforma o leitor.

Mestres de vida

Todorov faz uma proposta simples e revolucionária. Ir ao encontro da literatura para ter aulas existenciais com Shakespeare e Sófocles, Baudelaire e Balzac, Dostoievski e Proust. Um ensino excepcional!

Afastar-se da dissecação científica do texto literário não significa, porém, entregar-se ao puro prazer da leitura, sem critérios ou objetivos. O leitor comum precisa aprender a ler melhor para melhor aprender com o que lê. Pensar com rigor, como diz o pensador espanhol Alfonso López Quintás, que há muitas décadas, à margem das modas, tem se dedicado a estudar a experiência estética e seu poder formativo.

Em seu livro Cómo formarse en ética a traves de la literatura (Ediciones Rialp, 1994), López Quintás propõe um método de leitura acessível, mas nem por isso menos eficiente. Autores como Hemingway, Samuel Beckett, García Lorca e Herman Hesse são lidos como mestres de vida, cujas obras nos apresentam a condição humana em sua ambigüidade, em sua desconcertante realidade. Não se trata de "didatizar" a literatura, mas descobrir na trama de um romance, nas imagens de um poema, na força expressiva de um texto diagnósticos profundos do homem de ontem, que, afinal, não é tão diferente do de hoje.

A leitura de obras literárias pode contribuir para o nosso aperfeiçoamento como seres humanos? Pode nos ajudar a repensar nossa maneira de viver? Pode ser, em suma, uma leitura educadora?

Combinando a proposta de López Quintás com o alerta de Todorov, é possível responder que sim. Ressuscitar o gosto da leitura, não tanto pela busca do prazer e da distração, mas como atividade intelectual rica de possibilidades, intuições e descobertas existenciais.

* Gabriel Perissé é doutor em Filosofia da Educação (USP) e professor do Programa de Mestrado da Universidade Nove de Julho (SP). www.perisse.com.br

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12444

AGRADECIMENTO :: IRACEMA, a virgem dos...

- - - - - - - - - - - - letrAS nº 79

Segunda-feira, 23 de junho de 2008 - 08h01min

. . . . . . . AGRADEÇO comentário - bem urdido e `enzimático´- do nosso MOTIVADO e acadêmico jpMourão acerca da minha palestra NOSSA VIDA SE RESUME EM TEXTO, ministrada sábado, 14, - Reunião AILCA - Fortaleza. Próxima palestra: Com o professor Valdemir Mourão em Ipu.

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"E IRACEMA DE JOSÉ DE ALENCAR,
vocês leram? Zé, o precursor do indianismo – de índios agora sendo cercados por grileiros e legislações –, criou essa mítica Iracema, extraordinária índia tabajara.

O ESCRITOR CEARENSE
exibe-a como maravilhoso símbolo sensual primitivo do século XVII, eternizando-a como a virgem dos lábios de mel."

E TODO MUNDO PASSOU
a repetir o epíteto. Mas nós, do Pasquim, estudiosos de modos e costumes, achamos pouco. Avançada pro seu tempo. Iracema era mais do que sensual, era sexual. E passamos a chamá-la de a virgem dos grandes lábios de mel. "

Millôr Fernandes na Revista VEJA - 18/06/2008.

Veja imagem no blog LI POR AÍ
http://airton.soares.zip.net

domingo, 22 de junho de 2008

MACHADO DE ASSIS :: BRASILEIRO SEM MEMÓRIA

. . . . . . . . . . . . . letrAS nº 78


Sábado, dia de feira, 21 de junho de 2008 < 12h01min
.
.
Tintin!
MACHADO DE ASSIS
(Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, considerado um dos mais importantes nomes da literatura desse país e identificado, pelo crítico Harold Bloom, como o maior escritor afro-descendente de todos os tempos.

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Ano 09 - nº 401 - 02/06/2008
www.consultexto.com.br

Em entrevista, na última quinta-feira, ao jornal Folha de S.Paulo, o neurocientista brasileiro Ivan Izquierdo voltou a afirmar que a leitura é o mais completo exercício para a memória.

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“Quando lemos, fazemos um
scanner do universo inteiro que
o cérebro conhece.
Não há nenhuma outra atividade
cerebral que chegue perto disso.”
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Por ironia, o jornal estampa, na mesma edição, os resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope/Instituto Pró-Livro. O “retrato” continua feio.

A leitura aparece como quinta opção para o tempo livre e, pior, 45% dizem simplesmente que não gostam de ler.

Etimologia <> DETERMINAÇÃO

. . . . . . . LetrArte nº 77

Quarta- feira ,18 de junho de 2008 - 20h25min

etimologia
DETERMINAÇÃO
Uma ação junto do término < DE+ TERMIN + AÇÃO

- - - - - - - - - - Pai! Afasta de mim esse `cale- se´
- - - - - - - - - - - - Como é difícil
- - - - - - - - - - - - - -Acordar calado
- - - - - - - - - - - - - - Se na calada da noite
- - - - - - - - - - - - - - - - Eu me dano

“Calar-me não vou - enquanto as placas não forem apostas, por esta ou por outra
administração municipal, vou continuar lembrando, cobrando, e depois que elas
forem colocadas, vou agradecer. Alegremente!”.
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Nome: JOÃO PEREIRA MOURÃO
Assunto: Telefonema maligno - 18/06/2008

terça-feira, 17 de junho de 2008

Língua Portuguesa

Reforma ortográfica da Língua Portuguesa: sou contra e tenho boas razões para isso.../ Armando Alexandre dos Santos


Está em curso, presentemente, a efetivação da primeira reforma ortográfica da Língua Portuguesa deste século e deste milênio. Nos últimos cem anos, houve duas grandes reformas ortográficas de nosso idioma no Brasil, e três em Portugal, sem contar outros pequenos ajustes, em ambos os países. Resumidamente, a ortografia de nossa língua teve várias fases.

Primeira fase - puramente fonética

Inicialmente, era inteiramente fonética, ou seja, cada qual escrevia como falava e como ouvia. Daí decorria, é claro, uma grande variedade de grafias, de modo que não se podia falar em modo de escrever oficial e não se podia, portanto, falar propriamente em ortografia (etimologicamente, escrita correta, do grego orto, certo e graphos, escrita). Cada qual escrevia como bem entendia. Fenômeno similar ocorria em todas as línguas, não só no português, e se devia ao fato de serem relativamente poucas as pessoas alfabetizadas e serem muito menos numerosos do que hoje os documentos escritos.
Com a invenção da imprensa, por Guttenberg (século XV), generalizaram-se os livros impressos, e também se generalizaram a escrita e a leitura, que deixaram de ser privilégio de poucos letrados. Antes disso, pessoas cultas e influentes havia... que não sabiam ler! Isso pode parecer estranho hoje em dia, mas era assim.
Ler e escrever, durante muito tempo, não foi considerado algo importante para o exercício de funções públicas ou de liderança. O grande imperador Carlos Magno, por exemplo, consta que somente aprendeu a ler depois de adulto, depois de ter durante vários anos exercido a realeza e até participado, com opiniões teológicas muito ajustadas, de concílios regionais de bispos.
Nessa primeira fase, cada qual escrevia à vontade, inexistindo de todo uma norma de grafia. A palavra sapato, por exemplo, tanto poderia ser grafada como hoje o fazemos, como poderia ser ssapato ou çapato, ao arbítrio de quem escrevia.

Segunda fase - ortografia etimológica

Com a Renascença e a difusão dos incunábulos, tornou-se cada vez maior a influência dos legistas na cultura européia, especialmente a partir da célebre Universidade de Bolonha. Estudou em Bolonha o famoso Doutor João das Regras, que teve grande influência na corte do Rei D. João I, de Portugal, e dali haveria de marcar a cultura portuguesa.
Os intelectuais dessa corrente, entusiastas da velha civilização greco-romana desaparecida havia um milênio, começaram a prestigiar uma nova forma de escrever, mais fiel aos radicais originários gregos e latinos. Nos séculos seguintes, prolongou-se a influência dessa corrente na língua, predominando a idéia de que a grafia de uma palavra não deve se limitar a exprimir o seu som, mas deve também fornecer elementos que permitam, à pessoa culta, distinguir as raízes originárias da palavra e, assim, identificar o seu sentido.

E, diga-se de passagem, não deixavam de ter certa razão. Um exemplo, entre milhares de outros: lendo que Deus é "omnisciente", a pessoa culta imediatamente dividia, em sua mente, a palavra em duas partes: omni (forma latina de omnis, omne, que significa tudo) e sciente (que vem do verbo scio, no infinitivo scire, que significa saber). Assim, omnisciente é aquele que sabe tudo. A própria grafia fornecia elementos para a intelecção do significado da palavra.
Chegou-se, entretanto, a abusos verdadeiramente caricatos. Por exemplo, o verbo aborrecer grafava-se abhorrescer (de ab-horreo). E, como não podia deixar de ser, havia grafias divergentes: filosofia, philosophia, filosophia, philosofia... sempre ao gosto e ao arbítrio de quem escrevia.
Não havia, pois, uma regra fixa, geralmente aceita e reconhecida como normativa.

Terceira fase - ortografia fonética

Na segunda metade do século XIX e em princípios do século XX, houve grandes polêmicas, em Portugal e no Brasil, sobre o critério que deveria determinar a forma correta de grafar as palavras. Dois grandes dicionaristas lusos marcam bem as duas posições principais.
Em primeiro lugar, Caldas Aulete, autor do "Diccionario Contemporaneo da Lingua Portugueza" (1ª edição, Lisboa, 1881), era francamente favorável à escrita etimológica. Transcrevamos suas palavras, tiradas da introdução da obra, na ortografia própria:

"Adoptâmos a orthographia etymologica para os termos de origem erudita e historica, e para as palavras populares a fórma popular. Todavia a tendencia moderna é ir substituindo o elemento popular pelo etymologico. Hoje, geralmente, escreve-se egreja em vez de igreja; egual em vez de igual; similhante em vez de semelhante; logar em vez de lugar, não obstante este uso contrariar as leis da nossa morphologia.

"O systema que se funda na imitação do som, denominado orthographia phonetica, não tem outro principio regulador senão o capricho individual, e as suas regras pertencem ao dominio da imaginação. Hoje os grandes philologos não se occupam d'ella. Os phonetistas, em face da actual sciencia linguistica, representam o papel dos alchimistas da edade media em busca da transformação dos metaes.

"O fim secundario da orthographia é pintar os sons, o primario é dar-nos a conhecer a palavra, dizer-nos a sua origem e a sua historia.

"A orthographia phonetica trata de pintar, e mal, os sons que necessariamente se modificam de dia para dia, e concorre para a instabilidade das linguas; a orthographia etymologica tende ao contrario a fixal-as e a determinal-as" (op. cit., t. I, p. XIX).

O texto que acabamos de citar é de 1881. Dezoito anos depois, em 1899, Candido de Figueiredo lançava a primeira edição de seu "Novo Diccionário da Língua Portuguesa" (Lisboa, 2 vols.), no qual tomava explicitamente a defesa da ortografia fonética e simplificada, que acabou prevalecendo ─ para o bem da Língua, dizem uns, para o empobrecimento dela, sustentam ainda hoje outros.

Reformas ortográficas

Desde as primeiras décadas do século XX, gizaram-se acordos ortográficos entre os dois países ─ Portugal e Brasil ─ com vistas ao estabelecimento de um acordo unificador. Essas tratativas eram feitas em duas esferas, na cultural e na política.

Culturalmente, os estudos eram conduzidos por lingüistas lusos e brasileiros, ligados, respectivamente, à Academia Portuguesa (sucessora da Real Academia de Lisboa, fundada no século XVIII por D. João V) e à Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897, no Rio de Janeiro. Politicamente, eram os governos de Portugal e do Brasil que chamavam a si a atribuição de legislar na matéria, ouvidos os especialistas acadêmicos, aos quais se atribuía o dever de zelar pela integridade e pureza do idioma.

Não vamos resumir, neste trabalho, as idas e vindas dos trabalhos, os vários projetos que se sucederam nas primeiras décadas do século XX.
Apenas recordamos aqui um episódio engraçado, que mostra bem as incertezas e hesitações da época.

Na década de 1920, o velho jornalista Júlio Mesquita foi passar uma temporada de repouso na Europa, e por recomendação médica ficou algum tempo sem ler jornais, até mesmo sem ler o seu jornal, "O Estado de S. Paulo". Ao partir, deixou, na direção da folha, seu primogênito Júlio de Mesquita Filho, auxiliado pelo seu irmão Francisco.

Enquanto seu pai tomava águas medicinais em Vichy, os jovens Julinho e Chiquinho, como eram chamados, ardorosos e impetuosos, resolveram aderir a um projeto de ortografia simplificada, numa das versões então debatidas acaloradamente. Como diretores interinos do jornal, assim o determinaram. Para surpresa geral, e também com enorme escândalo, o tradicional e sisudo "Estadão" começou a usar aquela ortografia revolucionária.

O fato produziu grande comoção no Brasil. Alguns jornais aderiram, outros se puseram contra, estabeleceu-se uma polêmica na imprensa e nos meios cultos. E os jovens diretores, contentíssimos, se viam no centro do debate. Era um lançamento mais do que promissor para dois jovens jornalistas.

Mas aconteceu o que eles não esperavam. Na França, o velho pai, tendo melhorado, sentiu curiosidade de ver como é que estava andando o jornal nas mãos dos filhos... e teve a maior decepção da vida! Quase morreu de susto, vendo seu velho jornal transformado numa folícula revolucionária e vanguardista de um sistema novo que, no íntimo do seu ser, lhe causava horror. E passou um telegrama "puxando as orelhas" dos meninos e dando ordens peremptórias para se acabar a brincadeira e retornar ao velho estilo.

Muito sem jeito, Julinho e Chiquinho tiveram que obedecer ao pai e acabou a sua festa. Anos depois, quando assumiram a direção do jornal, já estavam mais maduros e não se aventuraram a novas experiências do gênero.

Finalmente, depois de muitos percalços, a Academia Brasileira de Letras, em histórica sessão de 12 de agosto de 1943, aprovou a mudança ortográfica global da língua portuguesa falada no Brasil, imitando análoga decisão tomada poucos anos antes pelos portugueses. Foi uma reforma de grande amplitude, modificando radicalmente o modo de escrever a língua.

A introdução da nova ortografia foi muito discutida. A abolição das letras consideradas supérfluas ensejou a introdução de numerosos acentos diferenciais, o que, naturalmente, exasperou muita gente. As polêmicas prosseguiram pelas décadas seguintes.

O autor deste trabalho, nascido 11 anos após a entrada em vigor da nova ortografia, recorda-se bem de que se zombava muito, por exemplo, do acento circunflexo no advérbio "tôda", para diferenciá-lo do substantivo feminino "toda", com “o” aberto. Dizia-se que "toda", sem acento, era um passarinho da Austrália que os zoólogos, e até mesmo os zoólogos australianos, desconheciam completamente, mas que os gramáticos brasileiros conheciam muito bem...
Nessa fase das discussões que a nova ortografia produziu, certa vez Mário de Andrade, já muito doente e de mau humor, declarou em entrevista ao jornalista Francisco de Assis Barbosa:

"Não me interessa discutir se esta ou aquela é a ortografia que presta ou não. O essencial é termos uma ortografia. Que se mande escrever cavalo com três eles, isso não tem importância. Precisamos é de acabar com a bagunça. Não compreendo por que a palavra right se escreve com g-h-t. No entanto assim é que está certo. Escrever de outra forma na Inglaterra ou nos Estados Unidos é diploma de ignorância. Aqui, não. Todo mundo escreve como bem entende.

O Estado da Bahia tem h. A baía de Guanabara não tem. Acredito que a questão ortográfica tem contribuído muitíssimo para a desordem mental no Brasil" (entrevista publicada pela revista "Diretrizes", de 6-1-1944, reproduzida pelo "Jornal da ABI", órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa, de janeiro de 2008).

Um grande crítico da reforma ortográfica de 1943 foi o Prof. Napoleão Mendes de Almeida, autor da respeitada "Gramática Metódica da Língua Portuguesa". De acordo com ele, essa reforma nem seguiu a ortografia fonética, nem a etimológica, nem mesmo se pode dizer que foi uma reforma mista. Foi, na sua opinião, algo desastroso e ilógico.

Em 18-12-1971, entrou em vigor no Brasil nova reforma ortográfica, instituída pela lei 5.765, abolindo os acentos diferenciais (com algumas poucas exceções) e abolindo também o acento grave em palavras como cafèzinho e sòmente. Foi bem menor que a anterior, mas causou transtornos e dificuldades de adaptação em inúmeras pessoas já habituadas ao sistema anterior. A principal crítica que se fez à reforma é que seus benefícios, se é que os houve, foram muito menores do que os transtornos que causou.

Já em 1980 começaram tratativas para nova mudança ortográfica, desta vez com a finalidade explícita de unificar a ortografia de todas as nações lusófonas do mundo. Em 1971, havia apenas dois países lusófonos no mundo, Portugal e Brasil. Em 1980, com a desintegração do império ultramarino português, se haviam formado novas nações que falavam a língua de Camões: Angola, Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe, Timor Leste. E começou a se propugnar uma unificação ortográfica, que permitisse a utilização de um dicionário comum.

O grande artífice, pelo lado brasileiro, dessa nova reforma, foi o lingüista e dicionarista Antônio Houaiss, contra o qual se levantaram numerosos críticos. Entre outros, manifestou-se contra ele o já citado Prof. Napoleão Mendes de Almeida, respeitado em todo o Brasil e em Portugal como o maior gramático vivo da época. Em entrevista a "Veja", publicada na edição de 24-2-1993 da revista, sob o título "Chega de asnices!", assim se exprimiu ele:

"VEJA - O que o senhor acha das reformas ortográficas feitas periodicamente no português?
ALMEIDA - Vejo como uma forma de comércio. O interesse das reformas ortográficas é financeiro, não intelectual ou prático. Tem por fim o lucro, seja da Academia Brasileira de Letras, seja de alguma editora, seja de algum rato de ministério, como é o caso atualmente no Planalto. Certa vez o Cláudio de Souza, então presidente da ABL, esteve no meu escritório, antes da reforma de 1943, e me perguntou por que eu era contra a reforma ortográfica. Ele me explicou que a Academia tinha despesas com a impressão do vocabulário. Eu disse: meu caro, não acha que a sua resposta deve ser substituída pela reflexão de que o interesse da reforma ortográfica é de caixa, e não de ensino? O escritor interessado quer modificar a ortografia, mas o livro dele, sua gramática, com a nova ortografia, já está pronto. Em 1949, quando saiu um decretinho no Diário Oficial introduzindo a nomenclatura gramatical brasileira, um dos tratantes da comissão já estava com o livro dele, incluindo as modificações, na terceira edição.

VEJA - O acordo de unificação ortográfica entre o português do Brasil e o de Portugal, negociado atualmente pelo ministro da Cultura, Antônio Houaiss, encaixa-se nesse caso?
ALMEIDA - Faço minhas as palavras do jornalista Paulo Francis, num artigo recente. O bom dessa rusga diplomática que está ocorrendo entre Brasil e Portugal é que ela matou o acordo ortográfico do Antônio Houaiss. O Houaiss não é bobo, já admitiu que o acordo foi arquivado por tempo indeterminado. Isso porque ele é editor, paga imposto de renda pelo que edita. Qual seria o seu interesse na reforma senão ser o primeiro a dizer: "O que foi decretado ontem já está em forma de livro?" Vernáculo não é política para viver de alternativas, para alimentar-se de amizades e confrarias. O vernáculo vive de escritores, e estes não se impõem pela quantidade, senão pela qualidade de obras que expressem o belo sem protuberâncias vocabulares nem manifestação de desnutrição, de doenças gramaticais.

VEJA - A unificação da ortografia usada no Brasil e em Portugal, prevista pela reforma, não seria desejável?
ALMEIDA - Que unificação? Não existem duas línguas, apenas uma.
VEJA - Mas muitas palavras são usadas ou grafadas de forma diferente nos dois países.
ALMEIDA - E no Brasil não acontece o mesmo, de região para região? Não há diferenças prosódicas e de significação? Isso não prejudica o idioma de forma alguma. Tome-se, para efeito de comparação, o dicionário Webster da língua inglesa. Para certas palavras ele dá quatro pronúncias diferentes. Outras são mostradas com três grafias diversas. Isso é motivo para um espertalhão querer introduzir uma lei que determine uma só forma ortográfica, uma só pronúncia da palavra?
VEJA - O acordo ortográfico prevê a eliminação de vários acentos nas palavras. Isso não tornaria mais fácil a tarefa de quem escreve, lê ou estuda o português?
ALMEIDA - A acentuação no português é um horror. A ortografia de 1943 está errada, mas se forem mexer vai piorar ainda mais.
VEJA - O que há de mais aberrante na acentuação do português?
ALMEIDA - Tome-se, por exemplo, a palavra auxílio. No idioma espanhol existe essa mesma palavra, com o mesmo significado, mas ao contrário do que ocorre no português ela leva acento na forma verbal, auxilío. O motivo é simples: de cada dez vezes que essa palavra aparece corriqueiramente, talvez apenas uma seja na forma de verbo, nas demais ela aparece como substantivo. Então, nada mais lógico que se deixe o acento para diferenciar o verbo. Há mais bom senso na ortografia espanhola nesse aspecto.
VEJA - O acordo prevê também a volta das letras k, w e y ao alfabeto, assim como a eliminação do trema no u. O que acha dessas propostas?
ALMEIDA - As três letras em questão nunca deveriam ter saído do alfabeto. Precisamos delas no dia-a-dia, na matemática, por exemplo, e também na escrita comum. Quanto ao trema, é inútil, ninguém precisa dele. Na verdade, quem deve ensinar a pronúncia certa é a escola. Eu mesmo não uso acentos quando escrevo meus rascunhos. Para quê? Eu sei ler. Mas para acrescentar o k, o w e o y ao alfabeto, assim como para eliminar o trema, não é preciso fazer uma grande reforma ortográfica. Basta um decretozinho, uma lei que regule o assunto".


Depois de falecido Houaiss, depois de corrida muita tinta, afinal é a reforma de Houaiss, ao que parece com alguns abrandamentos ocasionados pela necessidade de facilitar a aceitação do acordo por parte dos portugueses, que está em vias de entrar em vigor.

Não vamos expor aqui, em pormenor, quais são as mudanças que introduz a presente reforma, pois a grande imprensa as tem noticiado e divulgado amplamente.
Estava previsto que a reforma entraria em vigor no dia 1° de janeiro do corrente ano, mas essa data foi postergada, pois as autoridades lusas não a aprovaram em tempo hábil. Somente agora, no corrente mês de maio de 2008, as autoridades portuguesas, depois de prolongados estudos, a aceitaram. Resta somente agora fixar a data para sua entrada em vigor.

Nossa opinião

Nossa opinião é francamente contrária à mudança, pelas seguintes razões:
- Toda mudança em costumes bem estabelecidos, ainda que para melhor, sempre traz perturbações. A mudança só deve ser feita, em princípio, se as vantagens que trouxer superarem largamente os inconvenientes do status quo. Ora, isso manifestamente não acontece no caso concreto, porque todos os seus adeptos, portugueses e brasileiros, se dizem insatisfeitos com ela, vendo-a como parcial e provisória, apenas como um passo para outras mais completas a serem estudadas no futuro.
- A introdução da nova ortografia, sobretudo com a perspectiva de ser ela provisória, trará enormes transtornos no sistema editorial das várias nações envolvidas, exigindo a reformulação de incontáveis obras já em circulação, e trará problemas que se estenderão por, pelo menos, toda uma geração. Esses problemas serão mais sentidos pelas pessoas de mais idade, já formadas e acostumadas ao sistema anterior. Vantagens, sem dúvida, haverá, e polpudas, apenas para os interesses econômicos de editoras que lucrarão com isso. Nesse particular, o saudoso mestre Napoleão Mendes de Almeida tinha inteira razão.
- A idéia de que a nova ortografia constitui um passo para a constituição de um dicionário único do idioma português falado no mundo inteiro não se sustenta. Ela é utópica e, se fosse realizável, seria indesejável. Isso porque o idioma português, diferentemente de outros idiomas, se caracteriza pela extrema receptividade em relação a neologismos. No castelhano, por exemplo, a utilização de uma palavra não existente no dicionário da Real Academia de Madri é considerada erro, de acordo com a norma culta vigente na Espanha e em todos os países da Hispano-América. Já no português, a facilidade com que se criam palavras novas constitui uma das riquezas do nosso idioma. No século XVIII, quando foi publicada na Espanha a primeira versão do dicionário da Real Academia de Madri, o rei de Portugal encarregou a Real Academia de Lisboa de fazer um dicionário português, para não ficarem nossos patrícios atrás dos vizinhos espanhóis. Os filólogos portugueses penaram durante muitos anos e, afinal, publicaram apenas o primeiro volume do dicionário, referente à letra A, desistindo do empreendimento porque, quando concluíram a redação, deram-se conta de que já haviam surgido muitas palavras novas iniciadas coma letra A, durante os muitos anos de seu intenso labor...
Esse fato cômico serviu a Alexandre Herculano para, em “Lendas e Narrativas”, referir-se a certo jumento que se pôs a azurrar, dizendo que ele “começou por onde, às vezes, academias acabam”. Aludia assim ao último verbete do dicionário inacabado, que era AZURRAR, sinônimo de zurrar...
- Acresce que a unificação do idioma no mundo inteiro, além de ser utópica e indesejável, é também perfeitamente desnecessária. O signatário deste trabalho trabalha com editoras brasileiras e portuguesas e pode atestar que qualquer brasileiro letrado, lendo um livro português, o entende perfeitamente, apesar de uma ou outra diferença semântica, ortográfica ou de sintaxe. E, em sentido recíproco, qualquer português letrado lê o que se publica no Brasil sem dificuldades. O mesmo vale para as outras nações lusófonas, com as particularidades de cada qual, regionalismos etc. A idéia, pois, de que a nova ortografia vai proporcionar um intercâmbio editorial muito mais intenso entre os vários países lusófonos, não procede. Ou melhor, é apenas pretexto a serviço de interesses econômicos de grandes editoras.
- Resumindo: as modificações impostas pela presente reforma são insuficientes para atingir o fim a que se propõem, de unificar o idioma no mundo inteiro, e são mais do que suficientes para produzir muita confusão... e dar muito lucro a alguns interessados.

Concluímos lembrando que uma das línguas mais complicadas do mundo, o francês, não tem reformas ortográficas há séculos. Sua ortografia é considerada, até pelos franceses, extremamente difícil, tendo algumas palavras até três acentos. Isso não impediu, entretanto de ser o francês a língua da diplomacia universal durante séculos, conhecida e falada até hoje por pessoas cultas de todo o mundo.
Quanto ao inglês, não tem acentos, mas tem uma grafia complicadíssima. Aqui no Brasil, costumamos exibir a letra x como o auge da complicação, porque corresponde a cinco sons diferentes. É verdade, mas é caso único. Já no inglês, há letras e dígrafos que se pronunciam até de cinco formas diferentes, e há numerosos sons que se escrevem de até cinco formas diversas. No inglês, só sabe pronunciar quem conhece a palavra. A mera leitura das letras não é suficiente para se conhecer a pronúncia. Isso, entretanto, não impediu o inglês, que também há séculos não reforma sua ortografia, de ser o idioma internacional de nossos dias.
Por que, então, essa mania de reformar nossa língua? Por que maltratá-la tanto?
A esse respeito, só cabe citar, de memória, a oportuna afirmação de Francisco Rodrigues Lobo, em “A Corte na Aldeia”: depois de elogiar as belezas da Língua Portuguesa, lamenta-se ele de que seus falantes "trazem-na mais remendada que capa de pedinte".

Principais fontes consultadas:

Napoleão Mendes de Almeida, Gramática Metódica da Língua Portuguesa, 24ª ed., Saraiva, S. Paulo, 1973, 575 pp.
F. J. Caldas Aulete, Diccionario Contemporaneo da Lingua Portugueza, Lisboa, 1888, vol. I, 914 pp.
Candido de Figueiredo, Novo Diccionário da Língua Portuguesa, 3ª. ed., Lisboa, vol. I, 1102 pp.
Revista “Veja”, edição de 24-2-1993.
“Jornal da ABI”, edição de janeiro de 2008.
“Folha de São Paulo”, edição de 28-8-2007.

Armando Alexandre dos Santos é escritor e jornalista profissional, diretor de publicações do Instituto Histórico e Geográfico de S.Paulo.

E-mail: aasantos@uol.com.br