quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fábrica de painéis solares consegue licença

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fonte: jornal Diário do Nordeste, 09/09/2010


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Placas fotovoltaicas serão produzidas na América do Sul pela primeira vez em fábrica no Ceará
FOTO: DIVULGAÇÃO

9/9/2010

Emissão da licença prévia garante andamen- to do projeto com a terra- plenagem e a liberação de financiamento

Parado há quatro meses, prossegue o projeto da fábrica de painéis e células fotovoltaicos, equipamentos utilizados para captação de energia solar.

Este é o primeiro empreendimento deste tipo na América do Sul, que será erguido no município de Horizonte, a 42 quilômetros de Fortaleza.

O projeto da Esbra (Energia Solar Brasileira) estava parado aguardando a licença prévia da Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente).

O diretor da Pentagonal Consultoria e Investimentos, Aécio Gonçalves, responsável pela elaboração do projeto financeiro do empreendimento, diz que deu entrada no processo no órgão em 26 de fevereiro deste ano. "A expectativa era que a licença prévia saísse em dois meses", relembra. "Mas, em abril, paramos o projeto porque enquanto não tínhamos a licença, não podíamos fazer mais nada. Paramos com a terraplenagem e com as renovações de outros documentos. Este atraso significa um prejuízo para a empresa e para a sociedade".

Com a licença prévia, emitida em 30 de agosto, Gonçalves garante que a terraplenagem será retomada ainda em setembro. "Recebi hoje [ontem] a licença", afirma. "Esta semana já vamos entrar com o pedido da licença de instalação", o que vai permitir a construção do prédio. Os seis meses de espera pelo documento significam atraso também no início das obras e na contratação do financiamento. A previsão inicial era que a operação da fábrica fosse iniciada em setembro de 2010. Agora, este prazo ganha mais nove meses, segundo expectativa do consultor do projeto.

Financiamento

Com a licença, a empresa garante o andamento do processo de contratação de financiamento. A carta consulta já foi aprovada pelo Banco do Nordeste (BNB). A instituição deve liberar 80% dos recursos para a primeira fase do projeto, que consiste na construção do prédio e galpão e na aquisição de máquinas e equipamentos. Nesta etapa, com investimento total de R$ 12,6 milhões, a fábrica vai produzir apenas os painéis solares. As células fotovoltaicas, componentes destas placas, serão importadas.

Os 20% restantes para financiar o projeto são recursos próprios da empresa.

Mercado

Na segunda fase, que terá investimento de R$ 55 milhões, a fábrica passa a fabricar as células. Esta etapa, segundo Gonçalves, deve ocorrer dois anos após o início da operação, dependendo da demanda. Para ele, o mercado é "abrangente". "Energia renovável é uma tendência. Não causa poluição nem impacto ambiental", afirma. "A fábrica deve fornecer placas solares para Europa, América do Sul e para o Brasil. Nossos consumidores serão as usinas de energia solar, as comunidades remotas sem energia elétrica e conjuntos habitacionais já projetados para consumir energia solar". Ele cita ainda a Amazônia e suas comunidades isoladas como potenciais consumidores de painéis fotovoltaicos.

O consultor diz que os fornecedores de máquinas e das células fotovoltaicas ainda estão em análise. Ele adianta que as células podem vir da Alemanha e as máquinas dos Estados Unidos ou Alemanha.

Produção

Nesta etapa inicial, a produção anual será de módulos com capacidade para captação total de 25 megawatts (MW)/ano, o que representa cerca de 110 mil painéis. Para geração de 1 MW são necessários em torno de 4.600 painéis. Cerca de 120 empregos diretos serão gerados e a empresa criou ainda um fundo para capacitação da mão-de-obra de Horizonte.

Na segunda fase, prevista para 2012, começarão a ser produzidas as células fotovoltaicas, utilizadas na fabricação dos painéis. Um terceiro momento, ainda em fase de estudo, deve ser iniciado o processo de mineração, ou seja, a extração do silício para fabricação dos lingotes que, por sua vez, são usados na produção das células.

Controlado pelo empresário Nelson Estevan Seidl, brasileiro radicado há 40 anos nos Estados Unidos, o projeto será instalado em uma área de 60 mil metros quadrados.

Incentivos

Ainda conforme Gonçalves, as negociações com o governo estadual garantiram incentivos como infraestrutura de acesso, água, energia e saneamento.

CAROL DE CASTRO
REPÓRTER

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